9 quase mentiras, quase verdades minhas

achei interessante a proposta do jogo facebookiano da moda; porém, o binarismo inerente tornou a medida das coisas um tanto quanto recheadas de alternativas óbvias, eventos prosaicos e escolhas no chute aleatório, no qual não ajudam a clarificar uma relação com o personagem postado, não dão valor ao caráter do contador; portanto, resolvi lançar a minha versão, que é: 9 quase verdades e mentiras AO MESMO TEMPO; ao passo que toda memória é um pouco ficção e um pouco acontecimento de fato, misturadas numa sopa entre o real e o hiperreal, segue:
1 – existe uma cópia idêntica minha que circula por Porto Alegre; ainda tenho minhas dúvidas sobre seu método de criação: se como uma Tulpa (na força do pensamento coletivo em um mesmo evento ou objeto), ou um Doppelganger (uma versão exata – e maligna – de mim, existindo por meios místicos enquanto eu também estou aqui); mas é fato que e, por mais de uma vez, fui abordado por amigos e conhecidos com o clássico ‘te vi na rua, ontem! abanei e tu nem respondeu!‘, em locais no qual eu não estava, nunca estive e sequer pensei em estar; inclusive, em um caso no qual fui acusado pelo colégio de ter ido à aula e posteriormente fugido da instituição, num dia que sequer sai de casa, pois estava cabulando.
2 – eu já experenciei uma vez na minha vida um momento no qual o tempo congelou e eu pude vivê-lo de maneira estendida, atuando em mais de um cenário pelo mesmo período linear, segundo a física clássica; tudo se passou num jogo do Grêmio, no qual eu estava bebendo (admito), e acabei perdendo o primeiro tempo de partida. ao me deparar com meu atraso não planejado, indignado, corri para o estádio, adentrei os portões e fui surpreendido com o jogo acontecendo… ainda no início do primeiro tempo; bola começando a rolar, juiz apitando.
considerei sorte, por isso, conseguir beber mais que os outros, chegar nos portões vazios e, ainda assim, ver a partida completa, perdendo nadinha.
3 – eu anoto meus sonhos e isto permite uma série de detalhes sobre eles maior que a média, sobretudo porque o exercício de anotar faz com que lembremos ainda mais das coisas acontecidas no subconsciente.
dois anos atrás, por aí, sonhei que Léo Moura era um líder reptiliano e escondia suas verdadeiras intenções na casca de um jogador de futebol, para que seus atos fossem tão logo cobertos pelo cativante personagem em campo, figura icônica garantida no carisma e sorriso sincero. este ano, o Grêmio fechou contrato com ele e, talvez, isto se dê pelo fato de que meu sonho tenha feito revelações sobre o futuro e Léo Moura pode também lê-los, enquanto vil criatura mística e telepata, e esteja por este motivo pretendendo encerrar carreira em Porto Alegre para, depois, poder me silenciar para que eu não revele mais detalhes sobre sua real condição.
4 – sobre sonhos, também, outra vez recebi informações do futuro em duas línguas: inglês e alemão; estas informações foram posteriormente checadas e ocorreram precisamente como relatadas no universo onírico, tal qual as previsões fatídicas que levantavam. no entanto, quando iniciei meus estudos recentes sobre alemão, percebi que a língua falada no sonho era um embuste e eu não sei até hoje que língua serviu de comunicação no meu sonho que, além do inglês – identificável, óbvio -, era algo com estrutura gramatical clara e funcional, porém bizarra e desconhecida.
5 – eu odeio qualquer veículo de tração mecânica e acho uma das maiores misérias humanas nossas cidades brasileiras serem tão mal projetadas ao ponto de eu me tornar refém de carro, ônibus, táxi, o que for; uma das maiores diversões, para mim, é caminhar andarilhadamente sem objetivos, ou com, de modo que eu possa observar o que se passa ao redor e fazer anotações mentais e teorias; esta prática pode ser exercida com mais regularidade quando eu viajo, justamente porque turismo e ‘a pé’ combinam, e a minha namorada pode confirmar o quanto a gente caminha quando viaja.
certa vez, quando descíamos pela neblina de Sintra, acompanhados de uma breve e fina camada de chuva e vento, fomos dragados por uma brecha dos acontecimentos e levados aleatoriamente à casa de, nada mais nada menos, que: Hans Christen Andersen –  e esta ninguém sequer pode duvidar, porque a internet fornece fotos aos montes.
6 – eu já fiz toda sorte de experiências duvidosas que envolvessem algum tipo de exercício extra-corpóreo, como autohipnose e projeção astral e afins; numa dessas, pude sentir a cama da minha casa transformando-se em líquido, tornando-se um objeto com aspecto e textura cada vez mais macio e indiferente ao contato, ao ponto de meu corpo, por último, findou ao transmutar-se em vapor e eu consegui senti-lo vagando no ar sem destino, enquanto confundia mentalmente se eu estava na minha cama, ou outro lugar misterioso e escuro desconhecido. acordei, no entanto, na casa da minha namorada, ao que conclui sem sombra de dúvidas apenas a possibilidade mais óbvia: eu me tele transportei.
7 – eu já inventei duas línguas – além daquela sonhada, que se apresentou como ‘alemão’ e não era – e, infelizmente, nunca me tornei fluente em nenhuma delas. sequer saberia identificá-las se mostradas na minha frente, tamanha a indiferença que tenho com ambas atualmente; porém, se algum dia porventura alguém aprende-las e resolver falar por aí, gostaria de receber os créditos pela iniciativa.
8 – tenho um plano detalhado para a dominação mundial iniciados aos meus trinta anos.

9 – quando certa manhã Lucas Fazzi acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso e presidente do mundo. sua primeira medida realizou-se ao mandar construir uma estátua de si mesmo, com vinte cinco metros de altura e feita em ouro maciço, no meio do oceano.

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