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O amiguinho Armando

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vez que outra, na internet, você ouve um relato aqui e acolá e tenta organizar. muitas informações passam batidas, outras a gente absorve e guarda porque são estranhamente curiosas. este causo eu ouvi por aí e mantive na minha cabeça durante muito tempo; trata-se daquelas histórias sobrenaturais, que fulano ouviu de ciclano e passa adiante, alguém adiciona aqui, ali e toma forma. vejam vocês, eu não conheço os envolvidos; quem me contou também não, porém, jura ser real. acreditando nisso, eu passo para a eternidade, publicando aqui, um dos causos mais escabrosos que eu já ouvi na minha vida. ele é bem curto, mas assustador.
porém, antes, é bom situar os personagens para ficar mais fácil de contar o rocambole todo. neste caso, eu vou dar nomes fictícios para não acharem que se trata de alguém em especial, portanto, desconsiderem se houver alguma coincidência de nomes com alguém que vocês conheçam aí.

os personagens:

1 – Mãe
2 – Pai
3 – Gabriel (filho)
4 – Armando (amigo imaginário de Gabriel)

e lá vai a história, jogo rápido porém profunda:

Gabriel era um moleque descolado do convívio com a maioria; como muitos, na escola, não se enturmava com gente nenhuma. não era a criança mais estranha do mundo, mas também não era o rei da popularidade. por causa da falta de amigos, havia sempre aquela preocupação da Mãe e do Pai pelo fato de Gabriel passar muito tempo sozinho. eles tentavam incentivar o moleque a fazer novas amizades, mas não adiantava… ele era solitário e não se importava muito com isso.
no anseio de melhorar as relações de Gabriel, Mãe e Pai foram atrás de um psicólogo ver o que podiam fazer; o psicólogo disse apenas para incentivá-lo em todos seus atos, o que se tornou lei na mesma hora.
incentivo vai, incentivo vem, Gabriel foi se soltando… não haviam amigos novos, curiosamente, mas ele estava mais feliz; resolveram questionar e acabaram descobrindo algo meios estranho: Gabriel estava se sentindo melhor porque havia arranjado um amigo imaginário, chamado Armando.

——

como bons pais, ambos – Mãe e Pai – se preocuparam com esta relação: na tentativa de tornarem o filho mais popular, pelo contrário, conseguiram que ele criasse um mundo ainda mais exclusivo, com um amigo imaginário chamado Armando. foram ao psicólogo novamente receber orientações, no qual ouviram como resposta que, mesmo parecendo estranho, um amigo imaginário não era de todo mal; por isso, eles deveriam incentivar também a relação de Gabriel e Armando. e os pais incentivaram…
quando Gabriel chamava pelo Armando, os pais também chamavam; quando ele pedia para colocar um lugar extra na mesa para o Armando, os pais apoiavam; quando ele pedia para os pais conversarem com Armando, os pais conversavam. e assim foi a amizade dos dois, incentivada pelos pais e orientada pelo psicólogo.
com o passar, Armando se tornou um dos personagens da família; ninguém via, claro, mas ele estava lá, tornando Gabriel mais feliz e sociável, ainda que fosse apenas um amigo imaginário. e a história seguiu por muito tempo, ao ponto de ambos os pais ignorarem a estranheza da situação. a família já convivia como se fossem quatro membros, todos felizes e interagindo.

——

num belo dia, Mãe e Pai resolveram levar Gabriel em um parque mais distante da cidade, para incentivar o garoto a fazer outras atividades; ele topou. todos encararam a viagem e foram para um lugar de mata com atividades naturais e, dentre elas, andar de bicicleta numas trilhas. Gabriel era fã de bicicleta, andava sempre que podia mas, curiosamente, com a ‘chegada’ de Armando, Gabriel não circulava mais. curiosos com o porquê e, seguindo a ideia de incentivar todo tipo de atividade, os pais resolveram levá-lo no parque para que ele pudesse retomar este hábito. mas Gabriel negou, não queria andar. tentando entender a situação, os pais resolveram questionar… e este foi mais ou menos o diálogo que seguiu da situação:

– Gabriel, por que você não anda de bicicleta… você sempre gostou, aqui é um ótimo lugar, não quer andar?
– não…
– mas por que, Gabriel? deve ter um motivo.
– é que o Armando não pode…
– mas por que ele não pode, ué? é só você ir com ele.
– não, ele não pode…
– explica, Gabriel, então nós podemos entender; por que o Armando não pode?
– por causa do capacete…
– o que tem o capacete, Gabriel? você tem o seu e ele tem o dele. cada um usa o seu na hora de andar.
– não, o Armando não pode usar…
– por que não poderia, ué? ele não tem um?
– não… é que os chifres dele não deixam o capacete entrar…

[FIM]

e é assim que acaba o causo. rapaz, fala sério, verdade ou mito, você já imaginou A PORRA DO CAGAÇO se você fosse pai desse moleque e ouvisse isso? como a coisa continua eu não sei, porque me contaram só até aí, mas o grau da coisa já dá pra imaginar que a volta pra casa não foi das melhores possíveis, nem o papo com o psicólogo depois disso, nem nada que se sucedeu dessa afirmação. imagina se o moleque continuou falando com o amigo imaginário? imagina os pais? imagina a casa? climão, eim.
mesmo com a maior cara de treta, este tipo de história de amigos imaginários e crianças sempre fazem a gente pensar a quantidade de coisa maluca que passa na cabeça de uma criança. será que é verdade, no final?

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