WP_20160709_14_42_27_Pro

7 obras que eu vi em São Paulo e aconselho pra vocês, incautos

São Paulo, local onde eu estava, é uma das cidades no mundo onde eu mais vi museus na minha vida; mesmo em comunidades europeias, onde o apreço à arte é grande, São Paulo consegue bater muitos dos maiores centros com toda sorte de exposições: clássicos, inovações, contemporânea, esculturas, quadros, happening, eventos de música etc. ad infinitum; como eu estou aqui fazendo propaganda gratuita, gostaria de expor alguns dos meus momentos preferidos passando pelos museus paulistas; seguem algumas obras que achei sensacionais:

1 – Esculturas em movimento, de Vesica Piscis

Estes pequenos objetos pendurados em fundo escuro, em movimento constante, são absolutamente espetaculares justamente por saberem utilizar o espaço vazio como volume; a artista recria muito bem uma dinâmica entre formas no qual o oco de seus objetos são preenchidos negativamente pelo que se imagina ao vê-lo de certa distância, colocando o que não está lá – o conteúdo – em mesma proporção com o que está, a escultura; paralelo a isto, vemos o efeito do giro refletido no fundo em sombras, criando imagens totalmente conflitantes à ideia do volume no objeto em si, referindo-se à uma terceira perspectiva possível na mesma coisa, num painel negativo disposto pela projeção destas sombras.

2 – Das Lamentações, de Nina Moraes

WP_20160709_15_17_41_Pro

Este, com nome quase auto-explicativo, recria num convívio de casais o famoso sítio internacional do muro das lamentações. Um detalhe curioso, por fazer a peça toda em vidro – mesmo as prateleiras -, embora a referência óbvia ao ‘muro’… não há muro nenhum na peça. Portanto, as lamentações fixam-se nos próprios objetos que as ativam como memória – no caso, os copos, pratos etc. quebrados, dando uma dramaticidade extra ao fato explicitado.

3 – A Torre, de Franz Weismann

WP_20160709_14_42_22_Pro

WP_20160709_14_42_27_Pro

Esta peça, embora uma escultura simplória, transpassa um efeito de dimensões também muito interessante. Pelo nome, ‘a torre’, a esperança num objeto sólido é exatamente o oposto do visto, justamente ao lidar com um volume em negativo – e de cada ângulo sob uma nova perspectiva -, o que se vê na ‘torre’ é exatamente o que se muda ao ângulo do observador enquanto ele se move diante da obra. Não há, portanto, uma ‘torre’ na ‘torre’, mas uma visão através de momentos, um objeto não sólido, pelo contrário, mas vivo, ativo e em mutação… mesmo estando parado, dependendo de como o observador encara a escultura, a torre se transforma em ‘torres’.

4 – Transição de Fase, Lourival Cuquinha

WP_20160709_13_32_21_Pro

WP_20160709_13_33_10_Pro

WP_20160709_13_33_22_Pro

A princípio, uma peça sobre diferentes objetos comuns ao comprar em camelôs e fotos destes mesmos vendedores, reposicionados com moedas num encaixe no qual cada um nos mostrava uma realidade diferente, a obra em si fala muito mais ao entender o aspecto das fotos: por se tratarem de imigrantes – todos – a perspectiva do artista era apresentar em suas vendas corriqueiras informalmente a ideia por trás do projeto: saindo de uma terra, para outra, estas pessoas que buscam algum tipo de vida melhor, um caminho novo, enfim, uma ‘transição de fase’, que se apegam na imagem do que são pelas vendas realizadas por poucas migalhas a se manter vivas com um emprego ingrato. O comércio informal, realizado por eles, tende a dizer muito mais sobre as figuras, às vezes, que as próprias vidas inseridas no processo: conhecemos suas histórias pelo que elas podem nos oferecer em sua nova vida de vendedor, relacionando às pessoas aos produtos.

5 – 5 personagens à procura de um autor, Remi Samuz

WP_20160709_11_26_05_Pro

Uma obra quase auto-explicativa, também; o efeito dos arames vazios, de esculturas sem vida, sem preenchimento, apenas as formas mais cruas do que estamos acostumados aos corpos humanos, tendem a dizer o que o artista quer contar ao não contar nada: estes trabalhos estão lá, como dito, à procura de quem se interesse por eles. Seus personagens, por isto, não tem personalidade que não seja metafísica: discutir o seu papel enquanto assim eles não o tem, enquanto esperam que alguém os preencha.

6 – Fiorucci Made Me Hardcore, Mark Leckey

Muito embora a mensagem fique no argumento estético e eu pessoalmente não goste de obras audiovisuais no geral, eu gostei muito desta peça; eu não consegui registrar toda – por ser um filme relativamente longo -, mas os momentos no qual coloquei em vídeo ajudam a elucidar esta tara retrowave que a peça tenta passar, recordando tanto de festas antigas mas na escolha de uma gravação glitchada em VHS, compondo esta camada de ‘anos 90’ no qual se pode sacar toda a perspectiva da loucura disposta nas pessoas insanas do vídeo e como o evento o fez hardcore.

7 – Ian, Otto Stupakoff

WP_20160707_10_56_25_Pro
Esta foto me cativou pelo embate na sua angulação contraditória; mais da metade do conteúdo da imagem é justamente um vazio, uma parede branca, confrontando o moleque no canto de uma sala – provavelmente de castigo -, num pequeno espaço no fundo. A ausência completa de qualquer elemento cumpre um papel não apenas de fundo, mas o castigo sobretudo claustrofóbico, ganha contrastes ainda mais apertados por como foi clicado: a escolha do ‘nada’, de fotografar o branco vazio torna o moleque ‘preso’ num pequeno espaço, hiperbolizando seu castigo numa punição que, pelo registro fotográfico, permanecerá eterno: para sempre num micro-local, para sempre punido, espremido num canto do rastro na imagem.
E eras isto, galera; curtem, compartilhem e passem adiante! Fui!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s