pare o que você está fazendo e vá escutar o novo álbum de Kanye West…

….ou: minhas cinco músicas preferidas nele.

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um pouco da história sobre, pra quem não sabe, mas que ajuda a decifrar em pormenores o porquê eu estar imperativamente MANDANDO em vocês e no que vocês devem ouvir: Kanye West está ‘fazendo & lançando’ este album há um bom tempo. anunciado no começo de fevereiro, por aí, apenas para Tidal, ele disse ser ‘o maior álbum de sua carreira’ e pouco me importaria este comentário, não fosse ele estar absolutamente certo sobre isso.
o primeiro ponto: desde que postou no Tidal, em fevereiro, Kanye West já apagou, modificou, reeditou quase todas – ou todas – músicas uma caralhada de vezes; ou seja, aquilo que ‘foi lançado em fevereiro’ não é potencialmente aquilo que, faz uns dois ou três dias, saiu pra galera: Spotify, Groove Music e iTunes; agora os meros mortais podem ouvir também. de certa forma, esse ato constitui um ‘álbum em movimento’ e vez que outra vaza uma versão, aí daqui a pouco já muda e nunca sabemos se efetivamente a coisa chegou ao final ou é só Kanye pirando. e isso é muito importante na narrativa como próprio resultado do projeto…
adianta a fita e vai pro álbum que saiu pra massa: em termos estéticos, o experimentalismo que ele já vinha ensaiando faz tempo e que se aprofundou, por fim, em Yeezus, chega aqui num ponto conflitante justamente por romper a barreira hermética do resultado enquanto um objeto possível, uma finalização na obra, ou a coisa em si como peça artística que esperaríamos: Life of Pablo, como a gente conhece é, sobretudo, um experimento musical vivo: um tiro no escuro que ricocheteia, atinge alguma coisa e não para; daí suas modificações infinitas e o fato de mesmo estando pronto não parecer totalmente pronto, com alguns cortes, fades abruptos e pedaços colocados do estúdio sem edição final. isso pode chocar na forma como o próprio objeto é apresentado, como conteúdo artístico esperamos um fim palpável, claro, o objeto de apreciação naquilo que imaginamos no que podemos vislumbrar enquanto es/expectadores… mas sua substância também deve ser paradigmática e portando quebrada, reconstruída, destruída; daí toda contradição na arte e não apenas aqui, no qual substância e forma se complementam e se afastam na mesma proporção: Kanye West soube explorar isso magistralmente, afinal – e, vale lembrar o fato de ser um artista totalmente mainstream e portanto não precisar desse tipo de risco – compor em Life of Pablo uma construção audaz à própria forma de sua obra em si: não há final, não há meio, não há nada senão um despejo bizarro de atos sobrepostos em mais atos, que por vezes conversam, por vezes não, tornando este o maior álbum, sim, que ele já fez. sobretudo porque e, por ser extremamente introspectivo, ajuda a compactuar na ideia de genialidade no qual ele mesmo pretende montar o seu personagem, pois ao arriscar fazer o que fez, por fim, justifica sua aura não apenas como figura pop, mas também como uma figura da arte experimental, um inovador.

é engraçado, num primeiro momento há um choque, parece que tudo está tão distante que as coisas não dialogam com nada: as músicas surgem como um emaranhado de momentos espalhados e por vezes estranhos no qual as coisas não são parte do mesmo motivo… mas é daí que brilha o gênio: por ser tão introspectivo como ele mesmo apresentou toda a narrativa da peça ao mundo – a subjeção máxima de Kanye a si mesmo – estes recortes acabam funcionando de tal maneira que o próprio experimentalismo do acaso (nas músicas que acabam do nada, os samples soltos, as canções que se modificam tanto ao longo dos minutos que por vezes soam como duas músicas distintas na mesma) justificam sua personalidade: estamos ouvindo lá dentro no âmago de seu ‘querer ser gênio’ como isso expressa sonoramente em algo que versa longe de tudo até então, pois não se trata essencialmente de um rap tradicional, nem r&b, nem soul, nem pop, nem porra nenhuma… mas tudo ao mesmo tempo e misturado ao seu jeito sui-generis. ele, afinal, não conta uma história pré-formatada, mas a história da cabeça de Kanye e é sensacional poder ouvir isso assim enquanto experimento, de mente aberta à inovação em questão. notem como ele mistura tanto os elementos para que toda sonoridade acabe tendo uma função e, mesmo que aparentemente ‘quebrada’, ‘não finalizada’, todos estes detalhes são produções espontâneas e milimetricamente cuidadas justamente ao exponenciar sua personalidade explosiva e não convencional dentro da música, ora versando com elementos mais tradicionais, ora fugindo numa música tal qual a fase de Bowie em Berlim.

Kanye acertou em cheio e, como dito, isso se justifica na história do projeto: por ser constantemente mudado, redesenhado, reposto, recriado, Life of Pablo torna-se aquilo que o criador queria: um recorte esquizofrênico, insano, bizarro e profundo daquilo que o próprio Kanye é na sua tentativa em ser o personagem de si mesmo, o Yeezus de movimentos e atos também tão contraditórios como a música que tenta produzir: é, talvez, a experiência expressionista mais adequada ao nosso tempo. ouçam essa porra!

e as minhas preferidas ficam em:
(infelizmente os direitos autorais estão derrubando todos links; por isso, sem músicas postadas aqui: mas você pode entrar no Spotify e ouvir agora mesmo.)

Famous

FML

No More Parties in LA

30 Hours

Waves

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