Lapadas do Povo – Esposend

O meu segundo post sobre o Rio de Janeiro não é nem do Rio de Janeiro. Sim, falaremos de Niterói, a cidade com a vista mais bonita do mundo, assim como seu grande Mercado do Peixe São Pedro.

Piadas a parte, Niterói é uma grande cidade. Já foi, inclusive, a capital do que foi conhecido como Província do Rio de Janeiro. Foi (e ainda é) um dos grandes polos navais do país – tendo um porto enorme – assim como uma vida cultural riquíssima. É casa, por exemplo, do Museu de Arte Contemporânea (MAC), sendo esse uma enorme construção bolada por Oscar Niemeyer, em uma das melhores vistas da cidade.
Como uma cidade portuária, há uma concentração absurda de navios pesqueiros, pescadores locais, peixeis, mariscos, frutos do mar, tudo que se possa comer e venha de água salgada. Boa parte desta carga é diariamente despejada no Mercado do Peixe de São Pedro, localizado na área central da cidade. São kilos e kilos de todos os tipos de comida marinha que você possa imaginar: lula, siri, dourado, badejo, camarão, salmão, tudo. Lá, você acha o que quiser.

Como bons comerciantes, acima do mercado, os caras fizeram uma rede de restaurantes (ou botecos) especializada em peixes. E eu, como bom turista, fui lá comer e conferir.

Pela foto, você vê que estamos falando de um exemplo perfeito do tradicional “pé-sujo”. O lugar não é para boas almas cheias de pudores, aqueles que emanam dúvidas e incertezas; o local é, sim, feito para o desbravador que não tem medo do cheiro de peixe no ar e do chão sujo de sangue. Uma legítima feira imensa, misturada com um monte de botecos vendendo a maior variedade de peixes e frutos do mar possível, é óbvio que o lugar ia ser assim!

Embora o número de botecos passando de 20, a minha predisposição a tirar fotos do Esposend Bar e Restaurante não foi mera coincidência, porque foi ai mesmo que eu escolhi para rangar. Ficava logo na subida da escada, saindo do mercado e indo de acesso aos restaurantes, dividido em duas partes: esta a frente (fotos) e outra mais no fundo. Fiquei mais no fundo.
A descrição de botequim não poderia ser mais fiel. A janela com aro de alumínio, parede descascando, cachaças com sabores penduradas em um vão da janela, a mesa de madeira e um frigobar antigo em um canto. Mais ao fundo, o pessoal lavando a louça em uma área separada. No lado oposto, o pessoal cozinhando. Tudo isso coberto por uma sala minuscula cheia de cadeiras e pessoas passando, com um garçom que parecia uma mistura de Cantinflas com Agostinho Carrara, com um correntão de ouro amostra. Poderia o local ser mais característico? Claro que sim, levando em conta se a comida e a bebida fossem boas. E eram.

Eu confesso que, a principio, a incerteza aconteceu. Embora o lugar fosse simplão, os preços eram bem salgados. Obviamente, para um lugar famoso por abrigar os “turistas” vindos do Rio de Janeiro (capital), muito provavelmente a comida fosse mais ou menos e superfaturada, sedento para atrair cariocas com grana e outros sujeitos perdidos por esse Brasil. Ainda mais com um garçom informando que um único prato dava pra 3 a 4 pessoas, o que obviamente cheirava a mentira.
Mesmo ressabiado, resolvi arriscar. E não é que eu estava errado? Realmente, embora caro, qualquer cálculo feito deveria ser X / 3, porque TODO prato era imenso e dava facilmente para dividir por uma família.

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Mas o valor é o de menos se a comida é boa e neste ponto que quero chegar. A comida não era um “engana-gringo” padrão e valia cada centavo proposto. Desde a entrada com pastéis de camarão, passando por uma bela porção de peixe frito com batata, terminando tudo com um bobó magnífico com pirão, a comida realmente fez jus ao local todo.
Como um bom botequim classudo, nunca se come pouco ou se come mal. Estava tudo lá, o pastel assado na medida e com uma pimenta deliciosa, o peixe frito no ponto com a batata pra acompanhar, o bobó com o gosto perfeito junto com um pirão na medida e também apimentado que deixava tudo ainda mais saboroso. Não a toa eu repeti umas 5 vezes, saindo de lá tranquilamente com um kilo a mais de massa corpórea. Tudo isso, claro, acompanhado daquela amiga ali do fundo, uma Brahma gelada.

Você percebe que o boteco é bom quando o garçom é amigo. A primeira Brahma que me serviram, veio congelada. Logo de cara, minha namorada disse “ih, eles não vão trocar“. Só foi eu sinalizar e mostrar a cerveja que o garçom Agostinho Cantinflas prontamente trocou a cerveja, sem eu precisar falar nada e nem pestanejar sobre o assunto. Garçom amigo é assim, entende as necessidades do cliente.
Não só isso, a preocupação com a cerveja no ponto, gelada mas não congelada, é a mostra máxima de como uma casa deve atender seus melhores clientes. Saber cuidar da cerveja é sinal de saber cuidar do estabelecimento. Quem cuida da sua bebida, cuida do seu coração.
Muito embora eu tenha feito a escolha pelo Esposend (sábia, diga-se de passagem), o mercado inteiro parece se manter no mesmo nível do restaurante em questão. Não a toa todos bares lotados, gente em pé se amontoando para comer e aquela gritaria de feriado com todo mundo bebendo aos montes. Ambiente responsa tem que ser assim mesmo, lotado, cheio de cerveja e com gritaria.
Como bom turista, só tenho a elogiar. Não perca seu tempo se deslocando para nenhum restaurante fino brega, nem fique gastando muitas horas nos museus. Se for a Niterói, vá ao Mercado do Peixe São Pedro, coma e beba até morrer no Esposend. Tudo que você precisa saber sobre a cidade passa por ali, desde sua história a sua economia local. E, afinal, como diz uma placa na entrada do mercado, “uma das sete maravilhas de Niterói“.

Nome: Esposend Bar & Restaurante (Mercado São Pedro)

Endereço: Ponta d’Areia – Rua Visconde do Rio Branco, 55

Média de preço: de 45 a 65 reais, divido entre 3 a 4 pessoas. Média de 18 reais por pessoa.

Editado dia 01/09/14, às 20h00min: O Jean comentou sobre o texto e falou uma parada importante, eu tinha dado a entender que o lugar era sujo (não limpo) e, realmente, fui conferir o meu texto e tava mal escrito, dúbio neste quesito. Só pra esclarecer a galera e fazer jus ao que o Jean disse: o Esposend não é só ótimo por ser bem servido, barato e bem atendido, podem ir confiantes que o lugar é limpo e super tranquilo. Quanto ao meu texto, quando me refiro a “sujeira” (do cheiro de peixe e o chão com sangue), é totalmente em tom de brincadeira; quem já foi no Mercado do Peixe São Pedro sabe e pode confiar, os restaurantes de lá são fantásticos. Inclusive o Esposend, que eu tive a oportunidade de voltar outras vezes e continuo indicando pra todo mundo. 

4 pensamentos sobre “Lapadas do Povo – Esposend

    1. Jean, se pareceu como crítica a limpeza, peço desculpas porque não foi. Achei o Esposend fantástico mesmo, me referi ao termo “pé-sujo” pelo uso tradicional da expressão, dedicado aos botequins “simples porém honestos”. No mais, é muito bom mesmo, indico a todo mundo e, sempre que posso, volto aí para comer. Vou editar o texto porque a intenção não era criticar a limpeza de vocês.
      Abraço e continuem com o restaurante fantástico de vocês!

  1. Ola boa tarde agradeço des de ja pelos elogios e criticas pos so com as criticas podemos melhorar pos venho en fazer uma pesquisa para melhorar o anbiente mas temos medo de sotisfica muito e perdemos a tradição do mercado então ficamos perdido pos a parte de fora nos corredores não e administrada pelos proprietários e sim pelo condominio que nao e barato o meu espaço do restaurnte Esposend pago 2.800.00 então pelo valor a igeene ten que existir fica a dica abraços. …….

    1. Po, minha única sugestão é que ponham mais mesas mesmo, mas nem sei se teria como fazer por causa do espaço.
      Quanto ao restaurante, concordo que não vale a pena sofisticar porque perde toda tradição e a comida é ótima do jeito que é, se ficar mudando nessas características é capaz de não ficar igual, então tem que continuar como já é.

      No mais, acho que não tem muito o que mudar, continuem como vocês estão que é ótimo assim.

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