A voz da razão

14988009

Longe de mim querer ser o arauto da tragédia, mais uma vez. Alias, como eu bem disse no dia 28 de Janeiro deste ano: não estamos falando de tragédia, mas de irresponsabilidade. Mesmo assim, não quero carregar os frutos da árvore podre do governo e ficar fazendo jornalismo de sangue, contabilizando corpos somados pela negligência. Lembro que no mesmo artigo, um dia depois, eu escrevi a seguinte passagem:

Não precisou nem uma semana, nem mesmo um dia, para eu confirmar o que eu postei ontem na madrugada. Em poucas horas, as atitudes de todos aqueles que deveriam presar pela segurança (mas não o fizeram), o desespero em tentar parecer sério e preocupado, ou ocultar provas, ou aprovar qualquer tipo de medida às pressas para “evitar que outra tragédia ocorra“, são as maneiras mais hipócritas de disfarçar o erro deles próprios, cobrindo tudo com um imenso véu de seriedade forçada. Este tipo de atitude só garante o que anteriormente eu tinha dito: por que a fiscalização em massa ocorre DEPOIS do acontecido? Porque precisa dar uma merda gigante pra, aí sim, rolar uma união entre prefeitura, deputados e agentes para fiscalizar as boates do Brasil? É preciso morrer 230 pessoas pra se tomar alguma atitude?

E digo mais: daqui a 6 meses, lá pelo meio do ano, os mesmos órgãos que agora estão tentando fazer tudo parecer sério e cheios de preocupação, sequer vão se importar com o fato de milhares de casas noturnas irregulares continuarem abertas. Podem apostar.

14988069

Errei por pouco, subestimei a morosidade daqueles que governam as terras tupiniquins. Não foram necessários os 6 meses que eu citei. Em 5 meses, aproximadamente, tivemos mais um espetáculo de horror em uma casa noturna gaúcha. Por sorte e ironia do tempo, desta vez vazia. Ninguém morreu; mas a irresponsabilidade continua existindo. Se em menos de 6 meses tivemos duas casas pegando fogo e quase 300 mortes, o que esperar em 2 anos? Com a patética atuação da política nacional, é difícil não esperar dê mais merda num futuro próximo. Como eu bem disse, é só questão de tempo.

A pergunta que não me cala é uma mera questão de consciência moral: ou eu sou Mãe Diná e consigo prever o futuro, ou a fiscalização brasileira é tão patética que um simples cidadão (como eu), sem nenhuma formação em segurança predial, consegue tirar conclusões precisas de como os órgãos de Estado atuam.

Qual é a resposta mais cabível?

Para quem não está entendendo nada, só clicar no link aí.

Anúncios

Um pensamento sobre “A voz da razão

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s