Mesmo peso, duas medidas

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Quem já vem acompanhando o blog faz tempos, viu toda a defesa que eu fiz sobre os moradores do Horto, no Rio de Janeiro. Foram muitas informações, muitos pontos debatidos e muitas acusações; no entanto, muitas das coisas que eu falava ali, embora fossem de conhecimento popular, nunca efetivamente puderam ser provadas. Por diversas vezes eu alegava que o governo era classista e que a Globo fazia campanha contra os moradores, mas com poucas provas sobre o fato em si. Era aquele tipo de coisa que todo mundo sabia, mas não havia nada claramente documentado. Mas, felizmente (ou infelizmente, dependendo do ponto de vista) isto mudou. Resolveram escancarar a falcatrua e a coisa tomou proporções tão ridículas, que não há mais como esconder a má intenção de Paes/Cabral, Rede Globo e seus amigos.

Na última semana, foi capaz de se perceber declaradamente que o governo do Rio de Janeiro não liga muito pra esta coisinha chamada legislação, que liga menos ainda pra outra coisa chamada moral e que, além de tudo, ignora também uma terceira coisa chamada justiça. Todos nós tivemos o desprazer de ver Eike Batista e seu grupo entrando irregularmente no processo de uma licitação, aonde ABERTAMENTE se sabe que ele teve informações privilegiadas – afinal, foi o consórcio dele que viabilizou o estudo para privatização do Maracanã – e, mesmo assim, o governo permitiu a entrada do cidadão, em um ato que não só corrompe a legalidade, mas também a moral e a justiça do Estado carioca, podre em essência. Ficou mais do que claro que não estamos falando de um governo íntegro e que preza pela honestidade.

Mas, outro caso ainda mais bizarro do governo passou completamente em branco, não fosse uma pequena (e insossa) coluna no Globo, que acabou colocando a informação após muito tentar ignora-la. Aquele mesmo jornal que fez campanha contra os moradores do Horto, inclusive com uma falsa alegação de bomba – desmentida menos de 24 horas depois – ignorou completamente uma situação igual a das remoções do Horto Florestal, mas, neste caso, envolvendo as ricas mansões do condomínio Canto & Mello:

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Sim, meus caros amigos, desta vez eu nem vou entrar nos pormenores do fato de que, por mais de CEM ANOS, os moradores do Horto estão na comunidade, que moram ali MUITO antes de se imaginar qualquer estudo de viabilidade e delimitação do parque Jardim Botânico, porque eu já comentei isto aqui, aqui, aqui e aqui. O que venho questionar hoje, curto e grosso, são duas coisas:

1 – Para a Globo: Por que há um empenho exacerbado em contar o caso dos moradores do Horto, sempre frisando nas reportagens a palavra “invasores”, mas no caso do condomínio Canto & Mello, quando muito, vimos apenas uma informação no blog do Ancelmo Gois? Por que o caso do Horto Florestal já foi capa de notícia por mais de uma vez, durante poucos meses, mas o caso Canto & Mello passa em branco? Será que o fato dos moradores do Canto & Mello incluírem a elite carioca, como estilistas famosos e, inclusive, o cineasta Walter Salles, isto não merece maior destaque? Será uma simples questão de classes, queimar os pobres e proteger os ricos? Ou é uma estranha e misteriosa coincidência que a notícia do Horto gere muito mais termos pejorativos e empenho nas publicações do jornal? Isto é imprensa imparcial?

2 – Ao governo carioca: Na medida em que os moradores do Canto & Mello não serão despejados, porque os moradores do Horto correm risco de despejamento? A alegação de que é muito dano ao ambiente a derrubada de 26 casas – como no caso do Canto & Mello – não é válida para a retirada de quase 600 famílias do Horto Florestal? Ou seja, 26 > 600? A derrubada das casas das classes baixas não apresenta nenhum dano a ninguém, mas a derrubada das casas dos ricos representa um dano considerável? Por que foi proposto aos moradores do condomínio Canto & Mello o reflorestamento da área afetada, mas no caso do Horto Florestal não? Porque há remoção das classes pobres e não há remoção das elite carioca? Por que há um empenho em acelerar o processo de remoção do Horto, mas não há nenhum empenho quanto ao processo de investigação do caso Canto & Mello?

Obviamente, nenhuma destas perguntas será respondida.

E, por isto,  deste momento em diante, eu passo a não reconhecer a legalidade do Estado carioca e de seus envolvidos, assim como não reconheço mais a legitimidade da Rede Globo e do seu jornalismo, completamente parcial e mal intencionado. Qualquer um ligado, influenciado, ou defensor de ambos, é reconhecidamente burro, estúpido, ou bandido.

Boa noite e sigam-me.

DCarminha05

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