Lapadas do Povo – Natalício

Quem frequenta a noite gaúcha, no mínimo, já deve ter ouvido falar do grande Natalício.

Atualmente, presente em 3 pontos distintos da cidade, com um boteco na Zona Sul, um na área Central e outro quase na Zona Norte, o bar nasceu em meados de 2006 e rapidamente conquistou o gosto do povo, justamente pelo seu caráter, misturando uma proposta inovadora à capital, mas preservando o caráter clássico de um botequim.

Quando eu comentei que, vez que outra, iria colocar um boteco mais “chique” aqui, este é um bom caso. Como bem lembro que disse, também, a moral de colocar um boteco mais “chique” era justamente para enfatizar aqueles bares que, embora mais caros, mantivessem as tradições dos bares em sua essência, com todo a mística e os elementos essenciais de um bom boteco que se preze. E este é o caso do Natalício. Talvez, até, o melhor exemplo disso.

Para quem talvez não conheça, ou nunca foi, a ideia do dono era justamente dar um clima mais descontraído, o clássico botequim informal, para uma cidade que carecia de bares neste aspecto. Como consta no próprio site, sobre o estabelecimento: Antes do Boteco Natalicio existiam excelentes bares em Porto Alegre, com bons petiscos e cerveja bem gelada. Mas faltava um “Boteco”. O Natalicio abriu as portas em abril de 2006 e trouxe um novo conceito para a cidade que era conhecida  pelos pubs, cafeterias e choperias. O Natalicio apresentou aos botequeiros porto-alegrenses petiscos ainda não saboreados na capital gaúcha como os escondidinhos, a autêntica coxa de galinha (eleita a melhor do Brasil pela Revista Seleções) e a premiada costelinha de porco com mel defumado,  eleita  o melhor petisco do Concurso Boteco Bohemia .

Pura verdade.

A ideia de trazer um “pé-limpo” (como se intitulam) para Porto Alegre foi um trabalho inovador e muito bem aceito, cativando de maneira quase imediata o público da capital. Isso porque, antes de tudo, não adiantava montar um boteco sem cara de boteco, afinal, este seria o grande diferencial; para a coisa funcionar bem, tinha de trazer toda a imagem clássica, a iconografia presente no inconsciente nacional ao definir o termo “botequim” e representar aquela figura ao qual todos nós imaginamos. E isso que foi feito, no caso do Natalício.

Desde o ambiente, caracterizado por uma série de placas, azulejos e outros elementos comuns – como as mesas da Brahma tudo passa por uma construção estritamente temática. A música ambiente, sempre com samba e MPB, a comida de botequim, valorizando os salgados, escondidinhos e afins, assim como os próprios garçons, na maioria, em um clima informal e descontraído, sempre brincando com a clientela e tratando todo mundo de uma maneira muito pessoal.

Junto disso, o grande acerto das estruturas dos imóveis em si, todos com um ar meio português, aqueles casarões antigos do início do século, cuidadosamente montados para trazer uma identidade visual muito marcante ao Natalício. O trabalho de imagem, como era de se esperar, foi perfeitamente bem montado, bem elaborado e, até hoje, muito bem cuidado e mantido pelos funcionários.

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Mas um boteco não poderia parar aí. Afinal, claro, com todo ambiente, eu não citei os dois itens mais importantes de um estabelecimento deste porte, a alma de tudo e o que move a casa como um todo:

E a bebida?

E a comida?

Falarei por partes, para facilitar a vida de vocês:

A comida:

É o grande destaque da casa. Não a toa, como deixa claro no próprio site, com pratos premiados em concursos nacionais, os caras manjam de fazer coisa boa e que agrade os mais variados estômagos. São tantos os pratos que poderiam ser citados aqui, que daria um post único sobre “comidas boas do Natalício“. Consigo lembrar mais de dez pratos de cabeça, sem pensar muito, que poderia indicar aqui.

Passando pela coxinha-monstro (premiada), que é quase uma refeição completa e deliciosa, assim como o escondidinho de camarão, com o ponto certo entre a massa e o crustáceo, ou a própria costela com mel (também premiada) e o também camarão com mel, todos muito bons, todos de comer e repetir muitas e muitas vezes. É a festa da fartura. Toda vez que eu vou lá – e posso garantir, eu já fui mais de 50 – sempre acho algo novo e bom no cardápio.

Se você tiver tempo – e dinheiro – vá lá e coma tudo. Tudo mesmo, não se poupe e nem pense no regime. Nada dá errado. Se está no cardápio, é gostoso. E, como não poderia faltar, experimente o caldinho de feijão, que é delicioso. Sempre que eu vou lá, volto uns 2 kilos mais gordo. É impossível sentar na mesa e não pedir, no mínimo, uns 3 itens diferentes. A ideia é justamente essa: boteco é esbórnia. E esbórnia é sinônimo de felicidade. Afinal, comer é viver.

Para completar tudo, os caras ainda fazem feijoada no sábado (e domingo, na Zona Sul), como mostra a foto ali do começo. Ser gordo é ser feliz. Editado dia 17/07/2012 às 20h16min: Fui recentemente na feijoada e posso garantir que é tão ou mais gostosa que nos dias de semana. Quem tiver disponibilidade, pode ir que vale MUITO a pena. E prepare a comilança, porque tem entrada, 4 tipos de feijão, chopp e cachaça, além de todos os acompanhamentos clássicos de uma feijoada.

Espetinho de camarão e queijo coalho.
Na frente, caldinho de feijão. No fundo, camarão com mel.
Costelinha de porco com mel. No fundo, uma bela dose de Nega Fulô.

Bebida:

Outro ponto forte da casa. Não só o chopp, que também é servido com maestria e cuidado de seguir os conselhos da Brahma de chopp correto, a casa sabe valorizar as bebidas típicas daqui, tendo uma bela e enorme carta de cachaças muito boas. Serve Nega Fulô, serve Claudionor, serve uma porção de tipos de aguardente de Minas e do Nordeste, os grandes caras da cachaça brasileira. Pra quem for mais da bebida do que da comida, vale também ir lá para experimentar o que a casa oferece.

Não só isso, há pratos que já vem com a dose dupla de pura felicidade. É o caso do “ele e ela“, ótima pedida, vindo com uma dose do caldinho de feijão e uma cachacinha de tira gosto. Beba, tanto quanto coma, porque esta é a outra função de ir para lá: beber, beber, beber, comer, comer, comer, se divertir e sair de lá com a ideia de dever cumprido. Aproveitar tudo que a casa pode oferecer e curtir toda a temática do ambiente.

Enfim, temos um boteco clássico. Desde 2006, já podemos contar com isso também em Porto Alegre. Para os amantes deste tipo de local, foi uma grande conquista, um lugar que vem crescendo, mantendo o bom atendimento, a boa comida, a boa estrutura, tudo igual como sempre e o que se espera de um belo botequim clássico. É que nem vinho, afinal, só melhora com o tempo.

Elis Regina sabiamente interpretava o seguinte verso: Em qualquer esquina, eu paro/Em qualquer botequim, eu entro. Faz muito sentido, quando falamos de Natalício:

Faça disso o seu lema ao ir lá.

Editado no dia 17/07/2012 às 20h51min: Estava com tanto sono no dia que escrevi este texto, que acabei passando em branco em um dos – ou talvez o – ponto mais forte da casa: o atendimento. Quem é cliente frequente sabe do que eu me refiro. O Natalício mantém um padrão de atendimento que, dificilmente, eu encontrei em outro lugar do mundo. E não estou exagerando, porque eu poderia citar, fácil, uns 500 restaurantes que eu fui no Brasil e fora dele, mas é difícil encontrar um lugar com um atendimento tão bom.

Quem vai lá tem uma certeza: vai ser bem atendido. Tão verdade que, por muitas vezes, eu já fui lá e acabei nem consumindo nada, fiquei apenas conversando com os garçons. O pessoal é gente boa mesmo, norma da casa. E isto, claro, conta como um baita diferencial, na medida que você desenvolve uma relação de amizade não só com o lugar, mas também com os funcionários que fazem da casa um lugar ainda mais diferenciado.

PS: Não seja amargo nem imbecil, contribua para a felicidade dos garçons e deixe um trocado na caixinha que fica ali no balcão. Os caras são gente boa e recebem pouco, merecem a gorjeta. Sem choradeira e contribuam por 1 ou 2 reais na boa. Ninguém vai morrer de fome por causa disso. Se o atendimento deles se mantém o melhor de Porto Alegre, não custa a ninguém contribuir com isso. Demonstre da forma mais fácil que você reconhece o trabalho dos caras.

Nome: Boteco Natalício

Endereço*: 1 – Rua Cel. Genuíno, 217; 2 – Praça Maurício Cardoso, 141; 3 – Avenida Wenceslau Escobar, 1823

Média de preço: 45 a 55 reais, em média, comendo e bebendo.

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