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sobre a tautologia libertária

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muito se soma a discussão desmedida e, por vezes, repetitiva sobre a liberdade de expressão, justamente após o crime de charb, analisada no aspecto do que é certo ou errado. o que se questiona é: há limites para a liberdade de expressão(?).
antes, porém, é importante recorrer a ideia de liberdade, onde já levantei no outro texto:

– moldamos a liberdade como uma qualia incompreensível de conjunto inexistente, pois não se define longe daquilo que queremos que seja como coisa em si. no final, claro, não brigamos – embora falemos que sim – pela tão almejada liberdade dentro de um contexto, mas apenas para transpor nosso pensamento sobre o dos outros. a liberdade é uma figuração egoísta exatamente daquilo que queríamos imaginar sobre ela, ironicamente, não funcionando como conjunto, não se trata de uma universalidade compreensível. a liberdade não existe, não, fingimos perpetua-la para justificar o nosso anseio. a saber, o anseio de sermos completamente individuais, intocáveis no mundo. o nosso mundo.

como apresentado, digo que a liberdade não é correspondente ao pensamento do grupo e não se soma ao aspecto ideológico tingido moralmente para que ela incoerentemente supra: uma causa ou motivo além-tempo e maior que os outros. gritamos aos ventos a importância dela, contudo ignoramos o propósito em lidar com a liberdade no campo da percepção onde – e por este motivo – ela seja notada da maneira mais singular possível. cada indivíduo delibera a respeito do que imagina para si, apenas em si, uma noção do que cabe ou não ao significado implícito do “ser livre” e, ainda que consiga organizar este significado, não pode e não deve imperar a ideia de que ela seja mais importante que o significado percebido pelos outros. qualquer ação imperativa no sentido de tentar impor o conceito de A a B, de fato, confrontaria a própria noção da coisa em si. a mágica da liberdade é exatamente esta grande instabilidade em conceito: não existe uma certeza sobre ela para que, assim, a liberdade possa existir através disso.
é, portanto, uma discussão infindável e insuficiente se apegar a resposta de uma questão impossível: há limites para a liberdade de expressão? como no campo da liberdade e, não sabendo lidar com esta qualia, o que seria a resposta a esta dúvida senão um emaranhado de pessoalidades trazidas de questões meramente interpretativas?
contudo, há um efeito contrário a isto que pouco se questiona e talvez resolva este problema, quando se mostra a contradição na própria forma em que a pergunta é apresentada. isto porque ela é respondida ante a sua própria formulação de premissas: discutir os limites da liberdade de expressão é um ato possível apenas quando est supostos limites, de fato, não existem para que este questionamento seja criado.
sendo assim, a liberdade de expressão e seus limites são, antes de tudo, um debate fadado a falta de conclusões óbvias, cansado e apegado ao idealismo moral: fraco e superado. a repetição destas questões só nos mostra como seres bobos e dominados em nossos cânones, indissociáveis da maturidade de percepção a se superar o próprio homem: não devemos questionar a liberdade, limites, mas sim quem e o que somos através de discussões ultrapassadas e impossíveis.

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