Lapadas do Povo – Banca 40

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Banca 40, a saudosa – e famosa – banca do Mercado Público. Quem não conhece o Mercado Público, alias? Um turista, tudo bem. Mas para um gaúcho, é inadmissível nunca ter passado por lá. Um dos maiores pontos turísticos da capital, bem na parte principal do Centro histórico.

Criado há mais de 100 anos, o projeto do Mercado Público de Porto Alegre era, justamente, centralizar o comércio da capital. Na época, ainda como província, em uma cidade com um número menor de habitantes e localidades, era complicado para as pessoas se locomoverem a diferentes pontos da cidade, ainda com boa parte de área rural, de modo a buscar produtos que necessitavam no cotidiano. O projeto surgiu, então, como forma de levar todos os consumidores da capital ao mesmo local, evitando o desencontro e facilitando a busca de tudo que precisassem na mesma localidade.

Como era de se esperar, não só como um ícone comercial, o Mercado Público virou um referencial de encontro, um “point” das antigas, o grande e badalado local de Porto Alegre. Abriram bares, restaurantes, espaço para eventos e o pessoal deixou de ver o Mercado como apenas um mercado, desassociando a ideia exclusiva de ser “um local para compras“. Era, realmente, uma localidade diferenciada, um ponto turístico e assim cresceu no inconsciente da população, tanto da capital como de quem vinha do interior.

Com o “fim” dos áureos temos do Centro histórico de Porto Alegre, graças a descentralização da cidade e crescimento de outros bairros, o Mercado Público meio que caiu em desgraça. Ficou um bom tempo sendo um lugar sujo, mal organizado; virou um ponto de conveniência, de ser ir apenas para fazer compras de especiarias, o legítimo mercadão popular. Foi ressurgir recentemente, coisa de uns 10 anos, quando a prefeitura renovou tudo e deu uma nova vida ao lugar, que voltou, inclusive, a receber eventos públicos, como shows, fóruns etc.

Dentre este tempo todo, mais de 100 anos de pura história, foram poucos os lugares que aguentaram firmes e fortes lá, se tornando pontos tradicionais até hoje. E um destes lugares foi a Banca 40.

Localizado bem no meio do prédio, exatamente no centro – o coração do Mercado – foi montada a banca mais famosa de sempre. A princípio, criada por (e para) imigrantes alemães, a Banca 40 tinha como ideia reunir o pessoal que, justamente, sofria com a adaptação a nova cidade. Os clientes, oriundos da Europa, em sua maioria trabalhadores braçais aqui no Brasil, precisavam contar com uma alimentação que desse vigor o dia todo, algo que enchesse a barriga em uma época que o mundo não vivia um bom momento econômico. Comida boa e barata, era o que precisava ser servido. E este foi o foco da Banca 40. Seu prato mais famoso, a Bomba Royal (um mix de sorvete e fruta monstruoso), é uma mistura de todas as especialidades da casa, como o sorvete artesanal e as frutas da época. E foi assim que ficou conhecido, historicamente, como um bar bom, barato e bem servido.

Mesmo tradicional, eu confesso que nunca tinha parado para comer na Banca 40. Além de não ter ido, eu não fazia nem ideia do que era servido lá; essas informações aí de cima, descobri porque elas estavam escritas no cardápio (legal isso da parte deles, por sinal). Já tinha passado na frente? Sim. Conhecia de vista? Sim. No entanto, nunca tinha me aventurado por aquelas bandas. Era tudo uma incógnita, o que torna tudo mais legal.

A primeira grata surpresa veio com o ambiente. O bar, como o Mercado em si, chama muita atenção. A mistura de tudo gera uma baita muvuca, movimento o dia todo e aquele clima de boteco sempre lotado, sempre com um cliente diferente. Mesmo não sendo especialidade da casa as comidas (e bebidas) de botequim, aquele clima fica no ar de qualquer forma.

Na parte da frente, como mostra a primeira foto, funciona meio que uma vendinha, com frutas e verduras da estação, alguns salgados e doces, assim como o caixa da parada, junto com o acesso à saída. Na parte do meio (terceira foto) e na parte de trás (quarta foto) é que o bicho pega e Bombas Royal são servidas o dia inteiro. Tudo lá – como manda a cartilha – continua como era antigamente: o balcão de granito no meio atrolhado de gente comendo, o corredor aonde saem os pedidos, a parte do fundo com as mesas de madeira para o pessoal mais sem pressa sentar e desfrutar com mais calma. Bacana, também, o próprio caixa, que mantém ao alto da parede uma foto do primeiro proprietário até hoje, mostrando que as raízes ainda são preservadas por ali. Velha guarda total.

Como eu disse, é um lugar de lanches. Lanches de boteco, mas lanches. Não há bebidas, coxinhas de galinha, nem nada assim; sanduíches, sucos e sorvetes são o foco. Obviamente, isto não desqualifica o local. O cardápio não importa, de modo que se cumpra o propósito. E por causa disso é que eu tive a segunda grata surpresa, com a comida que me serviram:

Sobre o balcão de granito, um banco redondo e um estabelecimento lotado – como todo boteco que se preze – pedi um sanduíche, um Milkshake e um Sunday, todos das fotos acima. A foto do Sunday, alias, já tínhamos comido a metade. Era final de tarde, estava me roendo de fome e a pedida era essencial para deixar meu dia mais feliz. Comer bem, afinal, é sinal de que o dia foi bom. A grata surpresa ficou ao sanduíche, que não é a especialidade da casa, mas além de bem servido estava muito gostoso. Feito com frango, molho e salada, só o que me apresentaram ali já dava pra saciar a minha fome toda; uma baita de uma baguete cheia de recheio e muito bem feita, com tudo fresco, provavelmente vindo direto da vendinha. Como sou gordo, embalei tudo com um Milkshake de creme, feito com o sorvete artesanal (especialidade da casa) que faz toda a diferença. Que sorvete bom! Pra completar, minha namorada pediu este Sunday aí, que eu – como um bom namorado – ajudei a comer. Repito: que sorvete bom! Não a toa é a especialidade da casa. Pelo que entendi, é feito sem gordura hidrogenada, o que dá um sabor e consistência muito melhor.

Para quem não conhecia a casa, como eu, ir lá e ser recebido assim, com muita comida e num ambiente muito bom, faz toda a diferença. Não só isso, os garçons são muito gente boas. Tão gente boas que presenciei, enquanto comia, um outro cliente fazendo questão de chamar o gerente para falar que o atendimento era muito bom. Bar bom é assim, atendimento conta muito e faz toda a diferença.

Saí de lá satisfeito, com a barriga cheia e com uma impressão muito boa. Se era de praxe, para mim, passar no Mercado Público sempre que podia, agora arranjei mais um motivo pra ir. Não só como referência histórica e/ou turística, é também um ótimo lugar para comer. Recomento a quem tiver tempo livre, passar lá e experimentar.

Para finalizar meu artigo, disponibilizo alguns vídeos legais do Mercado Público e da Banca 40Vejam que legal, principalmente os dois últimos vídeos, sobre a história do local; conta com mais detalhes a criação e os pormenores do local:

Boa Noite e sigam-me!

Nome: Banca 40

Endereço*: Largo Jornalista Glênio Peres (Mercado Público) – Centro

Média de preço: 10 a 15 reais, por pessoa.

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