Meu projeto para os ônibus de Porto Alegre: 5 melhorias essenciais

E aí brilhou a luz da melhor Prefeitura do mundo. Assim, como uma visão transcendental, nossos líderes e exemplos, queridos e corretos – e cheios de si – foram lá e lançaram para nós, o milhão que pega busão, aquele edital. “O” edital. Tão bom quanto todo resto de administração da cidade, enfim, nossos parâmetros atuais estão confusos. Se este edital representa as políticas públicas condizentes com a realidade de Porto Alegre, isto quer dizer que ele é bom ou ruim? Mistério. Ninguém entende nada; o que é isto? Apenas um fato: ele está lá. Existe e vai ser cumprido. Na melhor das hipóteses explode tudo e o mundo acaba. Só assim pra sobreviver, aqui na Cidade Sorriso.

Ignorem o verão, o calor, a falta de locomoção, ignorem tudo. A cidade nos ignora também. Concentrem-se na maravilhosa licitação. Só isto. Foquem nela e tentem, como Buda, entrar no mundo espiritual das coisas além-Terra. O espiritualismo necessário para compreender que, antes de tudo, nosso prefeito é o Escolhido. Escolhido para provar que gaúcho é o povo mais pacífico do mundo: aceita tudo isto e continua vivendo. E a gente vai levando, com toda desgraça e com toda ameaça. Sobreviveremos aos 4 anos de inferno, maiores que este verão, piores e mais sinistros que qualquer outra Prefeitura do mundo. Tudo passa, até a licitação engraçadinha vai passar. O ônibus sem ar-condicionado também. E você e eu dentro dele, suando e fedendo.

Mas eu compreendo a causa; os administradores são inocentes, crianças neste mundo da legalidade e dos direitos. Foram 60 anos circulando sem nenhum edital e, até que enfim, quando sai, quem viveu já é avô. E o que sobra é a mesma tarefa de sempre: renovar o que acabou de nascer. São todos bebês, mentais ou propositais, querendo provar que ninguém sabe das coisas. Mas eu sei. E, aqui, aproveito a maravilhosa licitação dos ônibus de Porto Alegre para, como a piada que já é, garantir 5 novas mudanças que tornarão tudo ainda melhor. Ou mais caricato, ao menos:

1 – Tirem os bancos

Banco ocupa espaço e espaço impede que mais passageiros subam e lotem e vivam empilhados; banco é tempo para sentar e tempo é dinheiro; logo, sentar deveria ser proibido. Banco é, sem dúvidas, uma arma do ócio. Coisa de vagabundo, desempregado, quem senta não tem amor ao progresso, porque o progresso anda a passos largos. Banco é pra quem vive deitado na rede e sai de casa sem querer sofrer. Tirem os bancos e deixem todo mundo de pé! Sem ar, sem banco, eis aí a sina do trabalhador: quem anda de busão tem mais é que sofrer! Porque sofrer, esta sim é a arma do progresso.

2 – Tirem as janelas

Se reclama do calor, ingrato, pra que o ar? Não precisa, afinal, o custo é alto e, antes dele, já existia o vento! E sem janelas há o maravilhoso amigo que descabela e refresca. E não há calor. Talvez no frio seja incômodo mas, sério mesmo? Tem tanto tempo pro inverno que ninguém deve se importar muito com ele. Fecha e licita sem vidros, sem janelas, que fica todo mundo feliz. Quando chegar o inverno a gente taca uns sacos de lixo, qualquer coisa, a gente dá um jeito do estilo que a cidade merece.

3 – Tirem os pneus

O sofredor já pega o ônibus sabendo que é pra sofrer. A tautologia do sofrimento no transporte prova isto e, claro, pra que pagar caro em pneus? Dá pra tirar, também, e colocar uns tronquinhos e a galera sobe e vai, assim com o pé, empurrando o coletivo, feliz da vida, economizando um dinheirinho. Tudo que for supérfluo sai, inclusive, se tirar agora os pneus – quem sabe – um dia também pode tirar o motorista! Tudo vai embora. Estamos montando um transporte econômico e viável. Prático para todos os lados. Prático para nós, que economizamos, prático para o empresário, que lucra mais.

4 – Tirem o teto

Como as janelas, o teto serve pra nada. É lata, é velha, é peso morto. Sem teto, mais vento. Mais vento, mais ar circulando e menos ar-condicionado! Assim, garantimos um transporte fresquinho, na temperatura certa para todos. Democrático, afinal, pois quem entrar dentro do veículo tem a mesma possibilidade de se molhar pela chuva do que quem estiver fora. E este não é um governo democrático? Então: todos molhados iguais.

5 – Façam de madeira

Nobre, linda e ecológica. O metal também é caro e pra que? Um automóvel de madeira vai do ponto A ao B tanto quanto o de metal. Molha igual, suja igual, tudo igual. E se é igual, por que não inovar e ser diferente? A gente cria e vai no seguro, no de sempre… no mais barato! Veículo de metal é ostentar. Veículo bom é o econômico! Como a madeira, que é da árvore, que vira papel, que vira dinheiro, que a Prefeitura tem tão pouco.

E, para finalizar o post que talvez é piada, talvez não é, aqui vai uma foto do projeto. Um “boa sorte” muito especial para todos gaúchos, porque vamos andar em algo mais ou menos assim:

Boa noite e me sigam!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s