As 10 coisas que eu acreditava quando moleque

O dia das crianças chegou e, como era de se esperar, a internet se contaminou. Quem percebeu, nos últimos dias, o Facebook virou um mar de fotos de crianças e de brinquedos antigos, paraíso perfeito para pedófilos e nostálgicos. Nesta época, a galera sempre se dedica a lembrar que está ficando velha e que a idade se aproxima galopante, independente de credo e cor. Para aproveitar o momento oportuno, resolvi entrar no clima e fazer a minha listinha sobre o tema em questão. Pensei (e até comecei a fazer) uma lista dos “10 brinquedos que eu mais gostava“, mas achei meio chavão demais, totalmente clichê. Resolvi, então, fazer a lista das 10 coisas que eu acreditava quando moleque e que, com o passar dos anos, se mostraram grandes fracassos e/ou completas inverdades. Sem mais delongas, segue abaixo:

1 – Mil reais, o milionário

Ok, eu cresci nos anos 90 e sim, as condições financeiras da época eram diferentes. Hoje, quem ganha mil reais mal consegue alugar um apartamento decente e comprar comida, nas grandes capitais. Nos anos 90, quem ganhava esta quantia, tinha uma situação financeira relativamente boa; mas era só. Ninguém em nenhum momento era milionário, master rico e nem nada do tipo. A minha ideia de criança, claro, era que o fato de um sujeito ganhar mil reais era a coisa mais incrível do universo! Sim, com mil reais ele poderia fazer tudo, comprar tudo, dominar o mundo e construir um foguete pro espaço! Com o tempo, veio a realidade triste de que mil reais são apenas mil reais. Isso não lhe fará independente e nem lhe dará uma mansão na lua.

2 – Falar qualquer coisa era falar inglês

Isso todo mundo já fez na infância. Eu acreditava piamente que se uma pessoa tacasse umas vogais e consoantes desconexas em qualquer contexto, pronto, estava falando inglês. Era só pegar e pronunciar uns “piaeoaeuaeolou” ou “aaaklaeaeaui” e acabou, poderia até dar aula de línguas por aí. Depois de ficar mais velho, o cara percebe que é uma ilusão e que nunca falará uma outra língua assim; aprender um idioma é um processo lento e requer uma série de pequenos conhecimentos. A não ser alemão, que funciona exatamente na lógica de mil consoantes perdidas.

Uma das coisas que eu lembro, a respeito disso, era o fato de cantar a famosa música de Bobby Sharp, conhecida como Unchain my Heart, achando que ele falava “oh, chimarróni” no refrão.

3 – Espinafre me deixava com ultra-força

Ta aí o mal da televisão, enganando seres humanos desde a infância. Todo mundo que via Popeye acreditava neste mito. Como eu nunca tive muitos problemas em comer espinafre, ia lá e me entupia dele, jurando de pés juntos que iria ficar muito fodamente forte e sair por aí levantando casas e com o bíceps inchado, que nem o do marinheiro. A coisa piorou ainda mais, quando lançaram aquela sopa temática do Popeye e que deve ter vendido que nem água, porque muito moleque deve ter enchido o saco da mãe para comprar aquele treco horrível, só pra ter super-força de mentira. Aí veio a idade e eu percebi que a única coisa que todos nós ganhamos comendo muito é uma bela barriga.

4 – O cobertor era uma barreira intransponível

Toda criança acredita em fantasmas, monstros e afins. É praxe. E isto, obviamente, desenvolve um problema gigante na hora de dormir: como cerrar os olhos e ficar vulnerável a criaturas vis e cruéis, sedentas pela carne de humanos? Para mim – assim como para muitos outros ao redor do mundo – tudo se resolvia de uma maneira muito simples. Era só se cobrir até a cabeça e pronto, o cobertor NUNCA poderia ser violado, pois era uma barreira completamente tecnológica que impedia a criançada de sofrer nas mãos de criaturas sobrenaturais. Tava ali, a força divina da criação, que impediria você de ser uma vítima indefesa de monstros e zumbis.

5 – Eu, o mago

Essa é boa. Minha avó, que mora no Rio, tinha uma TV ao qual o cabo de força desembocava do lado da cama dela e que eu não tinha ideia deste fato. Daí, quando eu ia passar férias lá, na hora de dormir, ela falava pra eu me concentrar e fazer força, que os meus “poderes” iriam desligar a TV. E eu ficava lá que nem um asno fazendo a maior força de vontade, jurando que era um mago muito louco e que SÓ minha avó tinha conhecimento dos meus poderes. Aí, enquanto eu estava distraído no meu próprio ego infantil, ela ia lá e puxava o cabo da TV e eu acreditava que, sim, tinha sido eu, EU MESMO, com a minha mente e meus poderes que tinha desligado a TV de uma forma mágica e foda. Com toda certeza, eu era um enviado dos céus, uma criatura semi-deus aqui na Terra, projetado para desligar televisores.

6 – A gravidez azeitona

Outro clássico que todo pai maquiavélico conta para os filhos, que ficam lá cagados de medo com esta situação bizarra. Todo adulto já mandou essa mentira pra alguma criança, dizendo que “se comer o caroço de azeitona, vai crescer uma árvore na barriga“, justamente pro moleque não engolir aquela porra daquele caroção e se engasgar depois. E eu, como boa criança, acreditava nessa parada sem nem sequer duvidar da provável insustentabilidade de uma história tão cabulosa. Va lá, muito joguei fora caroço de azeitona para que, de uma maneira ou de outra, eu não viesse a me tornar um Ent.

7 – Batendo os braços, eu, o Ícaro

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Que criança não deu uma de Ícaro e não tentou sair voando insanamente batendo os braços cada vez mais rápido, até se dar conta que era impossível? Uma das melhores coisas de ser criança, sem dúvidas, é poder cagar bonito na cabeça de todos aqueles velhos da física e, sim, fazer a sua PRÓPRIA lei.

Todo mundo quando moleque cria a sua teoria e sai por aí a tentar, de alguma maneira, voar esdruxulamente sem levar em consideração que, se fosse fácil, geral tava voando indiscriminadamente por aí.

8 – Dormir depois da meia-noite, super radical

Uhu, louco, muito insano! Quem, meu amigo, quem nunca pensou em algum momento da vida o clássico “finalmente, vou dormir depois da meia-noite, mó ousadia!“, como se fosse o maior acontecimento do século! Você bola altos planos, vai causar muito na madrugada, fazer várias paradas, muitos brinquedos, brincadeira demais, aproveitamento radical…aí o relógio chega lá, você percebe que é frustrante e, tirando a escuridão e o silêncio, não tem nada de muito diferente pro resto do dia e toda aquela emoção de “virar a noite” foi por água abaixo.

9 – O gigante texto de duas páginas

Esta acontece quando o sujeito já é mais “velhinho” e está frequentando os primeiros anos de escola. Aí a professora manda fazer um texto sobre qualquer tema e você pensa “vou escrever muito hoje, o maior texto da história…vai ter duas páginas!“. Aí você se esforça um monte fazendo uma letra caprichada, pega algum tema elaboradíssimo (geralmente algo envolvendo fantasmas ou um tesouro perdido) e vai lá e fica horas e horas escrevendo um textão gigante que, pasme, vira a página! Daí, uns anos mais tarde você descobre que aquele frustrante texto era uma parcela minúscula do que você ainda vai escrever em toda sua vida acadêmica e acabou o mito da redação gigante.

10 – Mais rápido que a luz

Ta aí uma das coisas mais idiotas do mundo das crianças: tentar superar a luz. Eu, quando criança, muitas vezes tentei vence-la, acreditando que era só uma questão de esforço e dedicação para me tornar muito mais rápido que ela. Bolei até uma tática para conseguir o meu feito; a minha ideia era apagar e acender rapidamente o interruptor do quarto, até um momento que eu – muito veloz – venceria a luz, que não conseguiria acompanhar a minha destreza incrível de alterar o botão de ligado – desligado – ligado – desligado. E muito tentei lutar desta maneira, acreditando no meu potencial, até me dar conta de que nunca seria capaz de vencer o invencível.

Bom, galera, por enquanto é só. Sigam o blog, continuem postando e aproveitem o final do feriado! Até a semana e bom dia das crianças pra vocês!

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