Os 5 melhores seriados que eu acompanhei

Fala sério, seriado é cultura popular.

Com o advento de todo aparato, da tecnologia e dos investimentos pesados dos canais de TV, mais ou menos nas décadas de 70/80, a criação de bons seriados é uma constante quase irredutível. Toda hora aparece, por aí, alguma série boa e cheia de peculiaridades que prendem milhões de pessoas a frente da TV por uns bons anos.

Alguns, inclusive, gerando uma legião de fãs tão fiéis que fica difícil explicar quanto ao fim de alguma série e seus motivos; foi o caso de Law & Order, que mesmo com o fim faz uns 2 anos, até hoje pululam abaixo-assinados pedindo a volta da série. Ou o tão aclamado Arquivo-X, gerando uma movimentação tão grande no seu Season Finale, que se tornou um verdadeiro épico. Tamanha era a relação do seriado com o público que, culturalmente, a presença dele continua importante até hoje, permeando o imaginário popular sobre o que se define com o tema terror/ficção científica. Afinal, o que vem a cabeça quando escuta isso?

Algumas séries são tão marcantes, tão significativas, que fica injusto eu entrar aqui no meu blog e perceber que até hoje em não tinha feito uma breve lista sobre isso. Então, chegou a hora. As 5 melhores séries que eu já vi, cada qual ganhando uma breve explicação. Segue:

1 – Malcolm in the Middle

Quem se lembra? Essa, talvez, tenha sido a série de humor mais subestimada de todas. Ganhou um monte de prêmios, despontou Bryan Cranston (hoje, fazendo sucesso em Breaking Bad) para o mundo e foi uma das séries mais constantes ao longo de suas 7 temporadas. A ideia era bem simples e nada muito pomposa: uma família de classe média americana, com 4 filhos horríveis (depois 5) e vivendo no subúrbio, descobre que um deles – Malcolm – é um gênio.

Muito embora Malcolm fosse o destaque, é bem verdade que a grande sacada da série estava em saber usar TODOS os personagens muito bem, colocando-os nas mais diversas situações e respeitando o universo suburbano aonde estavam inseridos, fazendo o uso dos elementos deste mundo muito bem. Era genial, ótimas atuações, referências, construção, roteiro… e durante todo tempo de existência, recebeu muitas críticas positivas, sendo elogiadíssima. Por uma época, foi definida inclusive como “Os Simpsons de carne e osso“.

Recentemente catei toda a série e revi, só para garantir que continuava tão genial quanto eu achava que era. Um dos pontos altos são alguns discursos muito bem construídos, como este de Dewey, abaixo:

2 – Seinfield

A série mais aclamada de humor de todos os tempos, Seinfield, é um ícone completo. Quem não viu, veja; quem não quer ver, se mate.

Tão simples quanto Malcom, a ideia da série também era puramente minimalista: um grupo de amigos classe-média vivendo e/ou relatando suas histórias da maneira mais cômica possível. Dentre estes amigos, o comediante Jerry Seinfield, vivendo ele mesmo.

É impressionante o andamento todo dos episódios, muito simples e usando minimamente o mundo externo – pouquíssimos ambientes – mas investindo pesadamente no aspecto de desenvolvimento dos personagens, assim como discursos e roteiros muito bem elaborados. A graça toda da série está na “química” que rola entre os personagens e o mundo que interpretam, ficando tudo tão real mas ao mesmo tempo engraçado. Alguns episódios são verdadeiros clássicos, como quando George descobre o lugar no trabalho para a cochilada ideal; ou quando eles viajam para um casamento na Índia. Hilário.

O curioso a respeito desta série é que quase foi cancelada nos primeiros episódios, porque não tinha agradado os executivos do canal e não estava lá indo muito bem de audiência. Larry David (o diretor) e Jerry Seinfield mataram o projeto no peito e bancaram boa parte da primeira temporada. A coisa começou a melhorar, a série foi um sucesso e, até hoje, uma das mais bem conceituadas e premiadas da crítica.

3 – Anos Incríveis

Essa é uma das minhas preferidas, marcando uma geração toda. Quem não se lembra da entrada, dos personagens, de como tudo funcionava com uma naturalidade incrível?

Retratando o cotidiano de uma família de classe média ali pelos anos 60, a série tinha um cunho de humor menos escrachado, voltando mais para uma mistura com um leve drama, vivenciando os problemas e a realidade de uma família naquele cenário, principalmente do ator principal, o garoto Kevin (que era também o narrador, já mais velho).

Como dito, o bacana da série era, justamente, como tudo acontecia com uma naturalidade, uma leveza de situação muito bem bolada. Era quase como se o roteiro não existisse, se não fosse nada planejado e aquilo tudo REALMENTE tivesse acontecido. Impressionante que, mesmo retratando (principalmente) a realidade de uma criança – no caso, Kevin – a série nunca se absteve de mostrar o lado duro da infância; inclusive, com um dos melhores finais que eu já vi até hoje. Era um passeio muito atual, ao mesmo tempo que a série primava pela nostalgia de tudo.

Ainda rolava um boato sobre o amigo de Kevin, Paul, ser interpretado por Marlyn Manson quando novo – o que era mentira – mas ajudou a concretizar ainda mais a mística da série, sendo uma das mais queridas entre o público até hoje.

4 – Twin Peaks

Ícone dos anos 90, pequena (apenas duas temporadas) mas intensamente marcante. Quem matou Laura Palmer?

A pergunta feita acima abria o início da série, quando uma garota popular e querida na pequena comunidade de Twin Peaks, aparecia morta com sinais de violência. Clássico total.

Eu sou fã da série, embora só tenha visto recentemente. Sei que a Globo passou nos anos 90, fora de ordem e com cortes, prestando (mais) um grande desserviço ao planeta Terra, de modo que era ESSENCIAL ver a série de maneira sequencial.

Enfim, tudo é muito incrível na série, não a toa dirigida pelo conceituado diretor David Lynch. Tudo construído na série foi realizado com uma espetacular maestria, que originou uma das iconografias mais marcantes no que se diz a seriados em si. Era impressionante o trabalho como um todo, de modo que a obra apresentava um alto caráter de novela – com personagens excessivamente artificiais – mas ao mesmo tempo se desenvolvia de uma maneira tão estranha e sombria, que este detalhe adicionava uma química ainda mais surreal e assustadora a série.

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Todos os personagens – mesmo os mal interpretados – eram extremamente importantes e carismáticos, assim como a utilização do cenário eram muito bem feita. Não só isso, o mistério da morte de Laura Palmer, assim como as histórias paralelas, prendem o espectador de uma forma única. Tudo isso recheado com um final inexplicável, um dos encerramentos mais sui generis e macabros já pensados por alguém, finalizando de forma espetacular uma série que merecia isso.
Virou filme, livro e ganhou uma legião de fãs que, até hoje, clamam por mais temporadas.

5 – Homicide: life on the street

Pra quem gosta de Law & Order e suas variáveis, todas essas séries criminais, Homicide é um prato cheio, talvez a melhor do gênero.

Retratava os contos dos policiais da unidade de homicídios de Baltimore, seus problemas na vida policial e toda a conduta que os levava a resolver os crimes. A grande sacada da série estava no desenvolvimento do roteiro, que preservou do início ao fim a linearidade da história, desenrolando uma única trama, desde a primeira temporada, que foi se aprofundando, aprofundando, até culminar em um final épico. Diferente de outras séries policiais que se apegam a investigação em si, a graça – e o destaque – de Homicide era justamente o fato de MOSTRAR os meandros da vida policial e como cada personagem lidava com os problemas do cargo.

Passou no USA Channel muitos anos atrás, quando ainda se chamava assim, foi um sucesso mas depois desapareceu por completo do cenário brasileiro. Lá fora a série foi tão carismática que os personagens foram até “aplicados” em outras séries, como é o caso do Detetive Munch, que hoje todo mundo pode ver em Law & Order: SVU.

Editado às 21h 25min de 01/06/2012: Só para lembra que Homicide é baseada em um livro do autor David Simon. Este mesmo autor, foi usado de base para a série The Wire, tida até hoje como uma das melhores séries já feitas.

bônus:

Claro, tinha que ter! Com a série chegando ao fim, haveria como não constar?

House M.D.

O pessoal reclama que nas últimas temporadas caiu a qualidade, faz todo um bla bla bla, mas eu não acho. Ta aí uma das séries com um dos personagens mais carismáticos já criados.

Bacana, muito bem feita, muito bem produzida e, claro, com um encerramento digno quando ainda estava em alta. A grande sacada de House não está especificamente no desenvolvimento médico, ao meu ver, que embora legal é apenas para dar volume a série. A genialidade de tudo está a aplicação de um personagem extremamente nilista, com conceitos puramente racionais, em um universo hospitalar e que demanda, as vezes, uma certa humanidade.

Tudo que a série fez, até o seu final, foi levantar de uma maneira muito bem construída toda a “polêmica” de um médico “sem humanidade”, voltado apenas à medicina como forma de racionalizar charadas e desvendar mitos pessoais. Muito bem bolada, executada e, salvo alguns percalços e acidentes de percurso, uma das melhores séries que já vi. Merecia!

E por hoje é isso! Leiam, assistam as séries e comentem! Boa Noite!

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