Lapadas do Povo – Naval

Embora o nome sugestivo, não estou fazendo uma “maratona marítima” de bares que tenham a ver com a vida do oceâno. De fato, o Bar Naval não fica nem em Niterói e muito menos no Rio de Janeiro. Voltamos a Porto Alegre, sua região central – o coração da cidade – e um dos mais clássicos lugares para comer e beber na capital gaúcha.

Um ponto importante a se colocar é que, olhando assim, o Naval (depois de sua reforma) não entra naquele padrão iconográfico de bares que eu tento descrever aqui. Longe de ser um bar para o povão atualmente, mas clássico demais para ser esquecido, para passar em branco na história de Porto Alegre. Um bar tão tradicional, mas tão tradicional, que já possuí seus 105 anos de existência. Sofreu com as intempéries da grande enchente de 41, quase teve de ser fechado na época da guerra, mas continua lá como sempre.

Bar frequentado por uma das figuras mais emblemáticas da música gaúcha: Lupicínio Rodrigues. Cliente assíduo, frequentava o Naval e pedia sempre a mesma coisa ao chegar: uma cachacinha ao garçom. E há quem entenda melhor de boteco no Rio Grande do Sul que o próprio Lupicínio? É por isso que este bar tão famoso teria de receber a minha ilustre visita.

Chegando lá, logo ao entrar, percebemos o peso da história ao qual este pequeno lugar carrega. Do lado de fora, a fachada continua exatamente igual a antigamente (primeira foto), mantendo a entrada com as características do Mercado Público até hoje. Do lado de dentro, a reforma mostra que o lugar adotou uma postura mais formal, mas continua com a mistura de seus elementos mais clássicos. As fotos na parede lembrando de Porto Alegre antiga mantém a tradicionalidade e as lembranças da história do bar. Não só isso, foi muito sábia a ideia de manter os janelões (foto 2 e 3) justamente para não perder um ponto importante do restaurante: o convívio com a cidade.

Vale lembrar que o Naval fica ali na esquina com a Borges de Medeiros, uma das esquinas mais movimentadas de Porto Alegre. Por este motivo, as janelas grandes permitem a quem senta no bar poder apreciar toda a movimentação do coração da cidade; no horário de pico, é bacana sentar na mesa perto da janela e ficar vendo o povo passar, a vida rolar e o Centro continuar crescendo lotado, do jeito que é. Uma bela característica do projeto original que foi mantida com justiça, pois além da cachaça, um dos motivos de Lupicínio frequentar o Naval era justamente este: poder observar a cidade.

Cheguei lá na hora do almoço, cheio de fome e esperando prontamente um prato como deveriam me servir, gordo e grande…cheio de calorias. Como disse, o Naval mudou algumas características – principalmente no horário da manhã – justamente para no almoço poder atender a quantidade de executivos que frequentam o Centrão. Ao final da tarde, ainda é comum ver a tradicional boemia sentada no bar, tomando cerveja e conversando. Já, no horário do almoço, a coisa fica um pouco mais restrita; e o cardápio responde à altura, com um preço um pouco mais elevado.

Pedi uma picanha com fritas, da foto abaixo:

Podemos observar que, tal qual o cardápio, a classe se manteve no serviço. Além da salada separada (primeira foto), ainda fui brindado com uma entrada com pão e manteiga, prontamente servida antes de me entupir com um belo pedaço de picanha e uma batata frita na medida, sequinha e crocante. Um baita prato! Assim como o valor, o preço se justificava na quantidade de comida servida, não só dando atenção ao “prato principal”, mas cativando o cliente também com uma bela entrada e uma salada deliciosa, com ingredientes ainda frescos. Enfim, o valor pago foi plenamente justificável pelo que me foi servido. As vezes é bom pagar um pouco a mais, mas saber que a casa se preocupa em responder à altura esses valores.

Não só isso, como era de se esperar em um bar tão clássico, o atendimento oferecido pelos garçons também justificava a “nova cara” do Naval, seguindo a risca todo manual e atendendo os clientes como deveriam, dando atenção, explicando o cardápio e sendo devidamente educados. Afinal, 105 anos não são a toa, é mais de um século de vida e continuar existindo durante todo este tempo exige um trabalho constante de manter um padrão de excelência, assim como se renovar sempre que puder.

A quem espera e pretende conhecer a história da cidade, é um lugar necessário de se conhecer. “Cara nova”, “velha cara”, isso pouco importa para um lugar deste naipe. O importante é justamente o fato de continuar existindo, continuar tradicional e provar que, além de tudo, os bares fazem parte da história e evolução de toda cidade. Longa vida ao boteco!

E, para terminar com justiça, seguem as fotos de como era o bar antigamente:

Boa noite e sigam-me!

Nome: Bar Naval

Endereço: Largo Jornalista Glênio Peres (Mercado Público) – Centro

Média de preço: 20 a 35, por pessoa no almoço.

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