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as 5 melhores escolas culinárias do mundo

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nada no mundo é melhor que comer e eu já provei isto em outro post no outro blog; se alguém disser o contrário, não é apenas mal intencionado mas também um MENTIROSO. comer é vida e pautou socialmente todas as relações da humanidade: comemos para sobreviver, fazer amigos, manter cônjuges, delimitar políticas, construir e destruir sociedades. é fato; uma das frases mais surreais da história, inclusive, é aquela famosa de Maria Antonieta, dizendo à população, na época pobre e morrendo de fome, sem um pedaço de pão e:

– se não tem pão, que comam brioches.

claro, há suspeitas que ela nunca disse isso, mas a história é sobretudo constituída de mitos; assim como nossa comida. comer é, antes de tudo, acreditar no impossível, extrapolar a ficção ao inventar medidas no qual o limite entre criar e acreditar se confundam num processo somático. no final, um prato bom é, também, uma forma de arte, um pouco do espírito da criação disposta na forma de comida.
dentre todas escolas culinárias, vá lá, algumas destacam-se mais que outras. por isso eu resolvi fazer um post sobre os 5 estilos de comida que eu mais gosto; sem mais, segue:
libanesa

1 – Comida Árabe, em especial Libanesa

ok, o cenário árabe brasileiro existe numa mescla surreal de todo os povos que já vieram pra cá, uma terra supostamente pacífica, oriundos do Oriente Médio; mas nada dá mais destaque para a culinária que a vertente libanesa. pra mim, é a melhor coisa do mundo. e, aqui, no caso, quanto menos misturar melhor; ou seja, QUANTO MAIS LIBANESA TRADICIONAL, sim, sem elementos, ingredientes ou mesclas brasileiras… a comida fica melhor. a comida árabe – em destaque a citada, mas de outros povos também, como as receitas da Síria e até as Marroquinas -, no geral são totalmente excelentes.
vejo eu que, entre alguns aspectos no qual considero essenciais à boa comida, como simplicidade na execução de pratos, sabores destacados sem agredir o paladar, mescla de poucos ingredientes no qual todos se complementem mas mantenham cada qual um destaque equilibrado, utilização de ingredientes exóticos, possibilidade de percepção entre diferentes momentos durante a ‘saboração’ ( termo que eu inventei; ou seja, um mesmo prato ser salgado, doce, refrescante, azedo, amargo etc. e combinar nesta distinção de aspectos), a utilização de carnes e grãos com funções não convencionais ou então combinados com especiarias singulares, a variedade de receitas nos mesmos pratos recriados por cada região: tudo do mais foda está naquele lado do mundo.
os caras sabem comer, utilizam-se disso socialmente e conservam muitas tradições, além de sempre inventar um ou outro destaque ou descoberta peculiar. vejam vocês o quanto eles sabem utilizar de coisas não convencionais ao nosso mundo e ótimas: hortelã como tempero principal, a utilização de água de rosas e essências diversas, a ideia de comer carne crua para preservar alguns frescores maravilhosos e uma textura muito gostosa, a lentilha, os legumes e tantos outros ingredientes assados e/ou postos misturados entre pimentas, especiarias e afins. são sempre relações complexas entre tudo o que se pode fazer numa cozinha saindo do básico, perpetuando uma escola no qual experimentar o extremo é preciso – mas este extremo, claro, posto de forma não-agressiva e muito bem equilibrada, quase sutil e contraditória; no final, embora o uso excêntrico, tudo é tão leve, orgânico.
mesmo quando colocamos algumas mesclas do nosso Brasilzão, aqueles pratos & restaurantes que não são árabes roots e já englobam a culinária nacional, ainda assim, podemos salvar muita coisa: a comida deles é sensacional e ponto final.

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2 – Comida Oriental com foco no ‘médio Oriente asiático’, como a culinária tailandesa

geralmente a gente associa a comida oriental aos casos de: japonesa ou chinesa. ainda que estejam surgindo uns lugares novos, nosso universo nacional é restrito para outros tipos de nações neste caso; não conhecemos ou pouco consumimos. porém, quem conhece um pouquinho, um mísero pouquinho, seja porque já viajou ou porque teve contato com as escolas culinárias de lá através de parentes, chefs ou programas, sabe do que eu estou falando: a comida oriental ‘menos famosa’, por assim dizer, saindo do círculo óbvio, é ESTUPENDAMENTE fantástica. linda, maravilhosa, perfeita, gostosa demais.
ironicamente, no meu elogio ao equilíbrio dos sabores na comida árabe, aqui é o oposto… o que destaca a comida do ‘médio oriente asiático’ – como eu resolvi chamar – é a utilização quase sempre de um sabor bem mais destacado que o resto: ora a pimenta, ora o limão, ora algum condimento popular de lá, enfim, é como se este monocromatismo dos sabores não pudesse dar certo, mas dá e muito bem; a gente sente a explosão deste primeiro momento sufocante e hiperbólico para depois sacar que o paladar é acompanhado de uma afirmação com os outros elementos lá atrás, menores, que justamente reforçam o destaque da ‘saboração’ principal no exagero.
os caras colocam muito bem um destaque apoiado numa série de elementos secundários e fica tudo extremamente gostoso, porque não foge à lógica do esperado. deixaria, aqui, um comentário especial aos caldos: sopas, entradas mais molhadas, molhos no geral, tudo o que se produz de lá com muita água ou em forma pastosa e que termine por ser quase – ou de fato – um caldo, geralmente mergulhada em algum tempero forte, meus amigos, podem confiar, a coisa vai ficar ótima. a culinária monocromática também pode ser sensacional, se bem feita.

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3 – Comida Japonesa, mas numa escola fusion food com elementos brasileiros

vamos lá, sejamos honestos: o brasileiro amou ‘recriar’ i.e. destruir a comida oriental, sobretudo a japonesa. basicamente, a maioria dos nossos restaurantes, hoje em dia, serve Philadelphia com algum peixe ruim pintado de rosa e a gente come ao ponto do exagero porque ama o Philadelphia geladinho e nada mais que isso. embora este treco também seja, sim, uma mescla entre nações, NÃO É o que eu estou chamando de fusion food, nem sequer chega perto. eu gosto de comida japonesa barata e tosca, as vezes, não nego, volta e meia meto um temakão bobo cheio de Philadelphia e me dou por satisfeito e feliz sendo o enganado da vez. mas, sendo justo, o que vocês devem experimentar é o fusion food de alta qualidade, a proposta de verdade: há alguns, caros porém bons, restaurantes nacionais no qual a galera soube fazer estas duas escolas de maneira exemplar e estritamente criativa. introduziram elementos brasileiros com a temática e técnicas orientais e trouxeram um mix extremamente ousado – e gostoso, é bom lembrar – de comidas, principalmente utilizando os frutos do mar e peixes, no qual a lógica da fusão é auto-explicativa: o brasil tem peixes ótimos e a comida japonesa adora recriar pratos com este elemento. incluindo, aí, nossos temperos nacionais, as técnicas orientais fazem total sentido.
nesta junção, vemos surgir uma culinária que é, ao mesmo tempo leve, de sabores bem delicados, porém extremamente complexos. comer um fusion food BOM de japonês no Brasil nos possibilita uma viagem em diferentes saborezinhos que se complementam nos detalhes, quase como se falassem com a gente através de sussurros. é um exercício de paciência, porém de muito prazer, com qualidade inestimável e inesgotável. neste culinária, o menor erro é o fim de um bom prato… mas o acerto é sublime.
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4 – Comida Mediterrânea, principalmente a italiana

a galera acostumou a associar comida mediterrânea com as infindáveis massas e queijos e aquelas gordices inexplicáveis nacionais que os nossos imigrantes italianos, principalmente os do norte e em maioria longe do litoral, trouxeram pra cá; e isto é bom, porém, vamos fazer jus a escola, pois o melhor do mediterrâneo é, como o item anterior, além dos detalhes sutis, a utilização de muitos e muitos peixes; no caso, na escola mediterrânea, assados, fritos, cozidos, sim, mas os peixes são o grande ator. portanto, deixemos o nosso estereótipo do italiano comedor de pizza e macarrão aos montes, porque o melhor de lá está no mar: frutos, pescados, o que for. se vem do mar, assa, mete na mesa, mistura com uma série de temperos locais e tá feito.
a comida mediterrânea não é apenas extremamente simples, como também saudável. talvez as variações entre sabores sejam menores que as dos colegas acima, com uma infinidade maior de possibilidades, porém a comida mediterrânea também sabe colocar suas definições muito bem nos conceitos. todos os pratos desta culinária são extremamente sucintos e complementares: você sente um ou dois sabores, quando muito três e, no final, já perceber que nada mais e nada menos poderia estar lá, pois não há muito o que acrescentar. estes poucos e repetidos elementos combinados de diferentes formas são o às da criação: cada prato integra a sua maneira o que se pode fazer de mais com menos – e, daí, criar combinações maravilhosas nas mesmas proporções, utilizando-se da criatividade.
dos peixes assados e cozidos, talvez ninguém NO MUNDO saiba como utilizar melhor que os colegas do mediterrâneo. se alguém quer aprender sobre esta área, lá é o local, a igreja, a escola a se amar. tudo que vem e veio dos processos em cozimento e utilização da maioria dos frutos do mar, também, com certeza, lá tem a sua melhor casa. a simplicidade é, em si, o elemento mais vigoroso para eles: menos é mais.

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5 – Comida Brasileira, todas, mas destaque à: baiana e mineira

até agora eu me apeguei aos detalhes, principalmente na sutileza dos poucos e bom uso dos elementos de maneira moderada; porém, a culinária brasileira é a desconstrução de todos estes conceitos: o que a gente faz bem é carregar, tacar mais coisa, mais elementos, mais e mais. pratos pesados, cheios de sabores, de objetos, de resoluções mas, da mesma forma, extremamente – eu disse EXTREMAMENTE – saborosos! eu poderia citar todo mundo, claro, mas dou destaque as escolas que mais gosto: a baiana e a mineira.
ambas são o exemplo do que podemos fazer de melhor ao conciliar o exagero. exemplo: você já pensou o que é um acarajé (desassociando, aqui, claro, o elemento africano religioso, apenas o prato)? é um bolinho de feijão, que vai molho, que vai especiaria, que vai camarão, que vai vatapá, em suma, VAI TUDO DENTRO… e mesmo assim é maravilhoso. o propósito é o anti-bauhaus culinário, o Brasil não é ‘menos é mais’ e sim ‘mais é mais e é bom assim’, porque é mesmo.
comer muita fritura, muitos grãos, muito feijão, muito aipim, muito peixe feito das maneiras mais pesadas. empanturrar-se até não aguentar mais e ficar feliz com isso. a gente sabe, sim, fazer pratos gordos e ótimos. não é apenas a apreciação à saciar, o que é importante, mas também um como fazer isso da melhor maneira possível, distinguindo uma quantidade absurda de sabores, de ingredientes, todos exagerados, acrescentados ao máximo de maneira que a gente sinta um número gigante de sensações para, por fim – e aí finalmente – dar-se por satisfeito.
bom galera, encerro por aqui; este post foi feito legitimamente para DAR TRETA, então se vocês discordam de mim, podem discordar à vontade. por enquanto era isso, comentem e compartilhem!

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