praça-cantão

450, aos nossos

praça-cantão

essa vai para o lado a, lado b, para os bailes, corredores,
os morros, para as zonas mandando um abraço; vai pra playboyzada,
do maraca ao jiu-jitsu, zona sul a madureira que garante um saudoso
‘vamos marcar qualquer hora dessas’ e não vão marcar nada. pra quem tem time e escola de samba:
ao grande samba – à língua do povo – funk, chorinho, batucada; da cultura do bicho, das máfias,
do apito, do ônibus, das milícias, dos traficantes, das ambulâncias, até servidores.

para o caos do trânsito, calor insuportável, violência sem fim;
para o verão recorde, carnaval recorde, chuva recorde, preço recorde, favelas recorde.

aos amigos da praia, da cidade, do mato e da floresta no meio da cidade; os de longe e os de perto:
da tijuca, lapa, subúrbio e recreio; quem vai de carro, de skate, bicicleta,
de ônibus para central. vai com o metrô lotado e tocado, estragando; ao tumulto,
a correria, arrastão, gritaria, com os tiros, mototáxi e pro táxi
que só decide se trabalha depois de saber o destino. para aqueles que vivem negociando:
chapéu, cadeira, cerveja, camelô, vaga, relógio, comida e suborno.

das ladeiras infindáveis, prédios clássicos, casarões, blocos, cortiços, rodeados de asfalto e ladrilhos; santa teresa, copacabana, cosme velho, cidade nova e aquelas que já deixaram de existir: ao morro do castelo, igreja de são sebastião, à história e a memória de estácio. dos museus onde tudo que já derrubaram, do palácio monroe ao cassino da urca, tv tupi e as remoções forçadas;

aos que morreram na ditadura, aqueles que sobreviveram e aqueles que ainda vão morrer –
nas vielas, nos confrontos, na ruas, nos hospitais, sem saber o porquê.

também dos imortais, de cartola, didi, nelson, chico, tim, paulinho, ivone, vinícius e clara.
para as grandes músicas, grandes poesias, grandes momentos:
um ode ao sotaque e a gíria, um ode à beleza e aos bons motivos da vida. um ode ao chopp,
aos felizes, aos fanfarrões, às marchinhas, aos poetas e as praias; um ode à navalha e aos malandros,
aos negros, as mulatas e os brancos, um ode à imagem, ao esteriótipo forçado, com batuque, batidão, voltmix…
do bobó, do cozido, da farofa e feijoada.

essa vai para os problemas, para as virtudes, as tristezas, a seca cercada de mar.

sobre os olhos de cristo – abraçando, protegendo, abençoando: os barrancos, condomínios, ricos, pobres, madames e empregados. permitindo o descanso, as férias e labuta, realizando a alegria dos seus e dos turistas.
essa vai para os elogios, apelidos, para a força da maravilha, natural e criada.
essa vai para cidade maravilhosa: 450 delas em uma.

450, aos nossos.

 

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