10 obras da Bienal que eu não entendi

9ª bienal do mercosul_0

E a pergunta do milhão é: o que é arte? 

Afinal, cada pessoa no planeta defende um conceito. Mesmo para os teóricos e estudiosos, não há bem definido com arestas apertadas e exatas sobre aquilo que, por si só, conceitua algo como “arte” ou “não-arte”. Os movimentos artísticos exploram, justamente, a não exatidão da coisa para contextualizar diferentes expressões e técnicas/escolas dentro daquilo tudo que, de um modo geral, possa a ser um objeto artístico. No final, o que eu penso que possa ser arte, você pode achar uma merda. E o que você pensa que é arte, eu posso achar uma merda. E geral estará certo ou errado ao mesmo tempo.

Nesta esfera, a arte contemporânea bebe, muitas vezes, na exploração do discurso. Ou seja, o objeto, o resultado do processo artístico pode ser algo esteticamente escrotíssimo, desde que este mesmo resultado, por si só, demande a intenção do argumento metalinguístico de questionamento. Ou seja, toda a interpretação de que a arte enquanto arte não é só a criação, mas tudo aquilo que ela possa gerar, ser discutido e/ou percebido pelo espectador, além do próprio resultado estético em si.

E nestas filosofias loucas nós temos a Bienal, a famosa Bienal do Mercosul. Cada 2 anos com um tema, a ideia é justamente a integração de diferentes artistas, de diferentes localidades, explorando os discursos da arte contemporânea predispostos a um tema em comum que defina a exposição.

Eu confesso que nunca entendi muito bem porra nenhuma e, na Bienal deste ano, rolou uns papos meio new age de materiais, processos, uns símbolos que pareciam umas paradas do Harry Potter, uma coisa meio transcendental demais pra mim. Foda-se bem grande, enfim, porque o meu tópico, aqui, não é para discutir os fatores positivos da Bienal. É para mostrar as 10 obras que eu não entendi absolutamente nada (com bônus no final), provando que a arte contemporânea é, muitas vezes, bizarra pra caralho. Sem mais delongas, segue:

1 – A toalinha no chão

1

O mais maneiro da toalinha é que tinha uma fita crepe em volta, pra ninguém “invadir o espaço” da obra ou, sei lá, dar uma bica neste treco sem perceber que se tratava de algo da exposição.

2 – A bola no canto da sala

2

Você entrava na sala e tinha um monte de fotos de placa (como você pode ver ali no canto esquerdo), aí do nada olhava pra baixo e tinha esta bola, iluminada por uma luz celestial, como se fosse algo divino. E ficava pensando: que porra é essa?

3 – O expositor sem expor nada

3

Tava lá, no meio da entrada este puta expositor monstrão, um baita trambolhão e você olhava e não tinha absolutamente nada. Pra não ser injusto, tinha sim. Parecia ter um destes brilhantes fajutos de carnaval, ali dentro, num cantinho; minúsculo a ponto de nem aparecer na foto.

4 – A madeira no canto da parede

4

Fala sério, imagina um dia chovendo pra caralho, temporal no Centrão, aí um mendigo entra no museu e vê este compensado aí dando sopa num canto, assim. É capaz de tentar levar pra se proteger da chuva, né não?

5 – A madeira no chão

5

E se no mesmo temporal o mendigo se sentir desconfortável em dormir no chão molhado, pode levar este pedaço de madeira para fazer de cama, também.

6 – A chave e as pedras em cima do expositor

6

Isto aí me lembrou uma macumba chique. Ninguém me engana, aquelas pedras empilhadas ali em cima são puro voodoo.

7 – Quadro negro 

7

O quadro, ali, todo em preto, com uns detalhes no que parecia ser uma cartolina daquelas dourada, que a gente brincava nas aulas de artes da escola. Foda, não?

8 – Quadro negro 2

8

E descontentes em deixar um quadro negro com cartolina dourada solitário, eles colocaram mais dois.

9 – O arame da TV 

9

Eu juro mesmo que, quando vi de longe, achei que fosse um apoio daqueles de televisão. Pensei “ih, vão erguer uma telinha aqui e passar uns vídeos, alguma instalação audiovisual, sei lá…“. Aí cheguei mais perto, li e percebi que a obra era isto mesmo.

10 – Os cones na tela branca 

10

Ta aí. Um quadro branco enorme, uns cones ali e uns fios que saiam do cone e ficavam no teto.

Aí depois dessa, eu vi um guia falando algo como “vocês não tem que olhar a obra, vocês estão DENTRO da obra…” ou qualquer coisa do naipe e cansei. Percebi que a Bienal é muito profunda para mim; não passei nas instalações do Gasômetro porque eram muito longes pra ver coisas assim e também não passei nas instalações da CEEE, porque o museu tava fechado. Tinha também uns filminhos de lava queimando (que pareciam um clipe de Pink Floyd), tinha um polvo gigante de mentira e morto, uns quadrinhos (que foi a coisa mais legal que eu vi) e uma TV velha desligada, com uma lata de lixo do lado. Muita coisa louca demais.

Mas não vou terminar o post sem antes deixar dois bônus, para quem viu tanta coisa linda aí em cima e quer ver mais coisa linda aqui embaixo:

Bônus 1:

– Labirinto de papelão

11

Eu vou falar a real e eu nem achei esta obra esteticamente tão grotesca. Mas, lendo a proposta, o cara pretendia recriar uma caverna, um treco meio labiríntico para as pessoas passarem por dentro e, porra, olha isso. Falhou miseravelmente.

Bônus 2:

– Toalinha no chão 2

12

Pois é, descontentes de deixar a toalinha sozinha, também, colocaram DUAS em DOIS museus DIFERENTES. Isto sim é transgressão.

E era isso, galera. Se você for na Bienal e entender estas paradas, pode postar nos comentários a sua explicação. Fui!

Anúncios

2 pensamentos sobre “10 obras da Bienal que eu não entendi

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s