E agora, José? Até que as diferenças nos separem

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Começou assim, tudo com um momento belo e histórico. O Brasil parou, o mundo viu e as coisas mudaram. Nem tanto quanto a gente esperava, nem tão pouco quanto alguns imaginavam. Mas a coisa continuou, como uma bola de neve, foi crescendo assustadoramente. Um “monstro” que a manifestação das passagens criou e não sabia mais domar. A coisa saiu do controle e o caminho era óbvio: diferenças. Diferenças internas, diferenças externas, violência, discussões, brigas e brigas. O que fazer, afinal? A esquerda – grande maioria no movimento – historicamente ligada ao povo, às causas sociais, às minorias excluídas, tenta, se esforça, mas não parece saber lidar com a situação; é engolida pela mensagem do senso comum e acaba forçando um discurso quase exclusivista e metalinguístico: o movimento que fala para o movimento. Com o aumento da heterogeneidade, a esquerda se perde. Excluiu-se no seu mundo e não sabe o que fazer. E agora, após o turbilhão da efemeridade, como agir, afinal?

A luta das passagens já existe faz anos. Os Blocos não se organizaram anteontem. Estão na briga faz muito tempo, como no caso de Porto Alegre, batendo na tecla dos aumentos e da máfia monopolista das empresa de ônibus, no mínimo, há uns 3 anos. Era sempre a mesma coisa: ninguém ligava; o grosso da massa cagava bonito. Você ia no Centro Histórico da cidade, estavam lá, aqueles mesmos 50, 60 malucos, todos bradando sobre os abusos do sistema público de ônibus, mas ninguém além deles mesmos dava muita bola para aquilo. O pessoal passava, pegava um flyer do movimento, trocava umas palavras com os caras, mas ficava nisto; não parecia ser uma causa próspera, mas a galera não se importava. Continuavam defendendo os seus e os meus direitos, benefícios para o povo. Muitos do que estavam lá vieram oriundos de outras causas sociais; vindos dos coletivos urbanos, DCEs, partidos de esquerda, um grupo de pessoas bem homogêneo, embora não se ache isso. Cumpria o papel pejorativamente conhecido como “esquerda acadêmica“: aquele grupo de indivíduos que estuda, vem de famílias com condições minimante estruturadas, faz faculdades em campos geralmente ligados à área de ciências humanas e participa ativamente da vida política de sua cidade, ora militando em DCEs, ora militando em partidos. Adotam uma vida de contestação participativa desde de cedo. Sua homogeneidade se dá, justamente, pela defesa de uma sociedade com ideais mais voltados ao socialismo. Estudam teóricos da área, leem muito e sabem argumentar sobre; a causa social é consequência de suas escolhas políticas, vendo o povo como um todo, igual nas suas diferenças, entendendo que o socialismo é o caminho da justiça moral e igualitária de uma nação.

Daí, este ano, a coisa começou a crescer. As manifestações começaram a lotar, em grande parte pelo absurdo aumento proposto pela ATP – na casa dos 15% – e que não condizia com a realidade de ninguém; nem daqueles 50 ou 60 malucos de antes, nem do resto da população. Aquele pequeno protesto que concentrava quase ninguém, ia aumentando. 2 mil pessoas, 5 mil pessoas, até chegar as 10 mil pessoas, no grande protesto em Abril. O Bloco manteve sempre sua mesma estrutura de organização: decidia tudo via assembleias aonde qualquer um poderia ir; era só chegar e dar seus pitacos. E a coisa continuou crescendo…roda viva, roda vida. O protesto saiu do regionalismo de Porto Alegre e chegou a São Paulo, embalado por uma faixa com os dizeres “vamos repetir Porto Alegre“, feita por um dos maiores coletivos urbanos do Brasil.

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Foi a primeira quebra de paradigmas deste momento histórico: os protestos deixaram de conter apenas as “mesmas figuras” e passaram a englobar, de uma maneira geral, a massa; uma massa ainda politizada, mas muitas vezes desligada da causa partidária, dos coletivos urbanos e dos DCEs. E o Estado passou a não entender muito bem como lidar com isso. Aquele grupinho de malucos que “não fedia nem cheirava” passou a movimentar mais gente, conseguia se organizar e lutar por uma causa; era algo inédito há tempos no Brasil. As manifestações brasileiras, por anos, estavam concentradas em pequenos grupos politicamente conhecidos, como a UNE, MST, CUT, sindicatos, entre outros; desta vez não, era um grupo autônomo e que aparentemente, embora a preferência dos movimentos de esquerda, não possuía uma base partidária definida. Era a primeira vez em muito tempo que um movimento realmente quebrava a barreira das “organizações” e tomava a rua motivado apenas pelo seu propósito de discurso: os 20 centavos da passagem. O Estado não soube responder, principalmente pela descentralização de lideranças e a linearidade da causa que, embora simples, não parecia estar ligada a exigências sindicais, que pudessem ser negociadas com líderes conhecidos dos partidos tradicionais; o Estado não sabia o que fazer. Aí chamou a PM pra baixar a porrada em todo mundo, em uma situação patética que se repetiu de maneira mais agravante – neste primeiro momento – em São Paulo e no Rio de Janeiro.

A notícia correu, indignou muita gente. Como se tratava de um “movimento das pessoas”, descentralizado e sem lideranças definidas, a informação logo se espalhou pela internet, como água escorrendo na chuva. Viajava por todo o Brasil o que havia acontecido no Rio e em São Paulo. As pessoas ficaram putas e queriam expressar suas indignações de anos de Estado ineficiente, sem que a PM resolvesse dar porrada em todo mundo aleatoriamente. O Bloco, os coletivos urbanos, os movimentos, as pessoas que antes encabeçavam os “grandes idealizadores” da manifestação com o tema sobre o aumento das passagens, agora eram esmagados pela informação em doses cavalares que vinha da internet. O movimento já não tinha “cara”, a “esquerda acadêmica” já não era maioria nas passeatas que ocorriam. Grupos paralelos como o Anonymous divulgavam outras causas, pessoas aleatórias divulgavam outras coisas e a manifestação tomava proporções grotescas. Aquela causa que era pelos 20 centavos, agora era engolida pelo slogan de “não é só por 20 centavos“. Pessoas compartilhavam informações e desinformações, a galera adotava slogans publicitários para inflar a indignação: #ogiganteacordou, #vemprarua, #changebrazil. Toda uma massa que nunca havia participado ativamente da vida política na sua região, agora aderia à luta. Bradavam que era uma causa “sem partidos”, que era pelo “Brasil e não por bandeiras“. A massa disforme foi pra rua e o Estado, ainda mais confuso, repetiu a ação anterior: mandou a PM bater em todo mundo e as cenas de violência se repetiram por todo Brasil. Mas, em alguns lugares, o povo revidou. Em Porto Alegre houve quebra quebra generalizado, no Rio invadiram a Alerj e em Brasília invadiram o Congresso. A coisa ficava feia e o Bloco já não tinha mais nenhuma autonomia do que acontecia, muito menos os partidos, coletivos urbanos, ou qualquer movimento anteriormente ligado ao protesto.

Aí a merda já estava feita. Cada um marcava um evento, o caos virtual já estava instaurado e o Bloco do Transporte era “só mais um movimento” no meio da onda de protestos, em sua maioria, completamente irrelevantes. Marcavam grandes eventos para o Brasil sob uma tutela ufanista e apartidária, aonde dominava o sentimento de ódio a qualquer causa social com uma bandeira definida. Davam porrada em militantes de partidos, davam porrada em sindicalistas, davam porrada em pessoas dos coletivos urbanos, davam porrada até em quem estava de vermelho, sob a pretensa aura de “apoiar o comunismo”. Não se sabia mais o que a massa queria e as pessoas bradavam por “mais amor”, “menos corrupção”, “Fora Copa”, ou qualquer coisa que lhes viessem a cabeça. As manifestações agora eram gigantescas, cogitavam 60 mil pessoas em Porto Alegre e mais de 1 milhão no Rio de Janeiro. Era um evento nacional; sim, um evento – não parecia mais um protesto – mas um grande Bloco Carnavalesco aonde cada um fazia a sua batucada, gritava a sua frase, falava o que queria e no final, como de costume, tomava porrada da polícia.

Os militantes da esquerda e os antigos participantes do Bloco do Transporte, quando ainda era pequeno, se sentiam acuados. Não entendiam muito bem o que estava acontecendo e como reagir a tudo aquilo. A primeira acusação surgiu: a direita estava despolitizando o protesto, justamente para dar um ar ufanista à causa e tentar um golpe de Estado, derrubando a então presidente Dilma e colocando um governo Militar novamente no poder. Ou, para os menos paranoicos, a direita estava despolitizando o protesto só para se apropriar do mesmo, para propaganda ideológica e garantir as eleições dos próximos anos, colocando candidatos do DEM, PSDB, entre outros, em um status de salvadores da pátria. Mas, não importando o resultado final, tanto para a esquerda partidária quanto para o Bloco, ficava claro o trabalho da direita em desvirtuar a manifestação antes construída, justamente para acabar com o “poder” que a esquerda constituía neste momento histórico do país. Mas a esquerda não ficou quieta e resolveu responder; estava na luta há anos, afinal, não poderia ser engolida por um discurso ufanista e genérico. O Bloco do Transporte era uma conquista deles e, como tal, deveriam brigar pelo mesmo. A esquerda como um todo se articulou, convocou reuniões e, em São Paulo, uma grande assembléia com 79 movimentos (entre eles estavam partidos, coletivos urbanos e sindicatos) foi feita. Decidiram que nos próximos “grandes” atos a esquerda ficaria unida, todos no mesmo espaço, defendendo uns aos outros para evitar ataques dos “sem bandeira”, fossem físicos ou morais. Neste meio tempo, rolavam infinitos protestos menores no Brasil, ligados a diferentes causas e diferentes grupos; muitos desses, acabaram em saques e furtos. Roubos de lojas de varejo, concessionárias, bares, carros, tudo. A mídia tradicional caia de pau, alegando que os protestos haviam sido tomado por “vândalos”, que “não eram mais os mesmos manifestantes” e que tudo estava fora e controle.

No Rio de Janeiro, um grupo saiu tocando o terror na Avenida Brasil, num arrastão sinistro. O BOPE respondeu da única maneira que sabia: subiu a favela pra matar. Perdeu um policial e se vingou. Matou 10 pessoas e, dentre elas, até o momento, 3 inocentes confirmados. A favela desceu em massa; o BOPE continuava ocupando e atirando, mas a voz da favela pressionou. Foram retirados os policiais do morro no grito. E a favela não ficou quieta: protestaram pela violência policial. Voltaram as ruas sob a tutela da frase “o Brasil acordou e a favela nunca dormiu“. Rocinha e Vidigal se uniram para marchar até a casa do governador Sérgio Cabral. Moradores de comunidades aonde ocorriam remoções forçadas por causa da Copa se uniram para marchar contra o governo e contra a Rede Globo, principal defensora das remoções.

Em Porto Alegre havia sido marcada uma nova manifestação. Tida como “ato cultural”, desta vez, ninguém andaria para lugar nenhum. Seria quase como uma festa, com shows, conversas, um evento em torno da Praça da Matriz. Paz e cultura era o mote, evitar o confronto com a polícia e poder dialogar com o governador Tarso Genro. Tudo ocorria de maneira clara, consciente e calma, até um grupo gritar que “protesto não é festa“. O clima esquentou, a PM deu porrada, novamente, em todo mundo. E a cidade foi tomada pelo caos. Saques, depredações, carros quebrados. A mídia tradicional clamou, o governo clamou, as pessoas gritavam. Até os mais abertos caiam no discurso da mídia de massa tradicional: não eram mais os mesmos manifestantes, mas bandidos disfarçados para aproveitar o momento e roubar. A manifestação foi desinflada, engolida por um discurso comum, alegando que, se caso houvesse “vandalismo”, a causa perdia seu valor. E as manifestações começaram a diminuir, dando lugar a pequenos protestos específicos em todo o Brasil: os caminhoneiros que paravam rodovias, os médicos que protestavam pelo sistema de saúde, as favelas que continuavam protestando pela violência policial. Os antes numerosos protestos, que chegaram a reunir mais de 1 milhão de pessoas – como no caso do Rio – voltavam a dar espaço a pequenas manifestações, com 300 a 2 mil pessoas.

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Passaram-se os dias e, em nova reunião, o Bloco do Transporte de Porto Alegre decidiu continuar a luta apoiando a causa dos moradores da Vila Tronco, fugindo do estereótipo Central da cidade e ampliando a luta para comunidades carentes afetadas pela Copa, saindo da óptica apenas do transporte público e das passagens. Até o momento, cerca de 3 mil pessoas confirmaram a presença no evento que ocorre amanhã (dia 04/07/2013), sendo um dos eventos de menor adesão do público até o momento em que os atos disparam no Brasil. Editado dia 05/07/13: o protesto ocorreu e contou com cerca de 400 a 600 pessoas. O número mais baixo de manifestantes até o momento, desde os atos realizados antes de abril.

Alguma coisa deu errado. Ou certo. O que foi, afinal?

É claro que a minha ideia de trazer um breve resumão de tudo não foi em vão, mas para discutir estes pontos em questão. O que fizemos? O que conquistamos com este momento histórico e onde erramos?

O primeiro ponto a se destacar é, por óbvio, a força da esquerda. Não a esquerda governista e tradicional, ligada ao PT e PCdoB principalmente, que no momento atuam forte na política de manter o mesmo discurso ultrapassado do país; esquerda governista, esta, ligada a grupos de empresários e ao sistema político arcaico brasileiro, que ficou restrita ao papel, a impressão de fatos passados simbólicos, que não condizem mais com sua realidade. Temos de elogiar a esquerda que continua revolucionária, aqueles partidos e movimentos que continuam contestadores e buscando um ideal, ainda que utópico, de igualdade socialista. Partidos como PSTU, PSOL, PCO, assim como coletivos urbanos como Juntos!, além de outros movimentos que, lá atrás, foram os responsáveis por impulsionar a revolta que tomou conta do país e, antes de todo mundo, já estavam na briga por direitos igualitários para a população. Além deles, claro, há o trabalho dos grupos anarquistas que, também, apoiaram e participaram dos protestos em massa, contestando principalmente nosso modelo de sociedade atual; embora não se apeguem a bandeiras partidárias, ainda assim, os anarquistas foram grandes responsáveis pela divulgação e crescimento do movimento, principalmente por sua força de discurso intransigente e com o uso de propaganda pelo ato, incluindo nisto a força dos Black Blocs.

Não fossem estes grupos, as mudanças sociais ocorridas nos últimos tempos não existiriam de forma alguma. A importância ideológica da esquerda e de seus movimentos foi, invariavelmente, um fator crucial para todo o momento histórico que vivenciamos. Claro, esta esquerda impulsionada pela suas novas vertentes e, principalmente, por aqueles movimentos que concentravam o maior número de jovens; nesta óptica, a “esquerda acadêmica”, citada lá no começo do texto, foi o fator motriz pra alavancar os protestos no país. Justamente por representar o “lado jovem” da esquerda revolucionária, um processo de renovação em um movimento que, para a opinião pública, estava obsoleto e desgastado, a “esquerda acadêmica” foi crucial para a motivação das massas, num primeiro momento; foi a partir dos coletivos urbanos, DCEs e afins que se articulou a luta.

Atribuir a ebulição social para uma indignação popular genérica, ou a própria direita, é de muita má intuição. Enquanto ninguém fazia nada, lá estava a esquerda (e principalmente, a “esquerda acadêmica”) exercendo o direito de protesto, de se indignar e lutar por seus objetivos. Não foi a internet e tão pouco algum movimento virtual criado nela – como a Veja tentou publicar, pra variar, distorcendo tudo – que impulsionou as manifestações do país. Muito menos a direita que, até o momento, estava dispersa em antigos partidos tradicionais perdendo adesão, como o PSDB, além dos “novos” (nem tão novos assim, né) partidos que não fedem nem cheiram, como DEM ou PSD. Foi a força e a consistência da esquerda que manteve uma luta de causa uniforme e focada em busca de direitos definidos por estratégias. Claro, a internet teve papel de divulgação, mas não foi o fator primordial para a movimentação; funcionou como importante ferramenta, mas não como importante motivador. Não fosse a luta da esquerda indo às ruas e a violência policial do Estado burro, provavelmente teríamos repercussões diferentes de tudo que ocorreu, não impulsionando o movimento a ponto de romper as barreiras partidárias e, mais tarde, incluir indivíduos que não estivessem ligados à própria esquerda.

Prova disto foram os próprios movimentos oriundos da internet que, há anos, tentavam movimentar grandes massas e nunca conseguiam. Devido a falta de motivação política dos mesmos, os movimentos giravam exclusivamente no próprio mundo virtual, sem sair dos grupos sociais que estavam inseridos, como Facebook (compartilhando fotos), ou blogs e vlogs. Com a força criada pelos movimentos de esquerda e, a partir deles, foi possível que as ferramentas de internet pudessem tomar forma no mundo real e, desta maneira, utilizar a conquista popular da esquerda para tirar tudo do papel; ou, tirar tudo da tela.

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Mas nem tudo são flores. E é por isto que, abaixo, me dedico a fazer uma pequena análise dos erros cometidos pela própria esquerda. Não vou nem comentar a participação da direita oportunista, ou dos manifestantes genéricos porque, obviamente, a força deles é completamente indiferente para análise do contexto social, do erro de ações que quero discutir. Claro, há a força numérica da massa despolitizada, mas a análise que pretendo fazer não está ligada a este fato; desta forma, comento o que observei nestas semanas, colocando em cima da mesa os erros que evidenciei por parte da própria esquerda e, principalmente, por parte da tão depreciada “esquerda acadêmica“; sem mais delongas, segue:

A inocência motivadora e ideológica da esquerda – e, principalmente da “esquerda acadêmica”- não permite para a mesma vislumbrar questões importantíssimas para o crescimento dos movimentos, em um sentindo propagandista popular para as massas, para atingir uma grande quantidade de indivíduos que não compreendam o próprio discurso dos movimentos sociais inseridos no processo. A “esquerda acadêmica” se liga fortemente apenas ao debate intelectual, as questões da pluralidade de participações (através de assembleias) nas votações, mas não vislumbra a importância de alianças estratégicas (principalmente fora dos seus nichos de segurança, como movimentos sociais similares), de ações taticamente planejadas e acredita em uma organização quase biológica, criada pelo povo a partir dele mesmo, de uma maneira orgânica e sensata; e, através disto, peca em alguns pontos – 5 deles, eu gostaria de debater.

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1 – O primeiro ponto ficou evidente quando houve a adesão massiva de pessoas não ligadas à causa partidária e principalmente com opiniões diferentes à ideologia da esquerda. Era notório que a inserção de grupos despolitizados e apartidários iriam, num primeiro contato, criar um confronto natural com todo e qualquer tipo de “bandeira política” presente nos protestos; isto porque, para a opinião pública, há descrença total no sistema político brasileiro que, de uma certa forma, leva o povo a não acreditar em NENHUM partido, seja lá o que ele representar. Então é meio que óbvio que, não importa quem fosse, os manifestantes apartidários iriam reprimir tudo aquilo que representasse simbolicamente uma questão de política tradicional, como bandeiras ou camisetas de grupos específicos; principalmente de grupos ligados ao socialismo, justamente pelo medo de um suposto golpe de Estado stalinista, comum na crença da opinião pública.

Nesta realidade hostil por natureza, o ponto mais importante para a adesão e contato da esquerda com a massa despolitizada seria encontrar um objeto de gosto comum para a maioria, um “meio termo” aonde todos concordassem. Partindo disto, a esquerda poderia explorar este ponto de concordância para elevar suas opiniões sem ser excessivamente invasiva – como no caso de levantar bandeiras ou faixas expressamente políticas – utilizando como base uma propaganda ideológica quase subliminar, de ESTAR presente, SE FAZER presente, mas não parecer escrachadamente presente. Um exemplo palpável para isto: ao longo das manifestações, os grupos de esquerda (coletivos urbanos, sindicados e partidos) eram os que, na medida do possível, possuíam bandas e músicos mais organizados e mais ensaiados, sendo o “centro musical” de todos os protestos. Por isto, deveria pela lógica mais básica, utilizar as próprias bandas oriundas dos Blocos como discurso propagandístico, reunindo a massa ao através das músicas, das batidas, de uma maneira popular e abrangente, unindo diferentes grupos apenas pela questão musical em si, da representatividade cultural do próprio “argumento carnavalesco” na sociedade brasileira; e, a partir daí, usar união em volta da(s) banda(s) para convencer a massa sutilmente de que havia um discurso, uma mensagem antiga que o próprio grupo, através da canção, já estava há tempos divulgando. A utilização da música, através da cultura popular, funcionaria como um meio muito simples para o clamor da opinião pública que, se sentindo inserido por uma consolidação social e cultural brasileira, estaria presente e ativa, de alguma forma, no “nicho” apresentado pela esquerda, mesmo sem perceber diretamente.

Mas, ao invés disso, os coletivos urbanos e o próprio Bloco adotaram uma postura excessivamente propagandística, carregando estandartes e bandeiras dos próprios movimentos nas bandas, cantando músicas ligadas de forma descarada aos movimentos sociais de esquerda, o que não agregava valor a questão musical dos Blocos em si, porque já ficava pejorativamente marcado pela simbologia do partidarismo tradicional. As baterias e as bandas ficavam cercadas de indivíduos puramente ligados à causa partidária e perdiam o fator cativador da música popular, da manifestação popular, sem agregar novas pessoas que lá estivessem mas, ainda assim, não compreendessem num primeiro momento a mensagem da manifestação, podendo ser levadas pelo discurso subliminar de uma mensagem diluída em um estereótipo nacional, disfarçado pela leveza da propaganda sutil.

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2 – A esquerda atacou desnecessariamente muita gente que não entendia “a causa” em um contexto politico discursivo. Ao invés de tentar dialogar com a massa despolitizada e muitas vezes desprovida de conhecimento prático da necessidade de manifestações com objetivos traçados, a esquerda – antes mesmo de ser atacada fisicamente ou moralmente – já adotava uma postura defensiva e excessivamente pejorativa em relação a todos que não concordavam com seu discurso; mesmo aqueles que, por mera inocência intelectual, não entendiam as questões na mais pura simpleza de sua ignorância. Aqueles indivíduos que, por falta de educação acadêmica ou leitura política, não entendiam a necessidade de objetivos traçados, causas definidas e “porquês”, que a esquerda logo tratou de se afasta-los, dando apelidos completamente pejorativos como coxinhas, direitistas, fascistas, pró-golpe, entre outros.

Muitas destas pessoas efetivamente nem eram ligadas a causa definida pelos apelidos em questão, muitos não apoiavam golpes, nem partidos de direita, nem coisas do tipo. Eram anônimos, genéricos que, por uma novidade de argumentação política (os protestos que aconteciam e eles QUERIAM participar, fazer parte do momento), aderiam a manifestação mas não entendiam a necessidade de lidar com realidades partidárias e/ou movimentos necessários para impulsionar as mesmas. Ao invés de procurar o diálogo, logo se fez questão de estabelecer os limites entre a esquerda e o resto do mundo; o velho “nós e eles“, aonde a  esquerda alegava que todos que discordavam dela eram, invariavelmente, burros de alguma forma.

Este tipo de comportamento peca por não perceber a necessidade da aderência de mais pessoas ao diálogo, principalmente para inflar a causa numericamente e, através da pressão pela maioria, a necessidade de conseguir um maior contingente para a manifestação, acuando o Estado que não sabe agir com protestos maiores. Se formos centralizar toda manifestação em torno daqueles que já conhecem a agenda dos movimentos previamente, basicamente não veremos os movimentos crescendo de maneira significante, produzindo apenas passeatas insignificantes e que nem sequer conseguem parar o trânsito de uma rua, de maneira que acabam não atacando o Estado em nenhuma esfera de sua produção econômica ou legal, sendo uma manifestação completamente inofensiva. A realidade daqueles “poucos malucos” que ficavam ali no Centro Histórico volta a ser uma constante, na medida em que novos membros não participam da causa e acabam não inflando os protestos futuros.

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3 – A necessidade de agilidade dificultou a mobilidade da “esquerda acadêmica” que, por muitas vezes, dada a necessidade da pluralidade em suas votações, não conseguia se organizar rapidamente, sem montar assembleias e/ou outros eventos públicos que dessem a todos a oportunidade de opinar. A falta de líderes estabelecidos e reconhecidos como tais acabou “prendendo” a organização básica dos Blocos e das manifestações.

Num sentido ideológico, um movimento sem líderes e “de todos” é mais sadio e justo pela sua igualdade óbvia entre todos os envolvidos. No entanto, no mundo virtual – principalmente – a informação é repassada em velocidades assustadoramente rápida, o que acaba dificultando o debate em determinadas situações. Em alguns momentos específicos, enquanto a esquerda ainda organizava assembleias para decidir coisas básicas, algum grupo no Facebook já havia sido criado e repassado para as massas, propondo ações muito mais ágeis e compreendendo a velocidade e efemeridade da opinião pública. Do modo mais simples, a massa seguia aquele que “estivesse lá primeiro” e que, muitas vezes, após o grande “boom” das manifestações brasileiras, acabou não sendo a esquerda, ficando para trás em suas próprias políticas ideológicas organizacionais. O diálogo, ferramenta muito importante, as vezes deve ser suprimido pela necessidade de uma ação rápida e, sobre esta óptica, é importante revelar lideranças definidas, que tomem decisões pela maioria sem a necessidade de reuniões ou conselhos. Desta forma, a esquerda poderia evitar a dispersão de informações e agilizar organizacionalmente as suas decisões que, por vezes, demoravam mais de uma semana para saírem do papel.

Não só isto, houve um argumento contraditório no evento de quinta passada, evidenciando a necessidade de líderes pré-estabelecidos. Quando o governador Tarso Genro “chamou o Bloco para conversar”, claro, até por uma questão de espaço físico, houve a necessidade de escolher alguns “representantes que falassem pela maioria”, levando as pautas do movimento para o próprio governador. Ora, se no momento mais importante desde o surgimento do Bloco há a segregação natural entre líderes x manifestantes (ainda que eles fossem apenas representantes, ali, desempenhavam sim o papel de liderança), por que não conciliar líderes em outros momentos de menor importância? É preciso uma semana para se decidir o itinerário de um protesto, ou algum grupo de líderes poderia fazer isto com uma pauta elaborada pelos mesmos?

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3.2 – Oriundo da falta de lideranças e da demora de informações, o movimento passou a se articular em uma microesfera, ou seja, dialogando apenas aquelas pessoas que já conheciam a causa de longa data. Ou por amigos, ou por outros contatos, ou por alguém que informava, os movimentos não eram vistos como movimentos naturalmente populares, mas como “um grupo de pessoas características” e, desta forma, falharam em poder disseminar seu discurso e, principalmente, suas questões políticas. O discurso do transporte foi rapidamente engolido por outras causas que logo se sobrepuseram pela força de motivações genéricas, na medida em que, estes grupos aleatórios, mesmo com pautas fracas e pouca objetividade política, ainda assim, concentravam suas decisões em poucas pessoas, que conseguiam definir tudo mais rápido e repassar à grande massa um fluxo de informação muito maior que os Blocos ligados à “esquerda acadêmica”.

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4 – A heterogeneidade da “esquerda acadêmica” ficava reclusa ao próprio discurso ideológico das causas que defende, mas não se apresenta na prática da pluralidade de indivíduos do movimento em si. Ou seja, quando se constrói o próprio argumento ligado ao discurso socialista, há a lógica aceitação da massa proletária oprimida, não importando a que grupo social ela pertença. No entanto, quando a “esquerda acadêmica” constrói o movimento, busca uma homogeneidade – feita através de simbologias claras – que identifiquem o grupo como uma unidade bem singular e preocupantemente exclusivista. Acaba retirando todos aqueles que não pertencem ao próprio discurso ritualístico do universo inserido na própria “esquerda acadêmica” em si. Digo isto porque fica evidente o perfil buscado pelo movimento aonde, inclusive, eu dei uma breve explicada no começo do texto: “aquele grupo de indivíduos que estuda, vem de famílias com condições minimante estruturadas, faz faculdades em campos geralmente ligados à área de ciências humanas e participa ativamente da vida política de sua cidade, ora militando em DCEs, ora militando em partidos. Adotam uma vida politicamente participativa desde de cedo. Sua homogeneidade se dá, justamente, pela defesa de uma sociedade com ideais mais voltados as ideias socialistas. Estudam teóricos da área, leem muito e sabem argumentar sobre; a causa social é consequência de suas escolhas políticas, vendo o povo como um todo, igual nas suas diferenças, entendendo que o socialismo é o caminho da justiça moral de uma nação“.

A própria foto acima – a reunião do governador Tarso Genro com os representantes do Bloco – deixa claro que as lideranças simbólicas do movimento correspondem ao esteriótipo evidenciado por mim. Todos jovens, universitários, em sua maioria brancos e de classe-média, com algumas características ritualísticas da própria simbologia da caricatura de uma esquerda estereotipada, como as camisas dos movimentos sociais, ou de Che Guevara, assim como o visual físico também sempre semelhante: ora com uma barba por fazer, ora com dreads, ora com alguma característica que evidencie o seu desapego aos padrões lógicos do corporativismo escrachado, com as roupas demasiadamente sociais. Ou seja, representam uma causa que, na teoria preza pela heterogeneidade, mas na escolha de representantes apresentam indivíduos que, em sua maioria, aparentam todos as mesmas características. E, inclusive, pertencem todos a uma realidade social semelhante.

Esta questão pode parecer pequena aos olhos do próprio movimento, que alega ser “de todos e para todos”; mas em uma visão de macro-ambiente podemos notar a falta de tato dos envolvidos no próprio Bloco, justamente por não buscar alternativas que conversem com toda a sociedade – heterogênea e diferente em seus grupos sociais.

Isto ficou ainda mais claro, principalmente, no ato cultural de quinta passada. Dentre as bandas escolhidas para representar a causa, novamente, pensarem em músicos para um nicho social específico. O indie samba-rock, ou o próprio rock oitentista, figuras constantes nas músicas tocadas no ato, falavam muito mais com os próprios representantes do esteriótipo da “esquerda acadêmica” (ou da própria classe média) do que a massa heterogênea e principalmente ligada à periferia ali presente. Esta relação exclusivista nos explica, inclusive, o porquê de em um determinado momento aquela mesma massa oriunda da periferia gritar que “protesto não era festa“. Isto porque, em uma visão lógica, aqueles que lá gritavam não estavam sendo representados pelo ato cultural e pela escolha das lideranças simbólicas que, pela própria falta de tato, não perceberam as nuances da necessidade acolhedora de um movimento que falasse com diferentes grupos sociais de uma maneira mais aberta e natural, principalmente nos seus símbolos mais básicos.

Quando vemos a esquerda, da mesma forma, ironizando todos aqueles que tem desconhecimento da causa partidária (pelos apelidos pejorativos anteriormente citados, exemplificados no item 2), vemos que esta atuação justifica o fato de que a própria esquerda não pretende conversar com aqueles que, de alguma forma, possuam uma rede de simbologias que fuja ao padrão do próprio movimento. A heterogeneidade está no discurso socialista, mas na prática do mesmo, a esquerda brasileira – e principalmente a “esquerda acadêmica – busca uma homogeneidade que acaba prejudicando a expansão da sua mensagem para mais pessoas e mais grupos sociais e culturais.

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5 – Por último, vemos uma mistura de ações que, embora o valor louvável de sua justificativa, ainda assim, possuem um caráter divisor para os manifestantes, que acabam confusos na atuação e discurso do movimento. As últimas escolhas de ações do Bloco, inclusive, deixaram evidente estas questões.

Quando vislumbramos que, dentre toda realidade política atual, o prefeito Fortunati e sua bancada de vereadores continuam irredutíveis em combater a máfia dos transportes, a primeira afirmação que surge é: devemos focar nesta questão para que ela seja combatida, afinal, esta é a batalha primordial da causa e do próprio BlocoCriamos a luta dos transportes para isto e queremos ver os resultados práticos destas ações!

No entanto, o próprio Bloco, ao invés de focar na causa prioritária de sua própria existência (combatendo a visão política do opressor intransigente, representado aqui pelo prefeito e sua corja que defende a máfia do transporte público), opta por “mudar” os objetivos da manifestação para um ato mais complexo, levantando as questões morais sobre as remoções oriundas da Copa do Mundo, em um momento em que ficou claro a má-fé dos administradores públicos e o descaso com o transporte. Poucas horas antes da escolha pela manifestação na Vila Tronco, inclusive, os vereadores da capital arquivavam todas emendas populares ligadas à transparência do transporte público, mostrando que NADA na causa primordial defendida pelo Bloco do Transporte estava resolvido. Neste sentido, o Bloco preferiu, ao invés de focar na linearidade de um discurso – a questão do transporte – abrir duas frentes de trabalho, lutando pela questão prioritária do próprio movimento MAS TAMBÉM adotando a luta oriunda das remoções da Copa. E isto é muito complicado, principalmente na produção de mensagens concisas e coerentes, seguindo uma linha de pensamento lógica e de fácil entendimento, principalmente para a opinião pública.

É evidente que, sim, há de se pensar nos problemas gerados pelas remoções e, inclusive, eu sou um dos que mais apoio as comunidades prejudicadas pelas imposições criadas pelo Estado opressor (como a minha gigante batalha em defesa dos moradores do Horto), assim como é louvável a luta diária dos moradores da Vila Tronco para garantir sua dignidade; mas pensando em uma visão tática, oriunda da própria organização política e ativa do movimento, uma mudança brusca, tanto em itinerário quando em discurso, dentro de uma causa que ainda não foram conquistadas todas bandeiras (como ficou claro na votação da Câmara dos Vereadores), gera uma instabilidade motivacional nos próprios manifestantes; ficam sem entender a quem ou o que estão representando, questionando se o Bloco fala POR eles ou USA eles para falar o que bem entende. Em uma mudança de lados, seria a mesma coisa que os movimentos criados contra as remoções da Copa, de uma hora pra outra, parassem de falar sobre isto e resolvessem mudar para a causa dos transportes, em uma situação análoga ao que o Bloco do Transporte acabou fazendo.

A escolha de objetivos traçados e bem alinhados, buscando a resolução dos mesmos para partir posteriormente para novos horizontes, é fator fundamental na luta, inclusive, impedindo que informações paralelas surjam. A atuação em diferentes campos e diferentes discursos acaba, de uma certa forma, funcionando como os tão criticados movimentos genéricos, que acabavam falando de tudo e nada ao mesmo tempo. E é por isto que é importante, para o Bloco, focar em uma luta definida, uma pauta linear e que englobe um discurso simples e lógico para o movimento.

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É evidente que este momento brasileiro ficará marcado na história social do Brasil em diferentes formas; seja na mudança, na atitude, na política, alguma coisa aprendemos. Vimos que temos força popular e que manifestações ocorrem no Brasil, mesmo para aqueles que outrora desprezavam protestos. Não são apenas críticas a se fazer, tampouco ignorar a ebulição social que vislumbramos no país. O povo tem a força e descobriu, seja pela esquerda, pelos “coxinhas”, pela periferia, quem for, a heterogeneidade parou o país pela mesma questão: estamos insatisfeitos. Talvez não saibamos com o que, ou nem bem o porquê, mas ainda assim, não gostamos dos rumos da nação e como a política (não) abrange a opinião da maioria da população.

A minha ideia com o texto é, justamente, tecer uma pequena análise aqueles grupos de indivíduos que puderam fomentar este momento, a esquerda que foi a força básica para a movimentação que ocorreu no país; não estou aqui querendo colocar que há só “erros” no trabalho dos mesmos – como antes disse, afinal, foram eles que encabeçaram a luta – mas também devo reconhecer que, dentre os grupos, há questões a se estudar e melhorar num futuro próximo, para continuar vislumbrando o crescimento das manifestações no brasil, de uma maneira objetiva e mais coerente, atendendo as demandas da população e buscando resultados reais e palpáveis. A crítica constrói um paralelo fundamental na organização e na avaliação de questões fundamentais, na medida em que estrutura uma visão de um agente externo a um grupo que, por muitas vezes, não consegue visualizar seus erros internos, porque tem seus indivíduos presos a mensagem do próprio grupo, não conseguindo observar pequenos problemas pela “miopia” da emoção de sua inserção em uma causa maior.

Aonde vamos parar? Não sei. Erramos? Muito. Acertamos? também. Resta saber se somos capazes de corrigir nossos erros e impulsionar isto para novas lutas, ainda mais objetivas, inteligente e centradas. E agora, José, o que faremos? Pensar. A tática é um fator fundamental para o crescimento de uma luta política. Organizar e traçar metas é um dos maiores deveres daqueles que buscam o crescimento social. Não só a irracionalidade passional da efemeridade pública, é dever sentar e avaliar, entender e analisar todas as nuances necessárias para alavancar novos meios de buscar os nossos resultados. Teremos condições de reavaliar nossas diferenças? Teremos condições de corrigir nossos erros? E agora, José?

Boa Noite

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Um pensamento sobre “E agora, José? Até que as diferenças nos separem

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