As 15 melhores participações da guitarra na música

Iria fazer um outro post, maior e que me consome mais tempo, mas a querida GVT me deixou 3 dias sem internet, o que cagou com o meu tempo. Depois de muita briga e discussão, finalmente consertaram e agora tá funcionando de boa na garoa. Com a falta de tempo, tive de adiantar este post – mais curto – deixando o outro para depois.

Vocês devem ter percebido no título, bem explicativo, que estou me referindo a “participações da guitarra na música“. Justamente, o título refere-se a inserção da guitarra ao longo de TODA a música em questão; não coloquei apenas o solo (ou “…os melhores solos…“) como argumento porque, obviamente, estarei englobando casos em que – talvez – o solo não seja O MAIS importante, mas a música toda, a participação completa do guitarrista durante todo tempo da obra; ora liderando, ora sendo rítmico, ora fazendo o acompanhamento, estamos ampliando os horizontes na lista.

Desta forma, algumas canções com algum solo fantástico, mas com o resto em uma “participação guitarrística” humilde, acabei deixando de fora. A cada item colocado, farei um breve resumo do porquê da escolha, para não ficar tão “solto” e sem lógica.

Sem mais delongas, segue:

1 – Pink Floyd – Another brick in the wall pt. 2

É uma escolha clichê, mas nem tanto. É, talvez, a música mais famosa deles e, coincidentemente, também acho a melhor participação de Gilmour como um todo. Variando de um acompanhamento funkeado arrematando com um solo característico de Blues, temos a melhor combinação de habilidades do guitarrista.

É justamente na soma dos fatores, contexto total da participação, que tudo fica mais fantástico. Principalmente na harmonização durante a música, ao qual David se utiliza de uma referência muito bem feita ao Funk americano, com uma escolha de acordes muito característica e que dá um charme a base da música; um timbre bem característico enquanto o vocal canta a letra irônica. É uma grande progressão, uma evolução durante toda canção, começando com muita criatividade na mistura dos ritmos e terminando melhor ainda, com um longo solo altamente introspectivo e mostrando a melhor característica de David: os bends muito bem trabalhados.

2 – Jimmi Hendrix – Voodoo Child

Essa música é perfeita. Desde o seu começo, Jimmi Hendrix mostra porque é um dos guitarristas mais adorados de todos os tempos, fazendo jus a toda superestimação.

Uma introdução efetivamente sem notas tocadas, usando as cordas abafadas e apenas confiando ritmicamente na sua composição com as palhetadas, passando por um pequeno solo e o uso continuo do trêmolo para quebrar o ritmo da canção. Enfim, Jimmi Hendrix sabia mexer no instrumento, utiliza-lo muito além do braço da guitarra e suas notas para fazer música e, aqui, tempos o exemplo perfeito disso. Grande parte da identidade desta música esta, simplesmente, no experimentalismo de Hendrix ao longo de todos os itens que formam a sonoridade, é na ideia de interagir com o instrumento muito além do contato normal de um guitar player e expandir a ideia de “musicalidade”.

3 – Muddy Waters – Who do you trust

Aqui, Muddy Waters mostra porque é fodão, um dos melhores músicos de todos os tempos.

A mistura simples do Blues é muito bem utilizada, principalmente, sobre o aspecto de convergir perfeitamente com os outros instrumentos. Estamos falando de uma música que conta com participação de baixo, guitarra, gaita, voz e bateria e, ao longo de todo som, todos os elementos parecem “unidos” na mesma proposta, formando uma mesma sonoridade única e oriunda da mesma fonte. Entre todos esses sons, claro, o destaque à guitarra!
A maestria de Waters presente em ser simples, mas ao mesmo tempo inovador, com uma guitarra sutil mas que faz toda diferença dentro da música, dando um toque de agudos ácidos muito característicos e tornando a intensidade do som mais “profunda”. Terminando o ótimo trabalho, além de tudo, com um solo incrível.

4 – Funkadelic – Maggot Brain

Talvez seja a guitarra mais psicodélica da lista. O bacana desta música, é o efeito subconsciente (interessante) da mistura de sentimentos que a sonoridade passa. Nos damos um belo nó cerebral na interpretação de ideias, mas mesmo assim, percebemos que a música não é excessivamente estranha.

Ao tentar analisar a obra, você não consegue distinguir se este som é puramente artístico (arte pela arte), se o artista recorre à tristeza, à solidão, ou se é a descrição sonora de alguma viagem de drogas (frequentemente utilizada pela banda). No entanto, você percebe que, embora tudo e nada ao mesmo tempo, é uma baita música! É impressionante a capacidade do guitarrista de sintetizar um monte de coisas ao mesmo tempo sem precisar de uma palavra para descrever isso.

5 – SRV – Texas Flood

SRV foi um baita guitarrista. Ele tinha algumas características bem marcantes, como por exemplo o gosto por utilizar cordas extremamente grossas, o que davam ao timbre de sua guitarra um som muito diferente do resto. Tinha as influências óbvias do Blues, mas dado o fato das cordas, carregava uma peculiaridade que deixava seu trabalho bem diferente. Texas Flood é, para mim, o melhor exemplo disso.

Já logo no início, ainda com uma guitarra mais “limpa”, remetendo a um som mais claro, tranquilo, percebemos a característica marcante de um timbre extremamente forte e por vezes grave, mesmo nas cordas mais agudas. E é a partir deste timbre que a musica se desenvolve magicamente, com um dos solistas mais competentes que eu já pude ouvir, descrevendo sonoramente um ambiente totalmente nostálgico e fazendo uma referência muito completa de um local específico.

6 – Black Sabbath – Black Sabbath

A banda que “criou” o metal na música mais característica deles. Sim, acho esta música muito mais importante que Paranoid e Iron Man. Ela foi a responsável por “definir” Black Sabbath, não só no nome, mas no que eles sabiam fazer de melhor.

Como SRV, Tony tinha uma característica interessante: afinava sua guitarra um tom abaixo do normal. O que podemos notar claramente nesta música, aonde o som todo é de um grave e de uma força sem igual. A grande mágica, aqui, é justamente como a banda sabia adequar potência sonora e qualidade sonora, criando todo um universo musical característico, mas sem perder o poder da variabilidade de uma guitarra sujeita a ser mais grave que a maioria.

7 – Led Zeppelin – Dazed and Confused

Acho a música mais original deles. E, principalmente, pela participação genial da guitarra. É um som claramente psicodélico, com uma sonoridade completamente introspectiva e, remetendo (como a letra diz), a uma “confusão mental” do universo descrito pelo personagem.

É incrível – ainda mais que o resto – a participação dos agudos da guitarra no som, ora se confundindo com o vocal, ora sendo eles mesmos o “norteador” da música. O trabalho do guitarrista, aqui, mais uma vez é definir o sentimento da música de uma maneira sublime. O típico som que não faria nenhum sentido caso fosse alterada uma nota mínima. A evolução nos bends do começo ao fim, com o vocal ao fundo, funciona quase como um dueto com a participação de dois vocalistas.

8 – Buddy Guy – Five Long Years

Eu acho Buddy Guy o maior bluesman de todos os tempos. E esta música sintetiza o que eu quero dizer muito bem. São oito minutos de uma participação espetacular, passando por acordes, dedilhados, solos colocando velocidade e potência, solos mais introspectivos recorrendo a bends e poucas notas. Enfim, o cara passa o tempo todo fazendo jus ao que eu defendo, honrando o título de “o maior de todos”. A variedade e a habilidade misturadas com um feeling incrível que fazem esse um som único e impressionante.

Pra completar tudo, ainda taca um vocal muito pesado e melancólico, completamente condizente com o que pretende retratar e confirmando o trabalho que a guitarra já faz muito bem.

7 – AC-DC – Down payment blues

Powerage é o melhor álbum do AC-DC e quem discorda disso não entende nada. Down payment blues é a melhor música do álbum e quem discorda disso também não entende nada.

É uma mistura bacana e interessante, temos a guitarra “suja” de Angus e Malcom, cheia de overdrives e pedais de efeito, com um som relativamente mais tranquilo que o de costume da banda, utilizando – e muito – de clichês oriundos do Blues. Uma junção interessantíssima que nos brinda com um resultado que funciona bem demais. Notadamente, não só isso, ainda temos um solo muito eficiente, relembrando as músicas mais comuns da banda e convergindo muito bem com a base de Malcom, ainda voltada para o Blues.

8 – B.B. King – Lucille

B.B. King é outro que manda muito, que é cheio de manias e que COMPREENDE o que é tocar guitarra com feeling. Não a toa sua guitarra tem nome: Lucille.

Esta é a música em homenagem a própria e, não diferente, uma obra de arte única mostrando porque o nome da guitarra não é em vão. Como Buddy Guy, o que vale é a mistura eficaz dos elementos, variedade de solos, de habilidades, tudo isso sem perder o tom característico dos bluesmen, de manter todo o sentimento através do som. Se essa é a prova de amor de B.B. King pela própria guitarra, foi muito justo.

9 – Red Hot Chili Peppers – Give it Away

Sou fã de Red Hot, principalmente da primeira fase, dos primeiros álbuns utilizando-se diretamente do Funk americano. Tanto Hillel quanto Frusciante são guitarristas brilhantes e que souberam, através da banda, utilizar sabiamente seus instrumentos para composições muito boas. Give it away é a música que melhor sintetiza isso.

A participação da guitarra é sutil – mas crucial – em uma das funkeadas mais honestas que eu já vi na música, utilizando de poucos acordes e notas para estar constantemente presente no desenvolver rítmico da música. Claro, não só isso, contrastando com o baixo muito presente de Flea e equilibrando os diferentes sons; enquanto um fazia os graves o outro entrava grooveando com a guitarra nos agudos. Excelente.

10 – Bo Diddley – Itis

Esse é o cara do Rock’n’Roll. Esse cara construiu tudo que nós conhecemos hoje no estilo. A música em questão, embora simplista, demonstra isso. Estão todos os aspectos da “fundação” do Rock ali, desde a guitarra utilizando-se de efeitos, a batida clássica, a levada, o solo, a harmonia, a influência do Blues. Bo Diddley sendo o padrinho do maior estilo de todos os tempos.

A música escolhida, dos tempos mais modernos de Diddley, é uma aula de ritmo. A guitarra do cidadão funciona muito mais do que um “mero” acompanhamento da música. Ela simplesmente dita tudo que representa o som, por vezes sendo mais importante que a própria bateria, puxando a completa atenção das batidas para o som da guitarra. Coisa de mestre.

11 – Chuck Berry – Memphis Tennessee

Chuck Berry é conhecido e famoso. Tal qual Bo Diddley, foi um dos precursores do Rock e alavancou todo pessoal que viria mais tarde. Embora Bo Diddley seja o padrinho, é talvez em Chuck Berry que tenhamos a melhor síntese do Rock, sendo ele mais mainstream.

Já utilizando-se de alguns elementos mais característicos até do que viria a se denominar pop-rock, com uma batida mais concisa e uniforme, Chuck Berry cria o seu som em cima de uma música incrível. Reparem na facilidade do cidadão para tocar. Vai você fazer isso aí, vai se embananar todo e é capaz de torcer os dedos ainda.

12 – RATM – Killing in the name

Está aqui o rei dos efeitos. Se tem alguém que compreendeu os “tempos modernos” e toda a utilização de efeitos e mais efeitos na guitarra, foi esse cara. Muito embora não esqueça de suas influencias, passando do Blues ao Funk americano, é incrível a facilidade de Tom Morello em se utilizar, na mesma música, de uma variabilidade incrível de sonoridades diferentes oriundas de pedais e mais pedais.

Esta é a principal característica que o alavancou e, além disso, tornou RATM uma banda tão marcante no mundo musical moderno; veja o solo espetacular nesta obra, coisa de quem entende toda tecnologia carregada por trás do instrumento. Méritos dele, de saber aliar modernidade a boa música.

13 – Metallica – One

Olha só, quem diria que eu colocaria uma música mais “pesada”, oriunda do metal aqui. Mas One deveria constar, seria uma injustiça tremenda se ficasse fora da lista.

Com maestria, a banda soube se utilizar muito bem das variações dentro da mesma música, passando por uma série de dedilhados/arpejos muito bem compostos, com um final potente e um marcante riff entrando em um ponto crucial e definindo a cara thrash da banda; Além disso, um solo característico do metal, com muitas notas e velocidade, mas não sendo totalmente invasivo e complementando a música de maneira muito eficaz.

14 – Guns n’ Roses – Don’t Cry

Slash é um grande guitarrista. Embora toda as polêmicas que Guns’n’Roses se envolveu, o comportamento dos membros e o endeusamento meio nonsense de alguns fãs, a banda foi muito boa e teve uma grande influência nos anos 80 e 90. E Slash foi um dos grandes destaques.

Nesta música em especial, ele mostra toda sua habilidade ao decorrer do som em vários aspectos diferentes. Começando com uma participação completamente introspectiva no que ele fazia de melhor com seus arpejos, evoluindo através de distorções e riffs, desenvolvendo um final com um solo espetacular e muito bem composto, sem invencionices e sendo totalmente simplista, mas completamente competente.

Uma ótima música e uma participação fenomenal da guitarra.

15 – The Who – Quadrophenia

Quem não gosta de The Who, arderá no inferno. Isto está na Bíblia. E, de tantos sucessos e músicas clássicas, há uma que merece constar aqui: Quadrophenia.
A participação da guitarra nesta música é tão sublime – no momento mais psicodélico do The Who – criando uma mistura de elementos e sentimentos diferentes, tal qual Maggot Brain fez, citada lá no começo.

Você efetivamente não sabe qual sentimento a música quer passar, mas que ela transmite algo, transmite. Todo trabalho composto ao longo do som é, justamente, dar uma indefinição entre psicodelia e introspecção, pautados muito bem sobre a sonoridade da guitarra, mais uma vez, muito bem utilizada e explorando por completo toda musicalidade que o instrumento propõe.

Bônus: Este é um vídeo que eu gosto muito e acho justo postar aqui. Buddy Guy fazendo uma jam bacana, improvisando um pequeno Blues na sua guitarra e obtendo um resultado incrível, enquanto o vídeo mostra algumas imagens do sul dos Estados Unidos. Vale a pena conferir.

Bom, galerinha. Ta aí minha lista. Espero que gostem e comentem, Não esqueçam de me seguir e olhar o meu outro blog.

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6 pensamentos sobre “As 15 melhores participações da guitarra na música

  1. O solo de Don’t cry é muito bom, mais acho q vc escolheu muitos solos de Música menos conhecidas do grande publico, para parecer “cult”. Pode me chamar de poser, mais pra mim “Sweet child o’ mine” tem o melhor solo de guitara de tds, só q os “cults” não querem parecer posers e se preocupam mais no q os outros acham e perdem muitas coisas boas da vida.

  2. A história de Maggot Brain do Funkadelic é muito louca. O George Clinton mandou Eddie Hazel tocar como se soubesse que a mãe tinha acabado de morrer. No meio da canção mandou tocar como se descobrisse que de fato ela não teria morrido.

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