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Relatos do Carnaval – 2016

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voltemos como viemos e mais uma vez ao breve relatório cabuloso de mais um Carnaval no Rio de Janeiro; pessoalmente, achei este ano relativamente diferente dos outros e gostaria de comentar estas diferenças antes de iniciar: 1) a crise chegou ao Carnaval, também; não apenas as escolas na Sapucaí resolveram economizar, mas muitos blocos ‘não sairam’ este ano, tanto oficiais quanto não oficiais, o que me leva a crer que simplesmente FALTOU GRANA, assim, curto e grosso, não a toa a maioria deles promete voltar pra 2017; o Maracangalha, um dos meus blocos preferidos e não-oficiais foi um que não apareceu, tristemente deixando um gap no na festa do povo 2) se faltou grana pras instituições, o povo deu um jeito e saiu MUITA GENTE na rua, facilmente o Carnaval mais cheio de todos, o que levou a 2.a) muitas brigas – vi em praticamente todos os blocos, o que era incomum nos outros anos na quantidade que rolou neste e 2.b) furtos & assaltos; eu mesmo perdi meu celular e em 7 anos seguidos de Carnavais no RJ nunca tinha acontecido ou sequer passado perto de; 3) quem não sentiu a crise foram dois grupos bem peculiares: os gringos e os gays; os gringos vieram em massa, ano que eu mais vi estrangeiros – provavelmente efeito, também, do pós-Copa, porque a maioria comentava que ‘havia passado a primeira vez aqui na Copa ou um amigo que veio e indicou’; o público gay também cresceu demais, se o RJ já é um destino gay-friendly considerado principalmente por algumas regiões como a Farme de Amoedo, este ano estava ainda maior, com muito, muito público gay; o que me leva a declarar sem medo que o RJ é oficialmente a San Francisco Tropical. não apenas pelas semelhanças tropicais mas porque efetivamente estamos criando uma cultura de diversidade; já podemos declarar oficialmente cidades co-irmãs, sobretudo depois do Salgueiro entrar na avenida com bateria de GENI, isto mesmo, GENI (Mestre Marcão, você é foda):
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mas… outro ponto: meu Salgueiro perdeu mais um Carnaval por erros próprios, infelizmente no MAIOR SAMBA ENREDO DOS ÚLTIMOS TEMPOS, uma lástima sem tamanho, algo que vai ficar pra história, mesmo com o quarto lugar, ainda assim, o Malandro Batuqueiro foi histórico.
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voltando a fita ao Carnaval de rua: mais um ano que se confirma o propósito de permanecer apenas em blocos pequenos; acima de 10 mil, nem adianta. os melhores blocos ficam na casa dos 5 aos 3 mil, com algumas exceções, o resto é apenas insuportável, lotado, sem poder circular, respirar, andar, viver; por isso, os destaques positivos do ano ficam para: 1) Escangalha, da Gávea, 2) Bloco do Carvalho em Pé, no Humaitá e 3) Fanfarani, Botafogo. infelizmente alguns blocos tradicionais e muito bons estão inviáveis de se ir, como é o caso do Barbas/Rebarbas que mais um ano crowdeou tanto que ficou incirculável & inviável; caso de blocos que eu também nem vou mais, como Carmelitas e todos outros com mais de 100 mil. este ano, aliás, não fui no clássico Vagalume, o Verde, porque simplesmente não acordei… dormi pra caralho. no geral, fui em menos blocos mas posso dizer que estou ficando sommelier tipo vinho, cada vez menos e com mais qualidade: a idade chega e a gente aproveita o Carnaval de formas diferentes, comendo pastel e olhando os blocos à distância; é a vida.
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outro ponto que continua positivo no Carnaval é a organização; vá lá, vocês podem falar de tudo que não funciona no Brasil, eu aceito, mas é incrível como o país SABE FAZER FESTA; quando tentaram lançar urucubaca na Copa eu disse: vai dar tudo certo porque nós é mestre em festinha – não deu outra. idem Carnaval, porra, é uma festa que está todo mundo bêbado, libidinoso, louco, no meio da rua, milhões de pessoas caminhando pra lá e pra cá e mesmo assim as coisas funcionam relativamente bem; salvo um ou outro problema pontual, ainda assim, é a coisa mais organizada no Brasil; se eu sou presidente amanhã mesmo eu lanço um decreto: todas obras devem vir com ‘padrão Carnaval’ de excelência, aí o país funcionaria bem. fora isso, novamente, o RJ arrecadou mais de 2 BILHÕES NA FESTA, isto mesmo, 2 BILHÕES. é muito dinheiro que e, se fosse bem investido, justificaria um Carnaval de rua a cada 3 meses. notei que este ano teve mais banheiros, as filas estava melhores e o trânsito ficou levemente mais organizado, com desvios que faziam um sentido melhor do que nos últimos anos. fora as informações, enfim, estava tudo compreensivelmente bem feito para uma data que é um caos, até porque o Centro está em obra e muita coisa foi desviada de modo diferente. ponto pra nós, ao menos aqui, sabemos organizar as coisas. fica apenas a reclamação quanto as bebidas, monopólio de Antarctica e Skol Beats é sacanagem, puta lixo, mais um ano que o consumo se sucedeu em cachaça + melzinho da Lapa pois NÃO É HUMANO pagar 10 conto em latinhas de Antarctica; tá na hora de variar aí, a galera quer beber coisa boa, Paes, libera o álcool maneiro, dane-se que a Antarctica paga, chuta a bunda deles.
ps: quem não gosta de Carnaval, as exposições estavam maneiras – a do MAM, em especial, foi uma das melhores que eu já vi, tanto em matéria de escolha das obras como a disposição que fizeram delas ao longo dos andares, criando sempre um sistema de eterna surpresa em casa sala com o contraste de obras completamente diferentes – algumas chocantes, como a das ‘batas das crianças da Igreja’ (foto), phoda demais.
obra que, em contradição, representa o 'movimento estático', quase como numa dança congelada, o momento parado ali e inapagável: as batas das crianças no batismo, como fantasmas, sem corpos, aludindo às crianças abusadas por padres que ficam com este momento também fomo um fantasma inesquecível na vida.
obra que, em contradição, representa o ‘movimento estático’, quase como numa dança congelada, o momento parado ali e inapagável: as batas das crianças no batismo, como fantasmas, sem corpos, aludindo às crianças abusadas por padres que ficam com este momento também como um fantasma inesquecível na vida.
e mais um Carnaval se foi, acabou, mas valeu a pena. como a promessa de toda manifestação furada, ao menos nisso eu garanto: ano que vem será maior ainda!

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