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Lapadas do Povo – Raupp

Este é um daqueles bares insólitos que fica num lugar mais insólito ainda; você só vai entrar e dar atenção por algum motivo completamente estapafúrdio, fugindo da lógica e da realidade do seu cotidiano.

Você, caro leitor que é de Porto Alegre, sabe o que eu estou falando. Pois quem já passou pelo Menino Deus, ou mora por lá, sabe que em sua ampla maioria, o bairro é composto por velhos ricos. Um bairro relativamente caro, residencial e, como bairro residencial – ainda mais de velhos ricos – tudo é tranquilo e na paz, fora da rota de festinhas descoladas ou botecos tradicionais cheios de cachaceiros e operários. Aquele legítimo lugar da cidade que você sai na rua e vê várias pracinhas, tios e tias caminhando de tarde, galera passeando com cachorro aos montes, um que outro andando de bicicleta, parecendo um retrato perfeito da vida pacata do cidadão tranquilo e de bom humor na metrópole, que venceu as preocupações do caos da capital e está lá, sempre feliz com a tranquilidade típica do Menino Deus. Aquele tipo de bairro que serve de cenário pra fotos de eleição, pra mostrar como a cidade é bem sucedida e todo mundo é feliz e próspero, quase como nesta imagem aqui:

Um que outro ponto pululam com algo mais cativante mas, va lá, a concentração majoritária no bairro se dá por prédios residenciais e casas; todas de gente rica e de mais idade, já numa fase da vida aonde o repouso e a tranquilidade são fundamentais para aproveitar os momentos de descanso e mordomia. E esta era minha definição do bairro, como na imagem aí acima, da felicidade pacata da moça ao circular de bicicleta. Isto, claro, até conhecer o Raupp Bar e reconsiderar a cara dos botecos da região.

O Raupp fica ali na Getúlio e é impossível não se ver ou perceber; todo mundo que passa por lá – e é muita gente todo dia – já deve ter olhado pro estabelecimento cravado ali no meio da rua, quase numa esquina, dividindo as glórias com um antigo prédio não muito alto mas com uma entrada grande e pomposa. O Raupp não é pequeno, tem um baita letreiro enorme mas, confesso que pelo estereótipo do próprio Menino Deus, nunca tinha me apetecido pelo local. Pensava que era aquelas biroscas ruins de bairro, que todo mundo que mora perto vai por causa da comodidade de não se locomover grandes distâncias; aquele boteco meia boca que conquista uns clientes por causa da localidade e só, não tem nada de especial. Mas estava errado, redondamente errado.

Acabei indo com minha namorada e um amigo nosso. Estávamos lá porque meu amigo iria pra uma formatura depois e não podia beber por muito tempo, então fomos no Raupp justamente porque era perto pra todo mundo. Das opções da região, escolhemo-nos por causa da piada com o próprio nome, afinal, você conhece algum Raupp? Como tínhamos pouco tempo para beber e estávamos ali mesmo, beleza, sentamos e ficamos neste bar mesmo; mas com uma condição: queríamos conhecer o dono do estabelecimento com o nome tão singular.

Chegamos lá e estava quente, era uma tarde meio abafada daquelas que já parecem verão, acabamos ficando numa mesa na rua porque era melhor do que se socar dentro do boteco e passar calor. O bar tem uma meia dúzia de mesas que ficam na calçada (como dá pra ver na foto) e a parte grande é pra dentro, dividido através do caixa basicamente uma ala para a esquerda e uma para a direita, todos no mesmo nível do solo e espalhadas pelo salão. No começo eu não identifiquei muito bem o foco do bar, se era uma lancheria, buffet, petiscos, o que fosse. A casa parece meio que o Cavanhas – que todo mundo deve conhecer, né – e serve tudo ao mesmo tempo; você vai lá e tem xis, pizza, petisco, pratos, enfim, o que você quiser provavelmente é só pedir que o cardápio vai oferecer. Mas o mais importante: tinha cerveja e em bom preço. Isto já foi motivo suficiente para cativar.

Logo que começamos a beber e conversar, eis que, já de cara, aparece o dono…o tal do Raupp! Comentamos com ele, na brincadeira, se ele se chamava mesmo Raupp; em tom de comédia ele respondeu que sim, era ele mesmo. Não só isto, o Raupp dono do bar perguntou se também éramos Raupps porque, caso fossemos, ele nos convidaria pra festa dos Raupps, que rola todo ano no interior do Rio Grande do Sul. Achei que fosse piada, que ele estava tirando uma com a nossa cara, mas não é. Chegando em casa fui procurar e realmente, há UMA FESTA PARA PESSOAS QUE SE CHAMAM RAUPP (tanto nome quanto sobrenome). Veja abaixo e confira aí mesmo com os próprios olhos, a famosa RAUPPFEST:

Pois é, meu caro amigo, só por este fato, a noite já estaria completa. Saber de algo tão incrivelmente bizarro e genial ao mesmo tempo é motivo para alegrar qualquer um mas, não longe, havia mais surpresas por vir. Meu estômago vazio rolava e revirava de fome e conforme as cervejas entravam, minha vontade de comer qualquer coisa aumentava cada vez mais. Resolvi comprar uns pasteis porque a porção era barata, sem muita fé na qualidade mas foda-se mesmo, eram 8 reais a porção com 6, quanto tempo você não via um preço tão honesto em Porto Alegre? Isto já era motivo suficiente para consumir aquela porção, mesmo ruim, era barata pra caralho. Conversa vai, conversa vem, cerveja vai, cerveja vem, me aparece aquela porção maravilhosa, gordura escorrendo e o cheiro de fritura subindo, pastel de carne, pastel sincero, MUITO bom, tamanho médio, frito na hora, caseiro, há como não gostar? Há algum motivo para algum incrédulo chegar aqui e dizer que existe comida mais nobre e bonita que comida de boteco? A pedida do pastel foi tão boa que repetimos, pois era inviável desconsiderar a generosa guloseima novamente, ainda mais com um preço tão amigo.

Amigo também foram os garçons e o próprio dono, o tal do Raupp, que conversava com a galera na mesa, trocava ideia e ainda puxava assunto. Reclamou da inflação, contou que o filho estava de aniversário, puxou todo tipo de papo como se fosse cliente, não como se fosse dono. Simpático e gente boa, fazendo jus à casa e aos seus garçons, todos também gente boa e atenciosos. Aquele naipe de cantina gigante e “fria” foi logo acolhido pelo clima familiar de conversar com o dono, conversar com os garçons e, no final, todo mundo se tratar como igual.

As fotos não são dos pastéis, mas eles são bem parecidos com estes.

Comemos bem e bebemos bem; a porção valeu, a cerveja valeu e, não só isto, ainda gastamos bem pouco. Com as cervejas – que foram umas 4 ou 5 – e as duas porções de pastel, o total saiu em 48 reais; calcula issaê pra três pessoas, dá 16 por cabeça, comendo bem e bebendo legal. Isto que ainda bebemos a cerveja mais “cara” do bar, a Heineken; não fosse o nosso trato em esbanjar dinheiro, tinha saído ainda mais em conta. O lugar insólito valeu a descoberta, as dicas bizarras sobre Rauppfest valeram o bar; a curiosidade e a novidade provam que até no lugar mais estranho pode-se achar um bom boteco, afinal, quem esperaria algo assim naquela região da cidade? Fica a dica para quem estiver perto da Getúlio e estiver afim de beber ou comer, passe lá no Raupp e pode cair na esbórnia!

PS: Desculpe-me pelas fotos, mas não sei por qual motivo minha câmera resolveu não gravar as imagens, aí tive que improvisar com o que encontrei na internet. Quando passar lá novamente, atualizo com boas imagens.

Nome: Raupp Bar e Restaurante

Endereço: Avenida Getúlio Vargas, 693 – Menino Deus

Média de preço: 16 reais por pessoa tá legal

2 pensamentos sobre “Lapadas do Povo – Raupp

  1. Oi Lucas, me chamo Bruna Raupp e sou a filha do tal senhor Raupp, hahaha.
    Achei teu blog totalmente sem querer e adorei as considerações feitas ao nosso restuarante.
    Vou imprimir e mostrar ao meu pai.
    Continua frequentando o Raupp?

    1. Boa Tarde, Bruna;

      Passo as vezes aí, quando estou no Menino Deus; continua um dos meus bares preferidos e é um dos melhores petiscos da cidade – e um dos melhores preços!
      Pode falar pra ele, se mantiver o padrão que eu recebi nas vezes que eu fui, já garantiu um cliente pra vida toda!

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