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ninguém quer saber que ninguém saiba

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vamos falar a real, sim, que seja, surge o momento.
defenestrado, cansado, acabado e abatido, eis que é
quase como obrigação em chegarmos aos fatos:
que fatos, se eles importam? o ato se diz, contar
aquilo que deveria ser dito há tempos acabou por ser
maior que seu conteúdo. mais legal do que crer,
é possível saber? talvez tenhamos escondido do mundo
algumas dignas verdades ocultas, passadas e destruídas
ao tempo. foi-se e ninguém viu a necessidade de saber,
porém, agora que se anuncia a chegada, todo mundo quer?

então vamos falar a real, doa a quem doer, esta é a real
necessária a seguir por muitas outras, talvez infinitas
mentes que cantem, digam, se esganem com o saber dos saberes.
e dizem então que, ao chegar, ao ver o mundo se aproximando,
o mundo que só é possível depois de encarar isto.

vamos falar a real, qualquer que seja ela, amigo, leitor,
confidente: deste ponto, é o mistério da fé. como humor,
cômico como pode, engraçada é a esperança de que lhes conte
algo novo: é esta a verdade. não há algo novo, nada, nadica,
o mundo é igual, com ou sem pensamentos, estes, o que for,
a novidade é a grande mentira para nos enganar, nos mostrar
situações e governos, atitudes que imaginamos nós mesmos criar –
nada é necessário a nada. a incluir, sim, este meu disurso.

se eu vos digo que deve saber um fato, tanto faz, nos apeguemos
a graça do prazer, não pela coisa em si, apenas pela
excitação barata daquilo que é o mistério contido: o grande,
maior e absurdo mistério do planeta. nós, seres, os entes
acumuladores de necessidades, desejinhos sem fim, entre eles
o próprio desejo de ter desejo. e por isso desejamos cada vez
mais coisas, mais nos cercamos, construimos desafios, perseveranças,
universos dentro da caixa – da nossa cabeça. e nutrimos uma vontade
mundana em desmistificar e destruir em jogos, em sentimentos,
derrubando barreiras mentais para quebrar estes mesmos jogos,
criados e reforçados por nós. somos assim, afinal, esta é a
nossa mais básica condição:

e deus fez o homem; a sua imagem e semelhança.

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