7 gírias brasileiras muito comuns e pra lá de porretas

a gíria é um treco cabuloso. falando sério, é uma afirmação social no qual se cria um espetáculo de estranheza no mais óbvio elemento da língua, distorcendo o comum e criando o inovador de dentro pra fora, no que interessa ao grupo reter uma (nova) identidade. nós já temos nossas expressões no próprio português oficial, mas sentimos a necessidade de torná-las ainda mais singulares. por isso a gíria surge; há, no entanto, algumas inexplicáveis entre as mais comuns deste brasil varonil. e eu resolvi elencar as minhas 7 que eu prefiro:

1 – trem

esta é velha, famosa, todo mineiro ama… mas que porra é trem? em suma, trem é, para o mineiro, exatamente tudo e nada menos que a totalidade das coisas. tudo pode ser ou é trem – e esta definição tão evasiva torna o papo com o mineiro algo surreal. falar com um mineiro sem ‘trem’ é negar uma tradição, é negar o nascimento.

2 – maneiro

esta, muito comum no RJ – mas não incomum em outros lugares – e surgiu provavelmente com o filme Saturday Night Fever e o personagem Tony Manero; mas você já parou para pensar por que isto viraria gíria para ‘legal’ no país? é tipo se alguém dissesse que ‘John’ significa ‘ótimo’ e todo mundo começasse a falar coisas como ‘esta comida está muito John’.

3 – bala

o gaúcho, especificamente o portoalegrense, se refere a ‘coisas legais’ como bala. por que? simplesmente porque é bala. mas o que ‘bala’ quer dizer? que merda é bala? o mistério por trás deste termo torna-o ainda mais intenso, justamente porque ele não tem nenhuma conexão positiva com o que pretende afirmar; é algo completamente aleatório.

4 – irado

outra antiga carioca e muita gente não usa mais; o que eu mais gosto é o seu oposto real. ‘irado’, como a palavra diz, refere-se à ira… mas na gíria, a ideia é exatamente o contrário. ‘irado’ não está associado ao lado impositivo da ira mas é, para o carioca, uma coisa boa, algo ‘maneiro’. ironias da vida.

5 – cabra

o nordestino ama incutir no indivíduo um ‘cabra’, meio que como trem, referindo-se a qualquer coisa humana. no entanto, por ser humano o cabra é mais individual, está preso à pessoa, ao sujeito. ‘cabra’ é uma forma carinhosa de se referir a tudo que importe, em outras palavras: o homem é cabra; ou cabra homem.

6 – bah

o ‘bah’, também gaúcho, é uma terminologia, uma conjunção de letras que não quer dizer nada, mas ao mesmo tempo – como trem -, diz exatamente tudo; para o gaúcho, qualquer expressão pode estar inclusa com ‘bah’, tudo pode constar como ‘bah’ e tudo, enfim, será justiciado como um sonoro ‘bah’.
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7 – mainha painho

o nordestino especialmente – mas também outros – ama diminutivamente esta expressão e eu gosto muito dela pela sua sonoridade: parece que está sendo cantada toda vez que soa por aí. referir-se ao ‘mainha’ ‘painho’ de certa forma é, como tal, chamar ao canto da sereia os interessados.
e eras isso, galera; qual gírias vocês gostam mais? postem aí! manoel-de-barros-o-livro-das-ignorãnças fui!
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