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O software livre e a morte da Adobe

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eu sou um defensor do software livre – como já deixei claro num antigo texto -, mas, no entanto, reconheço que alguns métodos ainda vivem de cobranças clássicas e do mais básico tipo de investimento para tecnologia; ou seja: fazendo o usuário pagar daquela forma antiga como conhecemos.
a era dos novos serviços chegou e, por isso, tenho pra mim que, a despeito da cobrança – e, inclusive como posicionamento de empresa -, ninguém mais ‘venda um produto’ unicamente, mas uma ‘série de serviços’ agregados a este fato; tanto é que a mídia física praticamente está morta: você compra seriais, licenças, acessos etc e não propriamente o objeto, mas o grupo no qual aquele faz parte. dentro disso, a Adobe migrou há muito tempo para o tal do Creative Cloud, com propósito de integrar e unificar seus produtos numa rede de serviços online. quem conhece a Adobe, sabe de suas expectativas no mercado de trabalho que atua e, sobretudo, como estes softwares são potencialmente essenciais para a área como um todo; mas, na mesma medida, existe um certo cunho monopolista da pior espécie: basicamente a empresa domina o mercado e não faz nenhuma questão de corrigir várias falhas identificadas nos seus produtos – inclusive com a eterna briga do Flash até com outros gigantes da tecnologia.
se, meus caros, a Adobe caga para o alto mercado corporativo, você imagina como funciona para os users que ‘apenas’ pagam por uma licença, para serem incluídos no Creative Cloud como meras formigas; é só entrar nos fóruns e ver o índice de bugs não resolvidos – ou mais explicados –, versão após versão, indubitavelmente criando uma atmosfera de empresa filha da puta que fode com o user E cobrando bem caro, sem ter um equipe de apoio decente. é claro, ao mesmo tempo que há produtos com qualidade indiscutível, sim, há uma má vontade da companhia em ser boa em outros setor, que é o dos serviços – e ATÉ seria justificável, não fosse a tentativa do Creative Cloud de e, por ele, justamente criar um mercado de serviços obrigatoriamente a quem consumir os produtos da empresa. em suma: a Adobe domina o mercado e caga para o usuário. ela SABE que você, ou eu, ou qualquer um não tem poder de reversão nenhuma sobre isso. ajoelhou tem que rezar…
adobe
neste pensamento, a relação com eles começou a me cansar; não bastando apenas isso, como dito, não é nem como se seu serviço fosse barato; as licenças para os softwares da Adobe, no Brasil, mesmo com o modelo mais barato, são uma pequena fortuna – e, neste caso, a justificativa dos impostos nem é válida. um verdadeiro ‘foda-se e pague’; para uma pequena empresa, como a minha, o preço seria proibitivo se o serviço fosse ruim. e é. novamente: o produto é bom, mesmo com alguns problemas, mas o serviço é péssimo. toda tentativa de negócio ou conversa resume-se a nada; a Adobe está cagando para o mercado que ela fagocitou como grande líder, porque sabe que e, matando todos os concorrentes, ninguém pode oferecer nada igual – ainda que o seu modelo esteja longe do ideal… é o único e só ele, sozinho e no topo. o vetor inverteu-se e não é ‘o cliente tem sempre razão’… neste caso é um ‘use e não reclame’ total. vítimas, reduzidas aos anseios da empresa, embora tenha gente que realmente goste, outros apenas aceitam: ou se sujeitam, ou não há como sair do zero.
nadando contra a maré, eu resolvi ir ao contrário. não numa tentativa de derrubar a Adobe, numa perspectiva ideológica utópica de começar um boicote mundial, mas pelo simples fato de que o serviço predatório da empresa chegou a um ponto de que efetivamente havia se tornado insuportável para mim: muito preço e pouco resultado. o medo sempre vinha na base de ‘como, na minha área, poderei sobreviver sem a Adobe?’; uma dúvida prudente. no entanto, há pouco mais de um mês acabei migrando totalmente para as opções de software livre e tenho me adaptado sem muitos problemas. adaptação é o nome: não há igualdade, admito, são plataformas distintas, mas você pode conseguir resultados iguais em outras perspectivas.
uma das coisas da velha guarda que mais se ouve em palestras e afins é o fato do ‘computador matar a criatividade’; de fato, nesta perspectiva, a funcionalidade, sobretudo da Adobe, tornou o meio dependente da plataforma como se não houvesse antes e depois à empresa; repito: os softwares livres estão longes de serem iguais; no entanto, a adaptabilidade que tive de passar permitiu, por sua vez, que eu pudesse colocar inclusive a linguagem de trabalho numa dinâmica mais experenciada como motivação: sem Adobe, agora, tenho de resolver os mesmos problemas sobre outras perspectivas. e, volto a questão, sem me sentir pressionado ou cobrado por um serviço aquém do razoável, com um preço predador. pagamos, sim, por estas facilidades, mas a minha questão na vida-pós-Adobe se resume a mesma pergunta: é válida toda esta submissão?
o mercado cercado pela empresa tornou-se um imã tão dependente da mesma que, ao que parece, se um dia porventura toda Adobe explodir, tudo que se restituiu em criatividade digital também vai pelos ares; um sentimento de que a empresa ‘criou’ a criatividade digital. mentira; e tampouco ela tem relações com o avanço de linguagens. por isso, novamente, mudar para o software livre me levantou uma questão óbvia: quem faz a algo criativo, logicamente, é quem cria. a ferramenta é um mero apoio, uma facilidade.
dito isso, não há limites para criação senão o que se imagina da mesma. a Adobe é uma ótima ferramenta, claro, mas não para o que ela consome de nós. é como se fosse um vampiro: a empresa suga em todo empenho seus mecanismos, para transforma-lo em um zumbi sedento por softwares da mesma. ainda utilizo ferramentas gratuitas da empresa, mas nunca mais as pagas. não até mudarem suas noções de mercado e acessibilidade. e, até lá, sigo me sentindo muito melhor com o software livre.
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