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maravilhas modernas; maravilhas divinas; maravilhas possíveis

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olho o mundo novo mundo,
de novo este mundo, profano, terreno
e tão mundano.
cheio de nós, nossa gente, ó,
tão crentes e tementes
ao bom deus.

olho o mundo da janela da igreja,
os vitrais tão antigos e belos,
por debaixo do ar-condicionado tão novo
e importante: imponente, aos seus fiéis,
a salvação no verão!

e vejo a missa em latim e português
e liturgias e palavras o padre, bom pastor,
temente também, reza em microfone,
diante das guitarras e alto-falantes da banda
que faz música da salvação
e do rock ou pop moderno.

os peregrinos vão aos domingos, todos
em fila, sentados em bancos, embaixo do domo
da poderosa construção gótica, iluminada,
com mais de cem anos: chegam para rezar
os pecadores em carros novos;
parados na porta, a grande porta de madeira
da casa do bom senhor.

entram os filhos para prestação, amor de
palavras lidas e xerocadas no papel,
enquanto os olhos distantes
fixam a rua dos pobres, estes
não entram nunca.
não podem.
foi-se o tempo do rei dos judeus
que lava pés, lava alma:
vida de outra época,
refletido agora, entre ritos e tecnologias.

a salvação nostálgica da tradição
revista aos olhos do novo, ó,
admirável mundo novo, tão belo,
tão mundano – esta profana
bola de ciência e convênios,
desbravadores em naus do trânsito,
pescadores buscando seu céu
climatizado entre o salmo
e a penitência:
sobram os peixes da adaptação.

vimos ante nossos olhos como tais vitrais:
a vida rodou, a roda gira do mundo
moderno, ó, admirável, seguiu-se
novo, contemporâneo, tecnológico,
futurista e viável, confortável aos crentes,
este é o amanhã possível, o amanhã do homem
impresso em novos homens, tudo é
possível neste admirável mundo novo, sim,
todos são novos, vidas novas,
pessoas, cidades, além de, claro,
o bom deus – este, sempre o mesmo
passado dos antepassados.

não existe nada de novo
nos deuses do nosso mundo.
somos passados convenientes
dos nossos pecados.
conviventes, apenas… eis a
palavra do padre:
– existamos, fiéis, como sempre existimos antes de nós.

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