Lapadas do Povo – São Jorge II

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Mais um local que eu conheci na série “consertando o carro e aprendendo“. O mecânico do post anterior havia me indicado uma geometria nesta mesma rua, a Geomaster, que além de barata prestava o serviço de maneira ímpar. Como ele mesmo informou, a Geomaster estava sempre entupida de gente até o talo, então era melhor eu passar lá pela manhã, quando ainda tinha menor fluxo de clientes. Para evitar demoras e ouvir a voz da experiência, resolvi fazer o que foi dito, passando no local o mais cedo que consegui acordar.

Daí que eu fui lá fazer aquela revisão marota no carro, ver se estava tudo sereníssimo, mas quando cheguei a oficina já estava insanamente abarrotada. No mínimo, uns 40 minutos pro pessoal conseguir me atender. Como era praticamente madrugada, umas 9 e pouco da manhã, resolvi dar uma volta no bairro e descolar aquele tira-gosto matinal para me empanturrar de gordura e muito sabor, enquanto esperava o carro ficar pronto e não tinha absolutamente porra nenhuma pra fazer. Eu já havia comentado, também no post anterior, como é foda achar as paradas no Quarto Distrito. Por ser uma zona industrial e que a prefeitura virou as costas e esqueceu, é tudo meio abandonado, largado, aquele cinza de marasmo que vai longe na vista e parece não acabar nunca. Foi minha sorte, pouco tempo antes, perceber ao longo da via e reparar na humilde casa amarela, vendo que, talvez, ali fosse o único ambiente convidativo num raio de muitos e muitos metros. Antes mesmo de largar o carro eu já tinha pensado, “é aqui que eu vou comer alguma coisa“.

Embora o nome sugestivo (padaria e confeitaria), além do banner com o preço convidativo da Skol, pouco sabia o que esperar; entrei no recinto e me deparei com um ambiente muito maior e cheio de opções do que o letreiro aparentava. Para provar que não estou mentindo nem exagerando, é só olhar as fotos abaixo e ver o tamanho do espaço interno da parada:

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3Além da padaria, há quase que um mini-mercado e, ainda assim, aparentemente eles servem outras comidas que vão muito além da confeitaria, como almoço. Não fiquei para conferir se rolava a bóia, mas ao que tudo indicava a minha afirmativa era verdadeira. Como é costume nestes achados alimentícios populares – e vocês já puderam constar em outros posts – geralmente o cara entra no lugar sem muitas esperanças, mas sai cheio de surpresas positivas. Até o momento, já tinha somado duas: era muito mais variado em opções do que eu imaginava E ainda por cima aceitava cartão. Na região aonde eu estava, qualquer local que aceitasse cartão era um lucro incalculável, ainda mais pro meu pobre bolso proletário.

Não apenas no espaço físico da casa, o cardápio era outra surpresa pelo tamanho, cheio das mais vastas opções para alegrar qualquer tipo de estômago faminto. Além do habitual cafezinho com pão e manteiga – podendo ser servido em uma bancada na entrada do restaurante, o que dava um ar ainda mais tradicional ao local – haviam todos os tipos de salgados e outras coisas originalmente botequeiras ali presentes, como coxinha, risólis, fatia de pizza, pão de queijo, refrigerantes, cerveja, enfim, uma variedade infindável de combinações para iniciar o dia com a barriga cheia e o sentimento de dever cumprido logo cedo.

A divisão dos ambientes também favorecia: além da bancada na entrada que citei, aonde ficava o pessoal com mais pressa em comer rápido, o fundo da padaria (a segunda foto aí de cima) continha um espaço para sentar e apreciar o desjejum com paciência, sem a pressa de ter que comer tudo correndo ou qualquer coisa do naipe. Dava pra descolar o rango e aproveitar lentamente o prazer da fritura logo cedo; tal qual eu, aparentemente os clientes fiéis da casa faziam o mesmo, sentando na mesa, conversando com os garçons, ou lendo o jornal, comendo e enrolando o máximo possível para ir embora. Já com a mesa escolhida, tratei de arranjar a minha comida:

5Um belo pastel de carne, acompanhado de uma Coca-Cola gelada no ponto, a fritura e a cafeína necessária para iniciar de maneira louvável um dia de labuta que se vinha. A Coca-Cola, indiscutivelmente a melhor bebida para começar bem um dia (na hierarquia das coisas, o único que consegue bater de frente é o suco de laranja natural), não é nenhuma novidade para ninguém. Já o pastel, claro, havia de me surpreender positivamente mais uma vez; não bastasse o tamanho “beira de estrada”, sendo um enorme salgado com proporções avantajadas, ainda vinha recheado com uma carne moída com molho maravilhosamente caseiro – provavelmente alguma receita secreta de boteco – e, como não poderia faltar, O OVO. Destaco “o ovo” na frase anterior porque nós percebemos que um restaurante, padaria, boteco é reconhecidamente um lugar para se frequentar, quando você come o pastel e vem aquele ovo inteirão lá dentro, te esperando como um amigo secreto do seu paladar, aguardando ser mastigado e dar o complemento ao já saboroso recheio de carne e fritura. É o ovo no pastel que define um lugar que merece ser revisitado várias e várias vezes, muito mais que um carpete “volte sempre” na entrada, ali está o mais sincero esmero do dono, mostrando que se preocupa com o bem-estar dos seus clientes.

Já levemente de barriga cheia, mas em busca de garantir uma satisfação alimentar plena, não me bastava apenas o pastel e a bebida. Tive que ir atrás de uma pequena saideira para estender o meu prazer naquele simpático ambiente e aproveitar para experimentar os doces. Como de costume, fui atrás de um dos meus quitutes preferidos e que, claro, consta em qualquer padaria que se preze:

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Um belo, amarelo e enorme quindim, como o sol que fazia na rua naquele calor insuportável de verão. O pastel já havia me dado as boas-vindas de que tudo na padaria devia ter um tamanho encorpado e, novamente, com o doce não foi diferente. Pude aproveitar este enorme monstro amarelo de puro prazer e alegria, empanturrando ainda mais a minha já empanturrada barriga. O detalhe interessante sobre o quindim deles foi o fato de que, mesmo com o tamanho GG, aquela parte queimada que fica no fundo era mínima, quase imperceptível. Novamente, tal qual o molho do pastel e o ovo-surpresa, outra garantia de cuidado dos cozinheiros da padaria, ao cuidar para que o quindim ficasse no ponto exato, sem queimar quase nada.

Saí de lá feliz, satisfeito, grato por mais um achado alimentício destes na capital gaúcha; neste caso em especial, mais feliz ainda por se tratar da primeira refeição do dia, começando mais uma madrugada animado com a descoberta inesperada. Novamente, com o dever cumprido, mostrando que, sim, há várias opções para se comer e aproveitar no Quarto Distrito. Mesmo com a prefeitura abandonando geral e sendo uma região que, de fato, poucas pessoas frequentem com algum tipo de prazer, ainda dá pra se descolar umas belas biroscas para comer e beber ali, com preços muito bons e comida boa e bem servida. Basta saber aonde ir.

Boa tarde e continuem me seguindo, agora com o blog de cara nova! E, neste começo de 2013, com o retorno do Lapadas do Povo.

Nome: Padaria e Confeitaria São Jorge

Endereço: Rua do Parque, 508 – E pra quem quiser uma geometria boa, só seguir reto na rua, Geomaster no número 345

Média de preço: Com 7 reais já descola um salgado e alguma coisa pra beber

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