amarelinha

A lixeira da lixeira: cérebo – da desordem ao caos

amarelinha

Este texto eu fiz em partes, ordenado, mas pouco importa. Decidi que estabelecer este consenso seria influir na própria ideia e, por isto, vou coloca-lo na integra, de maneira aleatória – divido apenas com uma linha no final de um para outro. Vocês leiam como imaginarem que fica melhor e façam o que bem entender:

————————

almejar algo assim, tal como
é almejar a loucura.

porém a loucra, desconstruida com
a sobriedde de uma análise de valores
figurativos, nada mais é do que nada.
isto mesmo: a loucura não se difere
da realidade, pois apenas existe
diferente como a desejamos que seja.

ser louco, normal, são aspectos
discutíveis dentro de um processo
de interpretação de algo maior e mais amplo:
a necessidade de introspecção de situações
com um foco voltado para fatores externos.
nos portamos, tomamos conta de sentimentos
para nós como se devessemos adicionar
figurações pré-estabelecidas de outros contextos.
a escolha do homem nada mais é que uma
limitação, uma poda de realidades dentro
da necessidade de se incluir como
alguém em algo.

a realidade não existe de outra forma
senão como queremos que ela exista.
e por isto construímos este universo
dentro daquilo que sonhamos como
necessidades para que ele faça sentido.
mas, para este universo, não somente conta
a soma das nossas opções, também aquilo que excluimos.
e, através disto, os excluidos, deixados para trás,
a lixeira dos atos, eis que surge o meta-universo
longe da realidade: tudo aquilo que não o é.
como forma de pertencimento, acreditamos
que não acreditamos, mas sim somos.
porém, aqueles que não cumprem este papel
também são.

aquilo que não é realidade não existe
diferente do que pensamos.
somos
todos
o
que
somos.

é difícil de crer na necessidade de
compreender a desmistificação deste discurso,
principalmente porque, querendo ou não, longe
de qualquer possibilidade física, o que temos
é um imenso jogo de retóricas, explicativas
sobre coisas que estão longe do universo das palavras,
mas são compreendidas por tal.

afinal, qual a vantagem disto tudo?

a retórica é a mãe de todas as mães e,
não fosse a linguagem, nossa doce linguagem,
nosso mundo não teria a concepção daquilo
que pretendemos que ele teria.
qualia do ser, precisamos comprende-los
sob os aspectos de símbolos significativos,
estes: linguagem.
combater as formas pré-estabelecidas dos discursos –
frutos da língua – é a única maneira de
confrontarmos com a mãe de todas as mães,
buscando algum tipo de resposta que talvez seja
uma eterna e infindável circularidade de nada.

mas veja o rico lado:
pensar sobre isto já é um caminho!

talvez na concepção de um significado para fim,
almejamos este antes mesmo de saber o que seja fim.
pergunto:
– e se o fim não exisir?
a busca pela finalidade é um erro maior da compreensão
de resultados que, talvez, não operem com esta necessidade.
este é um argumento humano, um vislumbre de objeto, de vida linear:
– começo – meio – fim –
mas não uma teoria universal.

vejamos que, então, chegamos a um patamar essencial da discussão:

– FINALIDADES

———————-

a propulsão ameaçadora do caos
não deveria existir, pois ele próprio
é pura contradição em todo seu propósito:
refere-se a uma estrutura complicada, voraz
e imprevisível,
porém, ao mesmo tempo, é apenas aquilo
como é apresentado – a palavra em si.

caos pretende ser tudo de mais complexo
e agendar a definição daquilo tudo que
não pode ser categorizado, medido, diagnosticado,
ou seja, tudo aquilo que foge da normalidade.
porém, como medida para isto, claro, na falta de
mecanismos superiores, utilizamos a mesma
metodologia apresentada para tudo aquilo
que não é caos.
é por isto que, conforme apresentado, caos
é o maior caos possível.
não por representar o que pretende, longe disso,
ele não pode, mas justamente pelo contrário:

CAOS É NORMAL.

a normalidade do caos, não obstante,
é exatamente o oposto do que deveria, por isto,
mostrando que ele como conceito é, de fato,
a maior e mais livre instituição da nossa linguagem.

devemos entender que ela, a língua, per se,
apresenta uma sub-relação limitada, espera-se que dela represente
diversos universos e situações e ações, porém,
para isto, o método é sempre o mesmo:
uma disposição exata de palavras significativas
ao que imaginamos dela.
neste vislumbre, pouco podemos sob um aspecto real
transpor o significado com o seu objeto em si,
visto que a linguagem apenas figura a realidade.
é mister que possamos compreender as palavras
que funcionem de forma tridimensional,
como o caso de caos.

isto porque caos é, como discutido, por ironia,
exatamente aquilo que significa: caos.

a compreensão do caos como figura maior do que
linguagem, nos deixa propor um novo mundo de
situações onde as palavras apresentem valor não
só pelo seu significado, mas de maneira paupável.
afinal, podemos tatear o caos?

SIM

quando o leemos e compreendemos a estrutura ilógica
deste termo, sim, contraditoriamente podemos toca-lo.
não apenas toca-lo mas senti-lo além da figuração.
caos é um objeto real e meta-metalinguistico,
ataca como um punhal sujo e voraz exatamente
onde está inserido: a própria linguagem.
mas não fora dela, muito pelo contrário, o seu ataque
é interno. eis porque caos é meta-metalinguistico.
na própria proposição, ele se prova o contrário do que é,
sendo a confirmação de seu significado e exteriorizando
a dureza intrínseca da linguagem.

compreender este aspecto é crucial para elevarmos
o debate a um ponto importante:

– se até o momento apenas discutiamos dentro da linguagem,
o que faremos quando a linguagem FOR a realidade?

visto dessa forma, há um paradigma quebrado:
a ironia do que até agora foi feito, supostamente figuração da realidade,
chega ao fomento da ideia de que não estamos apenas figurando-a,
entendendo que a linguagem É a realidade.
caos não é apenas a palavra ou a contradição,
mas a disposição, um deus dos termos, a ideia apresentada,
o grande pai dos pais que nos diz:

– ei, seus vadios, a realidade não é o que vocês pensam!

curiosamente pensar sobre o caos, não apenas pelo significado,
mas como ele está apresentado sobre o seu significado (a metalinguagem),
nos confronta a necessidade de perceber que o conceito de tudo,
e eu digo
TUDO,
é exatamente um grande amontoado de linguagem.
nosso mundo não está criado como objeto não fosse todo o caráter
imaginário que se carrega atrás, disposto, claro, pela figuração da realidade,
só possível de compreensão por diferentes pessoas com o mesmo significado,
quando compreendemos a linguagem.

nosso mundo, meus caros, nossa história, só existe na língua!

isto, inclusive, pode nos ser apresentado com a discussão da importância
da escrita.
antes de termos dominado os métodos mais básicos e compreendido a
necessidade de um sistema métrico de significantes, enfim,
pouco conhecemos sobre nós mesmos.
o homem pré-histórico é um mito lembrado pelas suas pinturas ruprestes que,
como a vemos, é a primeira tentativa de vislumbrar a necessidade da escrita.
nós apenas cataogamos a história do homem de maneira complexa
quando vemos os primeiros materiais criados pelos escribas.

é, portanto, uma ideia muito paupável que discutamos
o homem pela sua escrita.
mas, aqui, isto serve apenas como catálogo,
contemporaneo, a historia por tras do conceito é insignificante.
o que visamos com isto é apenas conceituar
a necessidade do objeto discutido, a própria escrita,
para mostrar que a realidade é apenas um conceito aparente.
e, como aparência, há ferramentas que devem parti-la:

O CAOS.

lixeira. computador. realidade.

apenas o caos nos toca.
apenas ele nos diz.
apenas ele nos questiona:
– vivemos como seres reais?

——————————-

discutindo o mito da certeza, damos a volta completa
no sujeito onde estamos presos, de uma necessidade
absurda em compreender algo que é incompreensível;
métricamente, importamos o conceito das ciências exatas,
sem perceber a inoperância de tal atitude em um universo
de linguagem ideológica, figuração filosófica
e adquirimos o mito de uma noção embutida
por busca de concrute em resultados que são indiferentes.
ora, aqui, resultados são apenas isto mesmo:
mais linguagem.
por esta visão irrompida de diferença, de mundos não complementares,
não podemos abdicar dos mesmos conceitos –
matemática é matemática
e filosofia é filosofia,
não porém ambas vivam no universo da linguagem mas,
como se espera: diferentes em si.

neste caso herdamos a ideia de um aplicada a outro,
vilsumbrando que há algum resultado trilhado – a famosa finalidade –
em determinados temas que não condizem com isto.
o que é finalidade?
da literalidade, o “fim em si” é o mais absurdo dos paradigmas,
a ideia de que podemos antes da conclusão de umm mecanismo
já sobrepo-lo com um próposito.
seria como dizer ao homem que inventou a roda
que ele pensava o carro desde já: sua finalidade, portanto, era abstrair
o mecanismo e almejar a criatura (carro), mesmo que isto
não tivesse nenhum sentido na época.
improvável,
não:
IMPOSSÍVEL!

da mesma forma, quando vemos a finalidade na conceituação
de discursos meta-linguísticos, nos perguntamos exatamente
como faremos isto.
a arte tem finalidade?
a filosofia tem finalidade?
a gramática tem finalidade?
ainda que sirvam – e de fato servem – é difícil concretizar um
“fim em si” a estas coisas, importando a ideia de que o próprio
“fim em si” é, na verdade, o processo.
o resultado do processo acontece invariavelmente,
mas pouco importa.

quando pensamos na finalidade, conceituamos mais nossa
necessidade atorz e psicológica de discutir a certeza do resultado;
PRECISAMOS
DE
RESULTADO.
e por isto não percebemos que, em determinados pontos, talvez
ELE
NÃO
EXISTA.

engraçado como especulamos sobre o resultado em uma discussão
onde virtualmente a realidade e a não-realidade estão no mesmo patamar
de inexistência além da figuração do significado, mas acreditemos que, talvez,
o resultado de fato exista.
como poderia em um mundo onde a realidade é discutível,
se a lógica do resultado é a base da própria figuração de real?
quando percebemos que determinadas finalidades se tornam um aspecto aprisionador,
não nos levamos a nos importar com este,
porque no conjunto dos fatores, realmente, a finalidade é um mito.
este mito posto aos nossos olhos na compreensão de que devemos
subjugar o processo em valor do gerado,
quando o gerado só existe de fato através do processo;
comportamento cíclico, destruímos a linearidade da ação:
não buscamos agir para chegar a uma finalidade, de modo que ambos
coexistem em um universo onde nada existe – eis o fim da realidade
e com ela: a finalidade.

compreender o fim da realidade é potencialmente acima do que seu próprio fim,
vemos o distanciamento do binarimos exato das ciências exatas,
que são importantes em seus contextos, mas não aqui.
na complexidade de desconstrução de todas as lógicas,
sem realidade, homem além-cérebo, fim da finalidade,
o que mostramos e aprendemos é essencialmente o devir:

AINDA QUE PASSE NO MESMO RIO DUAS VEZES,
ELE NUNCA SERÁ O MESMO.

interpretativamente esta frase se torna muito mais profunda do que aparenta,
porque desde muito tempo já nos mostra a inconstância dos tópicos discutidos,
principalmente desmistificando o conhecimento estático de realidade e finalidade.

devir, meus caros, eis o devir.
o único e poderoso deus daqui:
DEVIR

passaremos no mesmo rio por muitas e muitas vezes, este, o da linguagem,
longo e denso e espesso rio, mas com fé compreenderemos que,
quase como milagre, ele nunca será o mesmo rio.
mais importante que isto é, claro, a percepção da passagem e deste feito,
provocando a certeza de que não há nenhuma finalidade em chegar
ao outro lado, apenas a compreensão do atravessar.
quando nos deparamos com o problema do rio, milagre antigo, moisés atual,
vimos que a beleza do objeto está exatamente naquilo que ele é:
momento.
e esta talvez seja a única virtude em corroborar tantas noções e/ou
quebras de conceituações estáticas:
o momento vale em si.

mas não do modo hedonista, a beleza não pode ser moral, tampouco sensitiva,
isto porque a compreensão divina da beleza – isto é, longe do presente – afeta o fato de que a desconstrução
é um processo de não perceber especialidades no ato, além daquela que a é per se.
o ato não pode ser enganado como singular na medida em que,
se fosse singular, único, desconstruiriamos a própria desconstrução:
o que é uno é especial.
grande parte deste processo está em compreender o ciclo como eterno retorno de coisas e,
através disto, a visão da roda dos processos indo e voltando:
a confirmação do devir, o rio inacabável.

devemos dar o passado além, temporalmente, devemos ser
passado,
presente
e
futuro,
todos no mesmo estado, desafiando, inclusive, o que compreendemos sobre o tempo.
isto porque a cadeia dos acontecimentos não pode ser linear, ainda que exista assim fisicamente,
deve ser quebrada discursivamente, colocando em prática toda o vislumbre
de completo e possível momento não-uno, especial, mas cíclico.
a ideia do tempo linear é um importante corroborador da necessidade de finalidade,
onde consentimos com o passar da época biológico do mesmo jeito que em linguagem,
vendo o fim do ser se aproximando, somamos a necessidade de um fim retórico,
quase como um grande deus metalinguístico: somos a busca por ele para não morrer em vão.
eis o mito da imortalidade longe do cristianismo.

é por isto importante que desconstruamos o tempo, principalmente no campo da retórica,
nosso único e verdadeiro devir expressivo tem um nome:
CAOS.

——————————

uma das coisas mágicas de se escrever no computador,
é que você joga o arquivo,
que não existe, nunca existiu e nunca existirá no mundo real,
em uma lixeira.
uma LIXEIRINHA.

a pergunta é: por que?
o arquivo não existe, não existiu e nunca existirá no mundo real,
mesmo que você imprima,
nunca será o original,
apenas a figuração de tal,
apenas aquilo que foi representado por código,
apenas aquilo que é representado pelo que você quis representar.
ai você pega este arquivo,
que não existe, não existiu e nunca existirá
e joga ele na LIXEIRINHA.

duas observações importantes:
1 – como você joga algo que não existe na lixeira?
2 – a lixeira também não existe.
ELA NÃO EXISTE
A LIXEIRINHA É UM MITO

voltamos para onde começamos, pior ainda,
vamos adiante, vamos mais longe e nos perguntamos:
QUE MERDA É ISTO TUDO?
você escreve algo que não existe, não é palpável, é um código…
…mas joga fora! sim, por que você joga NA LIXEIRINHA?
por um simples fato: o fato de que o arquivo, que não existe,
TEM PESO.
SIM,
ELE PESA.

um peso virtual, claro, mas te leva a pensar, considerar,
se ele deve existir virtualmente ou não.
ai você faz um julgamento de caráter:
– vou encher meu computador de peso – que não existe –
pra deixar acumulado de textos – que não existem –
porque tudo isto terá consequências no funcionamento de uma máquina,
que não reproduz a realidade,
mas reproduz algo que é quase igual a ela?

pensaram bem?
1 – o arquivo não existe, é virtual
2 – a lixeira não existe, é virtual
3 – mas ambos pesam, um peso que não existe, é virtual

MAS SUAS PREOCUPAÇÕES COM ISTO SÃO REAIS

e você transfere para o computar a projeção dos seus sentimentos,
preocupado com as coisas do mundo de fato, o objeto, o peso, a lixeira,
você pega todas essas indignações ignorantes e transforma elas:
elas não existiam até você querer que elas existissem.
e elas passam a existir.

seu computador não é uma máquina reproduzindo códigos, não,
muito pelo contrário, é um filhão mesmo e você é um pai autoritário,
compensa suas frustrações nele, vive com ele, vive se imaginando
como ele;
você projeta as coisas no computador e, entre elas, seu comportamento
cruel da vida;
aí você perceber que não vai perder mais kilos, você é sedentário,
gordo e folgado, um velho, seus joelhos estão doendo e você é um vagabundo:
mas você quer perder peso.
pra ter esta compensação mental, você regula o peso do seu computador
e diz o que ele deve ter ou não,
“ai isto é muito pesado”, joga fora, na lixeirinha, aquela lá, porque decide que
seu computador não pode acumular um monte de besteiras.

AS MESMAS BESTEIRAS QUE VOCÊ ACABOU DE JANTAR

com um detalhe:
A BESTEIRA QUE VOCÊ COME TE DÁ GORDURA REAL, TE DÁ PESO REAL, TE DÁ CÂNCER REAL, AVC REAL!
seu computador nunca vai ter nada disso, além de uns kbps, uns númerozinhos 1010010101 a mais.
mas você se importa com ele, coitado, é um ente importante, uma figura além-máquina,
o computador é o que você é e, logo, ao menos como representação, deve figurar como algo leve.
VOCÊ CORTA CALORIAS VIRTUAIS DA MÁQUINA

a lixeira não é só lixeira, não, não é um lixinho que você joga joga joga, deposita os objetos que não existem,
não,
a lixeira é uma grande e virtual esteira mental.
e você punheta ela porque você pensa que tocar um monte de coisas ali é isto mesmo:
VOCÊ ESTÁ MALHANDO

ao menos para o seu cérebro vagabundo, ele acredita nisto, ele acredita nas mentiras que ele cria.
um fator importante: o cérebro é o criador de mentiras,
porém é o cérebro o responsável por acreditar nelas;
o cérebro é auto-referente, um burro consciente e se orgulha disso, de ser o órgão mais sedentário.
e através do seu cérebro você alimenta esta mentira, ‘ai, ai eu sou feliz assim’, não é.
nem seu cérebro burro.
ele
não
está
feliz.
mas você usa ele pra acreditar nele, o cérebro é o maior enganador que tem,
seria a mesma coisa que um advogado defendendo réu e vítima:
eis seu cérebro.

então ele te engana que você é feliz sendo gordo suado pelas axilas,
e que você não precisa transar ou pegar mulher,
e que sua vida é legal no computador.
mas no computador você precisa manter a etiqueta
e jogar o que não presta fora. pronto,
EIS A LIXEIRINHA!

de um ponto representativo, o mais importante da lixeirinha é que, icônica,
ela realmente funciona como transposição de figura:
a lixeira existe, sim, existe mesmo, não como você pensa, não no computador,
mas como ideologia.
a lixeira é o seu cérebro burro.

SEU
CÉREBRO
É
BURRO

um lixo cansado e viciado e vendido e enganador;
ele constrói a lixeirinha do computador para te enganar,
fingir que ele não é aquilo que ele quer ser,
ai você pensa “não, tá de boa”, mas não tá.
aquele grande e robusto cinza de massa cinzenta
supostamente criativo, supostamente foda,
diz que é o órgão mais importante, ele mesmo diz isso pra você
e você compra a mentira.
seu cérebro te enganou.

e no final disto tudo você constata um fato:
tudo que você cria,
tudo que você faz,
no seu computador, no seu belo computador,
aquelas coisas que não existem:
a lixeirinha, seu texto, seus arquivos,
você criou uma vida para seu cérebro
e está bem feliz com isso, com estas criações
que são apenas morfina para o cérebro.
mas ele existe, o glutão dos órgãos,
existe e te suga nesta busca incansável de coisas
que não te importam além de nada,
porque ele rouba sua atenção, grande ladrão mental,
aí faz você acreditar que criar um mundinho virtual,
com arquivos virtuais
E UMA LIXEIRINHA VIRTUAL,
são situações necessárias de contexto, pra
colocar coisas que não existem e não precisam existir,
mas ele, o glutão,
ele quer tudo. ele quer mais, sempre.

ele dá ao nome disso de:
CONHECIMENTO

———————————–

o que é?
eis o mito, criação, ficção, irredutível
e criado, como tal, lixeira, realidade,
tudo é igual:
o homem além-cérebro não existe longe
do que é para ser, uma invenção!
uma grande invenção, fantasia, noção surreal
de algo inacabado –
se somos homens, pensantes, somos mentira.

criados e instruidos nisto, pensantes
somos, criaturas ligadas ao próprio pensamento.
e este, por si, vale mais do que o corpo
em si.
pouco se liga a carne, as coisas como, fisicamente,
a lixeirinha, não ligamos para isto:
o além-cérebro sabe que o corpo é uma mentira,
o objeto em sua existência também.
por isto, cérebro – objeto – e este homem além ele
sabe de sua estrutura ínfima, inútil, improdutiva
enquanto longe da mente, aquilo criado na sua
ficção.

com um porém:
não existe a transição de realidades, não, a ficção
é egoísta, una, como o cérebro, criada por ele
é uma grande glutona.
é uma percepção cíclica, afinal, se não existimos
além daquilo, estritamente o que somos além do que somos?
resposta: nada!
pois nada, como conceituação e já dito, também não é nada.
nada é a composição mais básica da montagem fictíva,
é a ideia de que podemos instutuir nenhuma ideia;
genial, porém, é que não conseguimos nos colocar longe disto.

somos o que somos.

e nos colocamos assim, muito mais e universalmente
mais importante enquanto tudo aquilo que não é
exatamente o que esperamos, tátil, o ser humano
existe naquilo que não pode ver, tocar, ser, ou seja,
a sua própria mente.

mas e o homem além-cérebro?

do caos vem, como tal, perceptivelmente mais contextualizado
de sua sana mental, objetivos e o que é, o além-cérebro
vislumbra um meta-mundo onde não pertence, porém, longe
do que ele é.
chamarão de egoísta, talvez, mas o além-cérebro
pouco liga para isto.
sabe da irracionalidade entre realidade e o que não é e,
assim, entende que o único mundo possível é o seu,
mente própria,
criado e instituido em sua própria ficção –
que não existe mais.
ele entende da necessidade de exclusão,
não social, mas mental:
se afasta porque sabe que este é o processo inevitável.
pensar sobre o pensamento e, não só,
pensar sobre o que pensar.

o homem além-cérebro é este ser,
o tal,
coisa,
mentira
da realidade.

longe de qualquer instituição física ou de força,
algum projeto imagético, alguma mentalização possível,
não,
o homem além-cérebro é, muito mais, só o que pretende:
além-cérebro.
e para isto combate na fronteira devida,
em criações devidas, onde ele, o glutão maior, age:
na realidade.
e entendendo este que é o maior conto humano,
nossa vida,
o além-cérebro age cirurgicamente como um médico treinado,
operando tudo aquilo que é excesso, gordura,
criada nas entranhas da sociedade
e do homem.

destruir a mentira é um dever, não só opcional,
mas também necessário: combater a mentira das diferenças,
das objeções e barreiras criadas pelo cérebro é,
antes de tudo, nos colocarmos como iguais.
SOMOS
NÓS
A
LIXEIRINHA!

e se queremos dar fim neste ciclo, enfim, deveremos
estudar a proposição onde ele se cria,
antes de qualquer existência, a fonte da mentira:
o cérebro.
combate-lo é, primeiramente, entender a si.
si = eu, si somos nós, somos estes,
os seres de si, do sim, da negação,
da desconstrução dos atos.
estes atos que surgem como barreiras,
criadas e elaboradas como externas,
não correspondem e não existem longe daquilo
onde surgem:
o cérebro.

pois não são externos.

é no intuito de compreender a base mais simples,
mais enraizada e, porque não, mais natural
de nós mesmos que, com grande prazer,
devemos nos redescobrir longe das próprias limitações.
não devemos ser homems reféns do cérebro,
optando pelo além-cérebro, somos muito mais introspectivos,
não cometendo os erros dos introspectivos passados,
não somos morais (porque isto não existe),
não somos reservados (porque isto não importa),
não somos tímidos (porque isto não é condição),
mas sim compreendendo a verdadeira semântica do introspectivo
e pensando em si, não apenas como primeiro passo,
mas pensando em si como ciclo eterno,
pensa em si
pensa em si
pensa em si
pensa em si
pensa em si.

na adição de camadas, o meta-pensamento ego-consciente
constrói a condição de uma percepção também meta-perceptiva,
entretando essencial para esta concepção:
se a realidade é mito e o mito também o é em si,
corroborando a existência do nada e que, por esta lógica,
nada só existe como concepção quando, ironicamente,
ele não possa existir além do conceito, a realidade formada
por trás de toda ideia – inclusive esta – se dá como organização
de uma grande ficção sequenciada em significados possíveis,
ou seja, uma mentira ordenada, criada para suprir ao próprico
conceito onde ela pretende abranger: a realidade.

o homem além-cérebro enxerga a tautologia do processo e,
como tal, como parte criadora e perpetuadora,
entende que a necessidade tautológica desta montagem
deve concentrar forças no caminho certo e, não só negar,
mas também vislumbrar que a negação é um anti-mito, por isto,
mais importante que ela apenas a observação de que
sem ela ou com, tudo está dentro do mesmo universo.

tudo
faz
parte
do
mesmo.

o mesmo, claro, nós, coisa, criação das coisas,
a coisa que cria coisas, nos colocamos além disto,
não observando que deveriamos ser não além do criado,
mas parte ativa dele, do processo: criamos não apenas pelo ato,
mas criamos porque devemos exercer isto.
deste modo só podemos observar o mundo interno quando
compreendemos que este processo é parte do glutão maior,
coisa que cria e ciração, somos todos, afinal, os grandes
encenadores do mesmo mito: a realidade.

o além-cérebro percebe isto, percebe este ato e,
devir, desconstrói-o não como objeto de prova, ele
não deseja nada ao mundo – que sabe ser só o que ele quer que seja
enquanto realidade – e entende do mundo dentro de si,
desta forma, introspectivo, não se importa em tentar separar,
ou castificar, hierarquizando importâncias na realidade,
afinal, ela é só uma e é uma mentira.
para ele, a compreensão da grande mentira não acaba com ela,
tampouco se briga com ela e isto também não produz nenhum
tipo de necessidade. diferente, ele a observa por dentro,
como parte criadora, se coloca na história, agente, espectador
e ator, se vê na verdade do conto e estuda-o de dentro para fora,
como um órgão, um médico e o bisturi.

a auto-análise é o caminho constante, a necessidade
do além-cérebro em dignificar que não há um fim em nada,
nem no seu processo, mas apenas um emaranhado confuso
de significados para as coisas, devendo estes serem
observados do melhor ângulo possível.

mas as vezes nos perguntamos:

para que almejar isto?

———————————-

O CONHECIMENTO,
eis o nome, a forma da coisa,
a crítica, o objeto, o sujeito, a criação,
a megalomania, a hiperbóle, o universo
em uma palavra.
seu cérebro, aquele glutão maluco,
vazio e espaçoso, comendo de tudo e todos,
cria um termo pra se alimentar sem você, pobre vítima,
se sentir culpado.
ele diz que precisa de CONHECIMENTO,
para ele, para a alma, para viver, para aprender.

pronto, você: vítima.

vítima de uma pequena parte do seu corpo,
vítima de você mesmo, vítima do seu cérebro.
o conhecimento, isto aí, ele diz, seu cérebro diz
que é o órgão mais importante, aí diz que você
precisa alimentar ele
e diz que o homem não vive sem
CONHECIMENTO.

este maluco tautológico te ocupa de tal maneira
ao ponto de você sequer questionar o fato de que ele
não tem razão,
ELE NÃO TEM RAZÃO,
a não ser aquela razão que ele mesmo cria.
pergunta: o que é razão?
resposta: nada!
a visão de uma razão é um objeto, um discurso criado
pelo próprio cérebro que, justamente, na ânsia de
consumir tudo e todos – roubar você de você – se justifica!
e diz e cria e expande os termos, ele precisa ter razão,
não só isto, através da busca constante do conhecimento que,
por lógica, só faz sentido para ele.

uma vaca pastando sem nada, sem objetivos e sem absolutamente nada,
NADA, uma vaca não tem NADA,
mas está completa em si.
nós, pelo contrário, infelizes, com um cérbero infeliz,
estamos toda hora buscando coisas que ele manda buscarmos:
você vai ler,
você vai ouvir,
você vai pensar,
você DEVE fazer isto,
mas por que?
sim, porque ele mandou.

e quanto mais você lê, você faz, você observa, você quer
mais e mais
MAIS,
tudo, sempre, mais você se sente obrigado a buscar.

você, meu caro, meu amigo, você é um eterno prisioneiro
DE VOCÊ!
o seu cérebro age assim mesmo, te engana e te possui,
no final, você não vide externamente, muito pelo contrário,
a vida é um eterno vir-a-ser do que seu cérebro diz.
e se ele quer ficar triste nos melhores momentos,
ou ignorar as tristezas, ou ignorar tudo, ou te foder sempre,
ele faz, sim, ele vai fazer. e você não pode viver longe
de você!
uma vítima, enfim, você compreende que é uma pobre
e desconsolada, desamparada vítima, mas, distante de ter
como brigar, o que fazer?
como fazer?

sem sobrar alternativas, resta ao homem,
resta a você,
criar um uma prerrogativa, uma maneira de driblar
seu euzinho cretino – seu cérebro burro – e tentar ser livre,
longe de você mesmo, ironicamente, só existe a liberdade,
a completa liberdade,
a liberdade de fato,
longe da realidade!

pensar na realidade é eterna mentira,
um conto de fadas de sua máquina biológica
sucumbindo no codnome de razão, deste maníaco
eterno e inexrovável e infalível, que comanda suas ações
e dita o que deve ser relevado ou não.
nele, as barreiras são criadas, os métodos estabelecidos
e criamos importância sobre os atos, principalmente
na métrica de esperar realidade.
ora, meus caros, meus caros amigos, na realidade
tudo é real!

neste sentido, embora a necessidade disto, da busca
por isto, pouco importa porque, no final, o que ele
quer é a sua prisão, através de delimitar a realidade.
por isto, como forma de revolução – você é um revolucionário, afinal, ou deveria ser –
como forma de liberdade máxima, de confronto, de contradição, de se desdizer, sim,
VOCÊ DEVE CONFRONTAR A REALIDADE!

——————————

viver como pessoa real,
o que veríamos pelos olhos
da realidade,
se compreendessemos que ela
não é o que pensamos?

colocar em prática a distopia
das considerações do real,
questionando que ele apenas
existe como figuração,
mentira para apaziguar, acalmar,
seduzir o conforto dos fatos é,
antes de tudo,
função do homem.

não escapamos de nossa existência,
ainda que a compreensão dos seus fatos
seja singela, subjetiva, existimos.
porém, devemos com força e sabedoria,
vislumbrar que o homem médio,
aquele da vida vazia, conformada é, na verdade,
um fruto a ser jogado fora da cesta.
ficamos com homens que, sabiamente
e principalmente, questionam as figurações
que o colocam como:

1) homem (objeto em si)
2) real (realidade em si)

o casamento das situações e dos dois objetos
transborda a necessidade de estarmos incluso
em grupos de significados que, grosso modo,
não servem para absolutamente nada além daquilo
que queremos sem eles:
o amansamento mental.
na prática, compreendermos como fazemos é,
para fins mais lógicos, a decisão de quem
somos o que somos e
pertencemos ao que pertencemos,
por isto, não podemos mudar.

na contrapartida do devir,
a realidade é.
e por ser, como visto,
se torna objeto imutável aos olhos
dos incautos.

viver como pessoa real
é a prisão não só da vida,
mas do ser.
a mente se acorrenta
no marasmo do acômodo.
a compreensão de que
não há realidade
e tampouco importa,
que ela apenas funciona como um objeto
da figuração de determinados
conjuntos de significados que, com muita força,
queremos crer com naturalidade quase biológica,
mostra que a realidade é exatamente
o próprio significante em si:
nada além da forma,
gramática,
necessidade de comunicação.

porém, onde se cumpre sua existência?

em tudo aquilo que estritamente questionamos,
principalmente quando duvidamos e
desmembranos todo arquétipo de hierarquia
dos sentidos em função de compreende-la:
pouco importa a realidade.

POUCO
IMPORTA
A
REALIDADE!

você, o ser, indivíduo, só corresponde
a sensação de estar presente naquilo
que intuitivamente observa/sente como ação.
você é o que vive, porém
não aquilo que interpreta e tampouco figura
de sua vida.
e ela é uma forçosa figuração.
a necessidade do seu amigo glutão, o cérebro,
em desatinar seus próprios feitos para
roubar a atenção de sua natureza, colocando
impecilhos, contrapontos doentes nos atos
através da necessidade de conjuntos para isso:
eis a realidade,
pertencimento necessário para o glutão.
só funciona dentro daquilo que ele quer e, por isto,
chupando a compreensão para sua atenção máxima,
vida de realidade:
vida do cérebro.

existir é um conceito estranho, justamente porque,
como tudo, apenas funciona como aspecto estrutural
para figurarmos o mundo da linguagem –
o nosso mundo –
em um universo de significados necessários.
a realidade existe?
ora pois, claro, mesmo sem compreende-la,
o significante é necessariamente um estado.
este por sua vez não basta para a metadiscussão,
mas mostra a dualidade das coisas:
o ser ou não ser,
existir e não existir.

a formação deste conceito dúbio
é a formação do mundo-dois-mundos,
aquilo em que vivemos, não há mundo
longe do outro.
duplicamo-os, como forma de percebermos
o aspecto estrutral dele:
o mundo como é e o metamundo.
o segundo, aquele onde estamos presos.

o mundo é o cérebro.

discutindo este ponto, nos colocamos
na grande pergunta de toda a sanidade
retórica por trás da construção das ideias:
afinal, o que são elas?

não porque nos necessita saber o que são
como respostas,
mas estruturalmente, entre significantes e significados,
o que são as ideais senão signos necessários para
transpormos o mundo como ele é (real) e entrarmos
no metamundo – aquele onde vivemos?
do montante de criações oriundas das ideias,
nela, inclusive, mora o ciclo:
o mundo, que é ideia também.

a realidade é uma ideia.
a realidade não é real.
o real também é uma ideia.
a ideia é uma ideia.
não há ideia real.
há apenas.

e haver é a mágica dos seres,
pertencer a coisa, qualquer coisa,
como apenas uma grande força,
sem propósito ou significado,
uma grande presença em si.
há, sim, seres, há muitos deles,
e todo e qualquer propósito
figurado apenas acomoda a sensatez
de uma outra figuração:
a necessidade do ser em pertencer.

pertencer não como um corpo presente,
mas como ideologia, a função, ocupação,
todos queremos algo no mundo,
todos queremos não ser apenas carne e corpo,
mas também a ideia do que somos de nós mesmos…
e queremos que os outros assim a comprem,
em forma e discurso:
vendemo-nos constantemente pela linguagem,
com fé, tentando ocupar a ideia dos outros
com a nossa, por questionarmos a importância,
onde imaginamos que o mundo é um coletivo de coisas
que ele não é. o mundo é uma ideia,
a nossa ideia.

e nada mais.

a realidade não compreende que não precisamos dela,
ao percebermos isto, o vislumbre do mundo como ideia
e da ideia do mundo, percebemos que a realidade é um
tanto faz somado de importâncias totalmente inúteis;
portanto, longe de existir, ou sequer compreender porque existe,
tudo, do mais grosso, complexo, ao mais fácil, tudo é
uma grande ideia.
e a ideia de tudo está compreendida no conjunto de ideias,
como caos, lixeira, univero, realidade,
a figura das coisas é apenas a imagem do significado,
através da tentativa de expor qualia por linguagem.

e qualia é o que mais fazemos.
somos o que somos
e não somos conjunto;
apenas nós: qualia monstruosa
e inexplicável.

a realidade é grande qualia, exposta como significado coletivo,
uma ideia absurda, porém convertida ao mantra da maioria:
nos enganos com isto.
e ao vivermos sob a mentira da realidade, através do glutão,
de fato vivemos o mais longe da realidade possível.
ironicamente só podemos viver com ela quando ela é
exatamente a não-coisa, anti-realidade é o mais próximo
da realidade.

a questão inicial é uma trivial tautologia, sendo exposta
num ciclo sem fim de interpretações:
não vivemos como pessoas reais,
porque vivemos na realidade!
de todos os mundos, figuramos este prospecto,
porque precisamos das figurações como forma de
unificarmos o significado das ideias.
e as ideias são o mundo, o mundo real.

nasce a filha do princípio,
meio e fim.
a pergunta de todas:
o que é uma ideia?

————————–

porque confrontar a realidade não é apenas
o comportamento do louco, tampouco do
que acha que é louco, lembre-se:
você acha tudo porque o seu cérebro
é o único louco.
é um dever moral, praticamente humano,
o processo dos processos, do pensamento
meta-pensamentado, eis, sim, o dever,
talvez o único dever importante, aquele
pra que ele nasceu:
o cérebro deve confrontar o cérebro.

o mito da realidade está enraizado na
noção de onde ele mesmo, glutão, fez-se crer
diferente do resto, de outros, das coisas,
não-órgão mas sim ente, acreditou existir
um mundo onde ele pertence – o real – e
aquele que ele não pertence – o não real –
porém esqueceu de avisar a todo o resto
sob um fator:
QUALIA

a realidade nada mais é do que uma grande,
gorda, grossa e insubstituível qualia maligna,
disfarçada e julgada sob a tutela da diferença,
sem dúvidas, elencada por ele, o Deus moderno,
cérebro.
notemos que longe da forma, significante e significado,
palavras despejadas em uma bandeja de montagens
necessárias para que possamos organizar de maneira
ordenada as comidinhas que o cérebro comer,
longe disso tudo só sobra: nada;
este, também, porém, nada que não é nada se não
a grande forma que queremos ele ser, figuração das
necessidades do mestre dos enganos, o cérebro.
nada não existe,
realidade não existe,
tudo não existe,
palavras existem
porque queremos que elas existam, fazemos necessidade
dos objetos como forma de representação
para eles mesmos.
e, por isto, sua realidade não mora longe do significado
a ela.
e este significado é absolutamente ZERO ABSOLUTO
de realidade.

a menos que você a confronte

e coloque em jogo todos os fatores estruturais
em torno de uma noção sobre isto –
incluimos, aí, nosso cérebro, o grande irmão,
a própria realidade e a LIXEIRINHA.
a retórica mais irônica deste mundo é fato de que
interpretamos, na atualidade, nossa vida pela
relação com o computador – que não é real –
mas não nos distanciamos do fato de que
NOSSA REALIDADE NÃO É REAL!
a grande mentira dos grandes encontros
e de interpretações táteis sobre isto,
encostar nos objetos não representa, não dignifica
algum poder especial a relação e tampouco torna-a
mais real,
isto porque a realidade não é e nunca será
um objeto discutível no campo da forma, ou da criação física,
mas sim filosófica, de linguagem.
a realidade é língua e, tal como lixeira – virtual ou não –
surge como muleta gastronômica para deliciar o cérebro.

dificil é, porém, ver o horizonte compreendendo que
não há horizonte, talvez, eis por que a pergunta volta a si:
COMO CONFRONTAR A REALIDADE?

primeiro e antes de tudo é sobrepo-la, ignora-la e dizer
que a realidade, enfim, pouco importa.
isto mesmo e tudo ligado a ela devem ruir abruptamente,
deixando seu cérebro sem chão e mais que isto:
sem alimentos para seu sedentarismo intelectual.
derrubar a realidade derruba o conceito mais básico para ele,
junto com ela, meus caros, os muros das objeções logo
vem abaixo sem sustento.
a realidade é o paradigma modelo para coisas absurdas,
família, moral, instituições, sociabilidade, família, religião,
todas aquelas maravilhosas amigas acompanhadas de
muitos ‘poréns’ e poucas noções que funcionem longe do
que elas pretendem em si.
só valem como objetos se nos colocamos em correlação
a ideia de que precisamos delas como pertencimento
de um plano completo, ou seja, o que é real a nós, como entes.
se somos humanos e nos comportamos como humanos,
dito por cérebro, eis que devemos isto a realidade –
SUPOSTAMENTE.

ruir a realidade não é derrubar um murinho de berlim,
este é um pequeno e minúsculo passo para o homem,
diferente da derrubada de um muro mental muito maior,
muito pior para o seu cérebro viciado e burro,
derrubar a realidade é, antes de tudo, derrubar todos os muros.
a valorização de entes que se correlacionam com a existencia
do plano de que estamos em um plano estruturado, sim,
só existe porque existimos neste plano.

daremos tchau, então, a tudo aquilo que pouco importa
para o homem além-cérebro, o homem puramente confronto
com o homem, não é moral, tecnocrata, religioso, não é nada,
mas também não pode ser niilista, pois percebe que não
está disposto a derrocada de mais uma figuração do ser e,
ainda que seja o ‘ser do nada’, ser este indivíduo não é
diferente do resto.
o homem além-cérebro se dá conta que o cérebro é uma
necessidade torpe da percepção e, pouco diferente do seu
computador e da sua lixeirinha, a percepção mora no ato
de se colocar onde quer:
tal como realidade,
FICÇÃO
NÃO
EXISTE
LONGE
DO
QUE
ACREDITAMOS
NÃO
EXISTIR.
e é nisto que surge a maior ficção do homem, talvez,
conhecida como aquilo que é real,
enquanto a única coisa que importa, mesmo, é a percepção
de poder perceber estas diferenças.

o homem além-cérebro é o eterno devir em si, preparado,
disposto, enraizado, criado e calculado sob todas contestações,
existe apenas para isto mesmo:
CONTESTAR
devir máximo das coisas, o homem além-cérebro
FAZ E DEVE contestar tudo e inclusive a si,
seus meios, seu mundo, sua percepção, sua realidade –
que ele sabe, é ficção.
neste momento, ele percebe que a conjuntura de sua posição
o coloca em um novo e apocalíptico patamar, no universo da
meta-percepção das coisas, se ficção ou real, ele questiona:
– o que é o homem-além cérebro?

—————————

poderia iniciar dizendo que
a ideia da ideia é também a sua ideia,
ciclicamente este seria o caminho sem fim.
a ideia reside nela, é a forma de si,
sequenciada em um pensamento lógico,
ela é a comunhão do que sabemos,
o big bang do pensamento, vemos nela
e vivemos por ela.

mas não é apenas isto.

a ideia é também um significado,
a busca da compreensão de uma ferramenta mística:
o uso do nosso cérebro como vontade.
adquirimos a noção de uma força que temos
além dos conceitos físicos.
isto porque eles, estes conceitos, também são ideia.
não escapamos dela.
aprendendemos a celebras a intuição de nosso corpo,
somos animais pensantes, porém outros também tem ideias.
o que nos diferencia é a metacompreensão da mesma,
o olhar interno, sabemos o que é ideia em casca
e ideia em recheio.

este complexo sistema é mais rico do que imaginamos,
pois não nos fortalece apenas como forma de percepção em si,
muito pelo contrário, tudo aquilo que nos formamos
é baseado na concepção de ideias.
e as mais fortes e inabaláveis concepções sociais,
religiosas e morais, as guerras, dinheiro, todas, exatamente todas,
não passam de grande ficção.
ficção: ideia.
de todos os seres somos os mais fictivos e, com nosso rico amigo glutão,
organizamos conceitualmente nossas vidas baseadas em nada.
paupavelmente, a ficção não é nada além daquilo
que imaginamos ser. ela é mental, claro,
uma grande ideia.
e somos montados através da crendice de que extrapolamos o mundo
fictivo, acreditamos nelas como realidade, passamos ao mundo real
como se ele existisse em forma diferente daquilo que imaginamos
para a ficção. ora, estabelecemos definições claras sobre isto,
acreditando que, em dois mundos, eles nunca se encontrarão.
não percebemos que, forçosamente, um não conflita o outro, de tal maneira,
ambos são complementares.

a própria discussão a respeito nos conflita a realidade aparente
em contraste com a ficção: discutimos por iguais aqueles que queremos
ser diferentes.

no barco em que somos levados a navegar, esquecemos
da percepção como meio de realidade, figuramos uma concretude
inexistente como parâmetro do que é e o que não é:
só se pode quando é tátil, visível, duro.

A GRANDE MENTIRA.

dos fósseis vivos que somos, enganados pelo cérebro, rimos dos outros animais,
porém, nos colocamos como macacos a repetir os comandos,
sem verificar que a própria repetição é, sim, um comportamento baseado na ideia.
tradição, a volta a história, diálogos, discussões, a linguagem, sociedade,
somos
todos
vivos
dentro
de
ideias.
o pilar básico para nossa sustentação não envolve força, longe da física,
não falamos de energia, mas de vontade.
das diferenças básicas entre um e outro estão os gastos:
na física, nossos movimentos são resultados de comportamentos que demandam energia.
na vontade, eles apenas são.
e uma ideia apenas é.

precisamos entender a força da ideia para compreendermos a força da vontade,
são conceitos ligados, senão os mesmos. isto porque a vontade é uma ideia,
mas também é a ideia que justifica a vontade.
quando pensamos no mais simplista niilismo, na sua concepção de mundo,
força, bruta, gigante, descomunal, sem sentido e sem significado,
eis aí a vontade: uma caracterização de unidades que são pela simples função em si –
fazem o ato como força do próprio ato. a vontade apenas é.
e não existe vontade maior no universo do que a necessidade abrupta de
compreender a própria vontade, formação de conceitos, nasce a ideia.
a vontade existe como organismo além dos significados, porém,
só se verifica na disponibilidade do discurso como conhecemos quando de fato
a transformamos em ideia.

desta força inexplicável temos a vida, todas as formas de vida,
além da biologia, mas como significado dos próprios conceitos.
a vida não existe, afinal, além do seu significado. como tudo,
como realidade, lixeira, pessoas, tudo volta a grande ideia.
se o big bang representa o começo, para nós, nada mais do que ideia.

possamos compreender que a linguagem é tautológica e,
dentro de sua importância, só encontramos solução quando giramos
nela mesma.
encaramos por isto as metadiscussões, que nada mais são
do que uma visão necessária do devir, do constante desejo
em ver a coisa pela coisa, como aqui:
a ideia é linguagem,
mas a linguagem é ideia.

desta formação de ciclos não inventamos a roda,
porém sabemos que a roda só é possível por isto.
no combustível da vida há a linguagem,
começo,
meio
e
fim.
movimentamos a vida por ela, uma ideia além do seu tempo,
uma ideia além de todos os tempos,
um mundo absoluto, que não existe, não é real,
apenas figura, com todas as forças, com todos os laços,
com todas pessoas, com todas as coisas, assim, como conhecemos,
num eterno e infindável ciclo.
um ciclo de ideias.

FIM

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s