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Uma homenagem para São Sebastião

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De tantas não foi mais uma: nasceu diferente,
destemida, destinada, que seja,
ao que importa é que nunca foi igual.

Nem pra fora, nem em si,
não quis repetir a história,
nem quis ser como o resto.

Já no alto, do começo, existiu lá em cima,
no topo, sempre confundiu suas medidas,
o que seria cidade e mato,
mar e morro,
pobreza e riqueza,
mas nunca, porém, longe da felicidade.

Cresceu como quis, por ironia,
a imponência não foi sinal de grande ordem
e sim de grande progresso.
Sejamos justos, ora pois,
se há identidade tupiniquim,
está aqui seu melhor exemplo.

Grandiosa desde o nome, fica longe da humildade.
Se prefere todos,
ou os poucos,
ainda assim, não falta como chamar.
Dá nome ao santo, ao rio,
ou quem sabe a alcunha que vale por tudo:

Cidade Maravilhosa, quem mais é?

Envelhece em espírito desde que nasceu – é passado
e sempre cercada por suas novidades.
Já era mito antes de existir,
edificando a própria lenda após.
Acompanha todos adjetivos,
faz jus aquela briga europeia,
ora França, ora Portugal,
cobiçada por todos os povos: de antes e de agora.

São Sebastião,
ou apenas Rio de Janeiro?
Ambos, dividida em extremos, se completa,
se identifica como quer,
marrenta como é – como ninguém –
só nós conhecemos a marra;
está no sangue dos nossos.
Ou é cortiço, favela, Madureira,
ou mansão, cobertura, Zona Sul.
Ou é palácio, capital, Guanabara,
ou batidão, viaduto, Maraca.
Sempre foi samba, dos pretos e brancos,
dos milicos, dos comunistas,
do Cálice, sangue, da história escrita entre concreto e areia;
é confusão com navalha, são blocos e ranchos,
com agito na Lapa e o amor à Mimosa;
é a calma da Urca – onde o tempo não passa,
é o gosto de Yabá pra não faltar feira e barraca em toda esquina,
é a felicidade suburbana na selva urbana: com pedra e floresta sob o mesmo teto.

Da Maré que vem e vai nos seus cantos, mil nomes e milhões de pessoas:
completada na religião das Igrejas, botecos e chopps,
das muitas histórias pra contar em Carnaval.

Suas praias e seus piscinões, cercada por avenidas e vielas,
é cimento e natureza, é terra feita com mar,
pelo Norte, Oeste, Tijuca;
aqui, todo mundo é um bairro,
tudo termina em Bossa.

Já virou Garota,
já foi tantas canções
e é sempre de nós, povoada
pelo poder do gentílico abençoado,
que vale tanto quanto o ouro,
para todos: os cariocas.

Constrói a lenda, derruba o que ficar no caminho,
modifica os morros, eleva os aterros, levanta a metrópole,
molda,
muda,
transforma.
Recria o mito da criação, aqui, novamente:
será que foi Deus quem a projetou?

Pouco importa, tanto faz, não falta o que louvar.
Cada esquina, nasce boemia.
Cada ladrilho, nasce tradição.
Cada bairro, nascem histórias. Muitos motivos,
indivíduos, gente, povo, muita gente, muito som,
muito carro, muito prédio, muita casa, muita confusão,
muito assalto, muito crime, muito caro, muito alto,
muitos problemas!

Será?

Pra ser assim, ninguém discorda, tem que haver contradição;
são muitos os muitos, porém, mais do que eles só importa um,
antes dos outros, pra cantar, encher a boca e dizer:
– Muito prazer, assim é o Rio de Janeiro!

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