Lapadas do Povo – Darci

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Daí que eu fui convidado para uma formatura no tal Bar do Darci. Sim, isto mesmo, uma formatura…no boteco. E nem estamos falando de um boteco “pé limpo”, bar de elite que ostenta a palavra “boteco” apenas no letreiro, mas que acaba não honrando o termo. Não, era um bar pé-sujo mesmo, classudo, daqueles com todas as indumentárias para dar orgulho em qualquer botequeiro (não confundam a palavra) do Brasil. Sem placas, sem logomarca, sem nada, a entrada era assim mesmo, como a foto aí acima: uma faixa qualquer e a promoção para o Natal, vendendo chester para os maiores aventureiros. Mas antes de chegar no estabelecimento em si, volta a fita um pouco…

Já fiquei contente quando fui procurar site, blog, qualquer merda de espaço virtual para achar o endereço do bar e, obviamente, não existia nada. A única maneira de conhecer/achar o botequim era pelo tradicional bate papo, de ter um amigo que conhecesse e indicasse o bar; novos clientes da casa só se formam com os antigos, afinal, fidelizando a clientela à moda tradicional. E comigo não foi diferente: não fosse o convite da formatura, eu sequer ia saber que este lugar existe na capital gaúcha. Pode adiantar a fita de novo…

O bar do Darci fica em uma rua quase na esquina com a Ipiranga, famosa avenida da capital, numa humilde casa antiga com um portão aberto que leva pros fundos, onde aparentemente seria uma porta de garagem ou qualquer coisa do tipo. Uma casa gigante dividida em dois espaços distintos para manter entretido os mais diferentes tipos de cachaceiros. O primeiro espaço, obviamente, nos brindando com a mais ilustre nata VIP da casa: um balcão gigante de vidro, expondo vários pastéis, coxinhas e outros salgados ou pequenos produtos industrializados para se comprar (vendendo fiado para os clientes mais antigos, muito justo), além de umas cachaças brilhando no fundo, ilustrando a harmonia entre os comes e bebes tradicionais para qualquer frequentador de bar, como manda manual do pé-sujo que se preze.

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Seguindo por este primeiro ambiente, passando pelo balcão e indo reto quase como num corredor, continua a casa até nos levar ao segundo salão, aonde se concentram as jogatinas. Tradicional, claro, não daria para desconsiderar a ala das apostas em um bar como este; o ambiente que os ânimos pegam fogo e os embates de sinuca dão o ar para os velhos botequeiros que lá perdem as horas da noite discutindo besteiras e encaçapando bolas, naquelas mesas que podem não ser retas, ou respeitar qualquer regra de medidas mas, ainda assim, garantem uma sinuca semi-honesta para os mais chegados:

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Depois de conhecer a casa com meu amigo, como nosso objetivo era comemorar a formatura, optamos por sentar na rua, em uma mesa grande da Skol para abrigar todos os convidados e aproveitar o clima de verão que acolhia o ar de sexta feira na cidade, no final do ano passado. Como o bar fica em um bairro residencial sem muito movimento depois das sete da noite, a tranquilidade da rua emana na região, apenas com pessoas circulando para suas residências e parando pra conversar com os vizinhos, antes de passar no Darci para tomar uma cerveja e voltar para casa. A opção pelas mesas fora do estabelecimento era uma boa pedida, ainda mais para agregar o clima de felicidade pela formatura com a possibilidade de interagir com o ambiente, com o pessoal que passava aqui e acolá caminhando na noite de verão. Bebendo cerveja e conversando, o tom da noite era aquele de descontração, embalados pela festa e pelo papo, potencializando o clima de botequim informal que o Darci permite. Um ponto ainda mais alto para o bar ficava a cargo do garçom (e, acho eu, que dono também), que era conhecido da maioria dos clientes e passava nas mesas circulando e conversando, puxando papo e animando todo mundo ainda mais. Talvez isto justifique a vontade de beber. Se os funcionários são gente boa, você acaba consumindo mais álcool para a alegria do bar.

Não só pelo ambiente acolhedor do estabelecimento, resolvi experimentar os quitutes do balcão porque estava morrendo de fome; muito embora o foco da casa parecesse ser a cerveja e a sinuca, resolvi me arriscar nos salgados porque a fome bradava mais forte e eu não conseguia me concentrar sem colocar algo de sólido no estômago.

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Escolhi experimentar um belo, grande e gostoso pastel de carne, que acompanhava muito bem com a cerveja gelada e, para minha grata surpresa, era muito bem feito, com um tempero caseiro e mostrando o esmero do estabelecimento em manter, também, uma grade de alimentos honesta e saudável, com boas opções para os corações famintos como eu. A surpresa de não estar num bar apenas pela cerveja e pelos amigos, mas também com boas comidas, foi um outro ponto alto para a noite. Acabei que, no final, comi uns 3 ou 4 pastéis, até acabar com as opções do balcão e não ter mais o que pedir. O preço também ajudava, com um petisco bem servido e de valor completamente honesto.

Sai de lá satisfeito com a grata surpresa do novo bar, com a quantidade de cervejas que bebi e pela comemoração da formatura. Uma boa noite descobrir, assim, aleatoriamente um ótimo boteco e que, além de tudo, foge do tradicional Centro Histórico da capital, ficando em uma região completamente inóspita e que eu nunca imaginaria encontrar algo de bom. Fica a dica para quem estiver pelas bandas, passe no Darci, coma um pastel, beba uma cerveja, jogue uma sinuca e aproveite a noite!

Nome: Bar do Darci

Endereço: Rua Santana, 912 – Floresta

Média de preço: 10 a 15 por pessoa, pra beber bem. E os salgados não passam de 1 a 3 reais.

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