Diário do Carnaval 2013 – O que aconteceu

cartola

Como vocês já perceberam, eu voltei da minha maratona de Carnaval no Rio de Janeiro. Ficou na cara quando eu postei, logo abaixo, um novo artigo sobre os 20 vídeos que mudaram a minha concepção de vida. Eu iria fazer este artigo sobre a viagem antes, mas precisava de mais tempo, aí acabei deixando para posta-lo agora, com mais calma e informações extras.

Não quis manter o mesmo modelo do ano passado, comentando apenas sobre os blocos que eu mais gostei. Acho que, se fizesse isto, ficaria repetitivo demais e com poucas informações sobre outras coisas que eu acabei fazendo e se desvinculam do Carnaval em si. Desta forma, resolvi fazer quase um relatório de bolso – com muitas fotos – do que aconteceu enquanto eu estava lá.

Sem mais delongas, segue:

Dia 7/2:

Chegamos lá (eu e minha namorada) por volta do meio-dia. Saímos do aeroporto, fomos em casa e partimos direto para conhecer o Horto Florestal. Como eu tinha dito que ia passar lá, depois que eu fiz o artigo sobre o tema, passei. A ideia era justamente conhecer melhor, tanto a região em si quanto a luta dos moradores. Fui recebido pelo pessoal da associação, que atenciosamente respondeu meu convite e me apresentou todo o local, me explicando um pouco mais sobre cada detalhe de tudo que vem acontecendo, além de me mostrar a área aonde moram as famílias há mais de um século e que, recentemente, estão sendo incomodadas pelo maluco do Liszt Vieira e seus amiguinhos da Globo:

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Estas fotos, são todas da comunidade do Horto, bem no espaço aonde ocorre toda briga com o Jardim Botânico. Como fica claro nas imagens, além de obviamente não comprometer em nada o funcionamento do Jardim Botânico – porque os limites do parque sequer chegam perto das casas, o papo que Liszt Vieira costuma dizer, acusando os moradores de destruidores, obviamente são falácias caluniosas, aonde podemos ver que, em sua maioria, estes mesmos moradores vivem em extrema harmonia com a natureza, tendo um impacto ambiental quase nulo para a a mata da região. Muitas das casas, alias, são o único meio de preservação REAL da mata, na medida que o próprio Jardim Botânico não faz porra nenhuma pra proteger a área e só quer tirar os moradores de birra.

Ainda pude ver (e registrar) que, como Liszt Viera também se auto-intitula, ele não é o ambientalista e protetor que alega ser, tampouco aquela imagem de bonzinho que prega por aí com discursos bonitinhos. As fotos que se seguem abaixo, todas, são obras do Jardim Botânico, constituindo desmatamentos, cortes de árvores centenárias, queimadas, além de colocar maquinário pesado para trabalhar em uma região de proteção, sem nenhuma lógica aparente, só para atender os desmandos de um sujeito que fala muito mas não faz o que prega. É só comparar visualmente: quem destrói o que? O pessoal do Horto, nas fotos acima, ou o Liszt Vieira, nas fotos abaixo:

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Acúmulo de material em decomposição no meio da mata.
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Acúmulo de material em decomposição no meio da mata.
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Queimada no meio da mata.
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Construção de mais uma estrutura dantesca no meio da área de preservação, levando tratores, corte de árvores e acúmulo de detritos.

Não bastasse isto, o “projeto” de retirada dos moradores do Horto se mostra mais absurdo ainda, na medida em sabemos que Liszt Vieira pretende destruir a Escola Julia Kubitschek para construir um estacionamento. Sim, isto mesmo, o que queriam fazer do lado do Maracanã com a Escola Friedenreich, este sujeito também quer fazer em um centro acadêmico com mais de décadas, dando espaço para mais automóveis (e poluição) na área aonde ele alega proteger e cuidar. Além disso, visitando a área, podemos perceber que há um prédio enorme do Serpro, assim como mansões de luxo, na mesma área em que pedem a retirada dos moradores do Horto, mas em ambas as situações, tanto Serpo quanto mansões, nenhum acaba alvo de ataques nem especulações de remoções.

Com tudo o que eu pude aprender lá, junto com o que eu já tinha conhecimento, me pareceu ainda mais claro que se trata de um ataque bem calculado e descabido, com interesses higienistas e “gentrifistas” bem claros. O ataque só visa a comunidade pobre, não atingindo outro objetivo a não ser tira-los a força, com uma justificativa cheia de furos e de moral duvidosa, angariada por um grupo de comunicação apoiador da Ditadura e de um psicopata diretor do Parque que quer transformar a área em estacionamentos e casas de luxo, pra valorizar a região e a casa de espetáculos dele (que alias, é um atentado contra a natureza do local e não cumpre nenhum dever botânico) gerar mais um dinheirinho.

Saindo do Horto, passei em casa e fui direto para uma coisa que eu nunca tinha feito na vida: ORKONTRO.

Sim, o termo é do passado e o Orkut já morreu, mas era uma antiga comunidade ao qual a mesma galera se reunia desde os primórdios de Orkut, migrou pro Facebook e continua todo mundo na mesma. Resolvemos depois de quase 8 anos de conversa nos reunir pessoalmente. E isto aconteceu no Boteco Salvação, ali em Botafogo. Tirando a caipirinha que tinha gosto de cachaça pura, o lugar é bem legal e tem um dos melhores pastéis de queijo do universo. Vale a pena conferir.

Infelizmente não registramos fotos do momento. Mas, mesmo se tivesse, eu não postaria aqui, pra não expor a galera “di gratis”.

Salvacao

Dia 8/2:

Acho que este foi um dos dias mais tranquilos. Resolvemos uns problemas que tínhamos pra resolver, fomos em Ipanema, almoçamos e só. De tarde, voltamos pra Ipanema. O destaque do dia ficou para o período da noite, aonde fomos no Bloco Rola Preguiçosa.

Curiosamente o Rola Preguiçosa, embora patrocinado por Hans Donner e uns outros riquinhos, é de uma comunidade perto da Fonte da Saudade, a Ladeira Sacopã, que sofre dos mesmos problemas de ameaças descabidas do Horto Florestal. Lá pra trás, há um quilombo que frequentemente recebe notícias de remoção e afins, aonde tentam de todas as maneiras tirar as famílias de lá com os mais variados argumentos.

Quem quiser ler mais sobre a causa, pode acessar este link.

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O bloco foi bacana, com um samba-enredo justamente citando a resistência cultural do local, mas ficou devendo apenas no som, que estava meio ruim de ouvir para quem não estava próximo do carro. No entanto, compensou pela letra da música, que era fantástica. Pra mostrar à vocês, segue a letra do samba de 2012 e um vídeo com a música de 2013, para sacarem o tom de protesto dos caras:

2012:

Eu sou a emoção
É carnaval, vem comigo conhecer
A miscigenação de luz e cor
Onde o samba é pra valer
Nesse mar de prazer, falta você
Sua beleza encanta
Aqui nessa festa, tristeza descamba
“Vive mais feliz que o samba”

Eu vou com o Sol
E volto com a Lua
Sou a poesia no meio da rua
A corrente se rompeu
Abolição, aconteceu

Sou alegria gerando paixão
Sonho e paz.
Toda nobreza da nossa união
Com preconceito se desfaz
Adoro ver você sorrir
Preciso ter teu calor
Requebra meu bem
Que o “rola” chegou
Ele tarda, mas nunca falhou

Vou cair nessa folia pra ficar legal
Vestir a fantasia da igualdade racial
Sambar pra esquecer meu ais
No carnaval somos todos iguais.

2013:

Dia 9/2:

Este dia foi um dos dias mais agitados. Começamos a manhã indo em um bloco infantil, o Cordão Umbilical, que embora seja de criança e não venda cerveja, é hilariamente engraçado e divertido. As marchinhas são mantidas, as fantasias muito bem feitas e o fato de ser infantil impede que o bloco lote muito, o que é melhor ainda. Saindo ali do Largo dos Leões, subia aquelas ruas estranhas do Humaitá e acabava cruzando em direção a Cobal. Este bloco teve duas aparições de melhores fantasias, que eu gostaria de comentar.

Em primeiro lugar, vimos Noé Rosa (pegaram o trocadilho?):

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Em segundo, tivemos o Wally, compartilhando com as crianças e os pais, uma cervejinha em uma birosca qualquer:

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Depois do bloco das crianças, almoçamos e partimos para o Bloco do Barbas, em Botafogo. O som estava uma merda (inclusive falhou), estava lotadão, mas foda-se, é um bloco tradicional e pronto, isto basta; o destaque ficou com um puta carro-pipa que jogava água na galera, naquele calor insuportável que estava no dia. Tirando os problemas, deu pra fazer uma bela foto quando o bloco passava em uma das ruas ali de Botafogo:

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Depois, partimos em direção a Copacabana. Eu já estava acabado, cheguei lá e o meu único momento honroso foi poder tomar um uísque no fim de tarde, em um boteco aonde se reúnem os gremistas que moram no Rio e eu sequer faça ideia do nome do local. Depois disto, jantamos e fomos dormir.

10/2

Foi neste dia que a bruxaria voltou a atacar o meu carnaval. Quem se lembra do post do ano passado, pode se recordar que um voodoo de outro mundo me atacou e eu fiquei mal todos os dias, sem conseguir beber e sem poder comer direito. Neste ano, a bruxaria atacou a minha namorada, que foi picada por um inseto sinistro e ficou com o pé parecendo uma bola de basquete dolorida. Fizemos uma votação e ficou decidido por 2 votos a zero que era melhor a gente sair e ela perder o pé, do que a gente perder o carnaval. Então, mesmo com a dor, nós fomos para alguns blocos.

De manhã, começamos passando no Boi Tolo. A ideia era encontrar um pessoal, que obviamente ninguém se achou, mas o bloco estava igualmente bom e deu pra curtir legal. Principalmente nos quesitos fantasia, aonde se destacou solenemente.

Tivemos o Google Maps:

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Tivemos o chuveirinho, que parece clichê, mas este funcionava de verdade, jogando água na galera:

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E tivemos a dupla Axl e Slash, voltando a tocar juntos em cima de uma banca de jornal:

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Rolaram outras fantasias fantásticas, mas infelizmente não consegui fotografar. Fica a minha dica pra quem for para o Rio no próximo Carnaval, que vá ao Boi Tolo, porque é fodão demais.

De tarde, o pé da minha namorada continuava inchado, vermelho e doendo. Resolvemos nos poupar e ir em um bloquinho menor, mas não menos revolucionário: Maracangalha. Quem não se lembra do ano passado, este é aquele bloco que eu comentei que era proibido de sair para desfilar, porque o prefeito não tinha autorizado, mas que ia para rua igual, cagando bonito na cabeça das autoridades, com o tema “É proibido proibir“:

Quem foi que disse?
Quem falou?
Quem proibiu?
Ninguém ouviu,
Maracangalha já saiu!

Com muita fé, 
Muito prazer nessa folia.
É PROIBIDO PROIBIR a alegria! (bis)
Este é o grito do Maracangalha.
Quem gosta, gosta. Não avacalha!
E quem não gosta,
Por favor, não atrapalha!

Este ano eles estavam proibidos de novo, saíram igual, mas tocaram um outro samba, tão bom quanto, que assim que eu achar eu posto aqui. Consegui fazer umas fotos daora, filmar umas músicas boas e vou postar logo abaixo. Infelizmente o Senhor Cadeira não estava presente este ano, mas tivemos outras fantasias muito boas.

Tivemos Gabriela:

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E tivemos o próprio carro do bloco, que estava fantasticamente tradicional com os músicos sentados e tocando:

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E a bateria, que mesmo pequena, roubou a cena novamente:

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E para quem quiser ouvir, seguem alguns vídeos:

Depois do bloco, saímos para jantar e acabou, beleza, finito do dia.

11/2

O dia mais morto do carnaval, resumiu-se apenas a uma passada na Praia de Ipanema e, logo após, ao Bloco Hospitalar, para ver que tipo de bruxaria venenosa tinha atingido o pé da minha namorada.

Editado dia 20/02/2013 às 23h06min: Gostaria de lembrar que neste dia, mesmo não indo em nenhum bloco, enquanto estávamos na Praia de Ipanema, conseguimos apreciar a música do Bloco Afroreggae. Dentre todos os blocos do Rio, acho que este foi o único que efetivamente tocou, em um breve momento, algumas músicas de funk. E, pra minha surpresa, fui agraciado com esta música, que eu não conhecia:

12/2

Na terça, último dia (para a gente) no Rio de Janeiro, começamos a manhã indo no melhor bloco de rua da Cidade Maravilhosa (como eu já tinha dito ano passado), conhecido como Vagalume. Este ano, além do bloco estar com um carro de som ridiculamente mais foda que o do ano passado, ainda contamos com um abre-alas do cacildis, um singelo protesto dos moradores do Horto e um samba-enredo que foi, no mínimo, umas 300 vezes melhor que qualquer samba patético e patrocinado da Sapucaí, que este ano não produziu nada de bom, alias. O samba se tratava de uma homenagem aos pioneiros jardineiros do Jardim Botânico e moradores do Horto Florestal, Pedro Cachimbo e Folha Seca. Podem ver:

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Ou nos vídeos, em:

E pra quem quiser a letra do samba, ta aí:

Iluminou o roseiral
Lá no Horto Florestal
Pedro Cachimbo cidadão
Fez valer a tradição
De plantar, preservar
E uma rosa oferecer
Filma eu aqui
É carnaval
E o que é bonito é pra se ver

O sabiá, bem te vi
Com o Vagalume acendendo por aí

Na Terra só Deus pode mexer
E dela brota um novo amanhecer
Folha Seca pelo chão
Aduba uma nova geração
Eternizaram a imagem do fiel
Sou natureza
Com a sutileza de um singelo menestrel

O sabiá, bem te vi
Com o Vagalume acendendo por aí

A tarde, ainda fomos no Aterro e assistimos o último bloco nosso deste ano, conhecido como Orquestra Voadora. Pelo que eu entendi, se trata de um bloco só de instrumentos de sopro. O som estava muito bom, o bloco estava muito animado, mas devia estar uns 53 graus no calor do Aterro, o que impediu que nós nos prolongássemos muito, porque o risco de morrer de desidratação, ou de beber mais Antarctica quente, era muito alto. Nossa homenagem fica com o único vídeo que conseguimos fazer de lá:

E foi isso, encerro aqui o meu grandioso post sobre o maior evento da Terra. Mais um ano o Carnaval de Rua do Rio dá show e mostra porque é a festa mais foda do planeta, mesmo sendo patrocinado pela Antarctica. Pra encerrar o post com chave de ouro, posto aqui umas ilustrações que eu fiz para umas camisetas que eu usei no Carnaval, justamente dando enfoque ao tema do samba.

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E este último, que não virou camiseta, mas foi uma bonita homenagem que eu fiz ao boteco deste post:

natalicio

É isto, galerinha. Sigam-me os bons, me acompanhem e fui!

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