Lapadas do Povo – Bambus

Eu nem vou ficar comentando novamente o que esta política de cagalhões de Porto Alegre está fazendo com os bares realmente populares (no sentido literal da palavra, do povão) da cidade.

Fiz um post imenso sobre o Tutti Giorni, ao qual eu já disse tudo que se encaixa perfeitamente – e novamente – pro caso do Bambus. Segundo o que esta merda de órgão intitulado como SMIC disse em uma nota ao jornal, o fechamento aconteceu porque ocorria “aglomeração de pessoas em frente ao estabelecimento, consumo de bebidas fora do local, frequentes brigas e algazarras dos frequentadores” (fonte: Zero Hora). Ou seja, não existe um argumento legal para esta palhaçada; até porque, os alvarás necessários para manter o bar aberto, o dono tem. Trata-se, mais uma vez, de pura e exclusiva pressão política, angariada por um grupo de bunda-moles apantufados, que visa destruir massivamente qualquer lugar com um preço e dinâmica acessível da capital, sobre uma visão ridícula e retrógrada de “bem estar do povo” (que povo, afinal?) mas que, no fundo, todos sabemos ser apenas uma visão tosca e classista: gente rica reclamando de diversão do povão. Ponto. Nada mais que isso.

Como também já disse no post do Tutti, é engraçado que este mesmo argumento – “algazarra, consumo de bebidas foda do local, aglomeração” – acontece TODO dia na Padre Chagas (assim como outras áreas nobres), mas nada é feito; fecham os olhos legal para os desvios de conduta, quando estamos falando de regiões “descoladas e bem frequentadas” da cidade. Quando são os bares de riquinho, da playboyzada curtir, aí ninguém mexe e pode tudo, é o MadMax de luxo. Por esta razão, eu mudei meus meios e vou, efetivamente, começar a encher o saco da SMIC, até ela tomar providências com todo mundo. Ou fecha geral, ou não fecha ninguém. Fechar os baratos e deixar os caros não vale, já saímos do Brasil colonial faz tempos.

A mim, em especial, fica a lembrança deste boteco, mais um em que eu tomei muita cachaça, muito vinho e cerveja. Vinho, alias, que era apenas 11 reais a garrafa/litro, totalmente feito no próprio Bambus. Aonde eu tive algumas das noites mais legais da minha vida. Fiz amizades, conheci gente lá e muito frequentei aquele. Até música do Marcelo Rossi eu cantei naquela humilde birosca, sentado lá no fundo, entre muitas cervejas e outras.

Este bar, alias, foi um dos primeiros lugares na capital que a gente poderia tomar um trago de Heineken com um preço mais acessível. Foi nele, também, que protagonizei uma das histórias mais toscas da minha vida. Estava eu lá, uma noite fria no inverno, tomando muito vinho e conversando com um amigo meu, o Jonas. Vejo, de longe, se aproximar um cidadão que parecia muito um outro amigo meu. Chamo o sujeito, ele se aproxima, nós conversamos. Ficamos uma meia-hora falando merda – ele bêbado e eu também – até que lá pelas tantas eu me atino que aquele não é o sujeito que eu conheço. Fico eu, com uma cara de não saber o que fazer, puxando papo com um completo estranho que, devido ao trago, jurava me conhecer também. Sorte minha que o meu outro amigo, o Jonas, conseguiu sacar a gravidade do problema e, de uma forma ninja, nos tirou daquela situação inventando uma ligação e que tínhamos que ir embora.

Outro fato curioso do Bambus foi uma tremenda coincidência. Uns dois anos atrás fui ali no Mercatto d’Arte, que fica na Cidade Baixa. A gerente que atendeu eu e a minha namorada, era ex-funcionária do Bambus. Ela contou da dificuldade de trabalhar de caixa na parada, como era atender, as vezes, mais de mil pessoas por noite. Contou do público, que atendia sempre o mais variado tipo de gente. Era rico, pobre, gente da vizinhança, pedreiro, caminhoneiro, desempregado, punk, pagodeiro, headbanger, todo mundo ia lá. Era um amontoado de pessoas diferentes e de culturas diferentes, todos na mesma esquina prontos para beber e curtir a noite.

Acabou, mais um que foi obrigado a fechar as portas. Em homenagem, deixo aqui, uma série de foto deste fatídico momento, mais um dos muitos para a história recente de Porto Alegre:

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Boa noite e sigam-me!

Nome: Bambus

Endereço: Avenida Independência, 394

Média de preço: Com 20 reais, dá pra tomar um belo trago.

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2 pensamentos sobre “Lapadas do Povo – Bambus

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