Lapadas do Povo – Sem nome (Apolo)

Em primeiro lugar, gostaria de comentar que este bar em questão receberia uma resenha mais adiante, mas pelo fato da justiça ter fechado (isso mesmo, a justiça) o bar ao qual eu me dedicaria a comentar hoje (Bar duRusso, ali na Bento), tive que adianta-lo. Posto esta frase aqui para deixar clara a minha indignação com o trabalho cagado da Prefeitura de Porto Alegre, que de uns tempos para cá resolveu se dedicar a fechar as biroscas mais simpáticas da cidade, com argumentos babacas pautados em pura burocracia verborrágica e sem sentido, tudo na intenção de derrubar bons bares populares, tentando transforma-los em ambientes requintados e cheios de frufru. Public Enemy para eles, Fight the Power!

Voltando ao bar em questão, não coloquei o nome do estabelecimento porque simplesmente não tem. Como “nome”, então, coloquei a referência mais próxima ao local, a auto-escola Apolo, que fica exatamente ao lado do bar. Foi por causa da Apolo que descobri este boteco, aliás. Fui um dia ver umas paradas ali sobre a minha CNH, estava com uma fome de anteontem (como diria Chico), não via nenhuma solução barata e boa por perto, quando me deparei com esta humilde casinha aí, com uma placa pra lá de chamativa na porta, escrita em letras garrafais: ALMOÇO BUFFET LIVRE C/SUCO  R$ 9,90. Obviamente, fui conferir.

Eu confesso que o estabelecimento caga geral na cabeça da minha descrição de boteco ideal, o que não diminui o lugar, obviamente. Não tem azulejos, não tem o salgadinho no caixa, não tem o tiozão bebendo desde cedo, e nem o chopp gelado tem; é uma casa exclusivamente para o almoço e acabou. Está mais para uma grande cantina. Mas, não deixa de ser popular, o que é o apelo da ideia toda. O preço é atrativo, o buffet é do caralho, muitas opções e bem gostoso, e ainda vem com um suco! Vale lembrar que o suco é muito bom também, não é aquelas águas coloridas que servem quando afirmam ter suco grátis; é suco suco.

Uma coisa que reparei lá (já fui umas cinco vezes), é que sempre tem uma variedade de coisas boas e que enchem a pança. Sempre tem polenta frita – uma das melhores que eu já comi, por sinal – e uns 2 ou 3 tipos de carne, assim como sempre tem uma lasanha, algo assim e uns acompanhamentos bons, como arroz e feijão. A farofa deles, que só fui provar hoje, também é boa demais; não é aquelas prontas chinelonas da Yoki, que muito boteco coloca por aí, é feita na hora e vem com uns pedaços de bacon e carne na medida, prontos para deixar seu almoço muito mais pesado e feliz. Bacon, assim como feijoada, é uma coisa que combina muito com o verão, embora os puristas e os nutricionistas discordem; mas eles não entendem nada mesmo, então o problema é deles.

Um aspecto interessante – e singular – é justamente o ar de cantina, tal qual o da dona, que mantém sempre o mesmo cardápio com alguns elementos da Serra, como é o caso da polenta frita e do galeto, sempre no ponto e bem temperado. Não só isso, todo ambiente me lembra aquelas casas de Mama, saídas lá de Bento para Porto Alegre, mas que preservaram os costumes de sempre, com algumas tradições bem típicas. Saca só o naipe do local:

140220120042

Observando, dá pra ver bem aquela cara de salãozão, as mesas com aquele pano em cima e as cadeiras de madeira pesada. Não só isso, em cima do buffet ali na direita, dá pra observar bem uns vinhos, condimentos e outros penduricalhos tipicamente italianos no recinto, mantendo bem esta relação com o interior alemão e italiano do Rio Grande do Sul. Os donos são gente boa demais, também, e sempre dão um jeito de deixar o cliente pagar como quiser. Aceitam todos os tipos de cartão, ticket, dinheiro e tudo mais. Isso que o almoço custa MENOS DE DEZ REAIS, mas eles nunca ficam te enrolando ou emburrados por formas de pagamento ao qual o dinheiro não vem na hora. Até no crédito eu já paguei lá.

Outra coisa que eu gosto, reforçando o atendimento ao cliente citado aí em cima, é o fato de que os talheres já ficam enrolados com um guardanapo na mesa; coisa mais irritante é aqueles buffets que o cara tem que equilibrar o prato cheio, pegar talher e ainda guardanapo, ou ficar indo e voltando pelo salão para pegar tudo. Aí não, você serve só o prato e já está tudo na mesa; até o suco eles te entregam. Sedentarismo total, o cliente só tem que se servir. E sedentarismo é bom, embora a TV tente pregar o contrário e te faça caminhar e praticar exercícios.

Como disse, foge a regra dos botecos postados, mas não perde a graça e nem a comida deliciosamente gostosa. Em uma região tipicamente rica, cheia de boutiques e restaurantes BEM mais caros, ta aí uma opção para se comer MUITO bem, tomar um suquinho e pagar menos do que dez reais. Preço justo e um ótimo almoço garantido; se você quiser, pode até repetir. Duvido encontrar um mais barato e/ou mais gostoso na redondeza.

Ps: Além de tudo, o local tem ar-condicionado, o que neste verão que tem feito calores de 82 graus na sombra, tem sido um diferencial MUITO atrativo.

Nome: Sem Nome (Apolo)

Endereço*: Rua 24 de Outubro, 1756 – Auxiliadora

Média de preço: 9,90, buffet livre com suco.

Bom dia e sigam-me!

Anúncios

Um pensamento sobre “Lapadas do Povo – Sem nome (Apolo)

  1. Esse bar foi fechado por um motivo muito simples: O dono permitia que depois das 15:00 todos fumassem maconha, até aí ok, nada contra maconheiros, mas presenciei colegas meus utilizando cocaína e outras drogas, se procurar o bar antes verá que tinha um galpão no fundo, a entrada era permitida só para estudantes, para estudantes usarem drogas. O dono do bar, o Russo, fazia isso PROPOSITADAMENTE, tornando o ponto um centro de uso aberto de drogas ele atraia a clientela da faculdade, lembro disso porque eu mesmo era um desses clientes, ele reformulou o bar para algo mais apropriado para um almoço e atualmente tem até outro nome exatamente para que se tente eliminar a fama que o bar tinha de pontos para junkies. Já vi gente até injetando lá, fazendo triátlon mesmo, o lucro do bar vinha do alto consumo de cerveja dos maconheiros e utilizadores de drogas muito mais pesadas. Se passar por lá agora, até o nome do bar já mudou, se não me engano agora é Bar Restaurante Avenida, mas da ultima vez que eu vi o dono continua o mesmo, o “Russo”, que teve de responder judicialmente por seus crimes. Da ultima vez que fui lá com uma amiga para ver como as coisas estavam no começo de 2015 ele não parou de encher o saco de maneira insuportável, pentelhando por motivos políticos quando só queríamos tomar uma cerveja, o cara não parava de falar a ponto de tornar o ambiente horrível, sem respeitar a privacidade dos clientes, juramos nunca mais voltar para aquele lugar, que além do péssimo ambiente devido ao seu dono de personalidade agora amarga, é higienicamente imundo. Todos que estudaram na PUCRS até 2009 ou 2010 mais ou menos sabe o inferninho que aquilo realmente era, um reduto de junkies de drogas pesadas. O Russo contribuiu muito para a destruição e adicção de pessoas em seu bar, e embora tivesse discussões políticas no local (o lugar era frequentado por muitos militantes de centros acadêmicos), um bar cujo único atrativo real era ser refúgio para maconheiros cheiradores, injetadores usarem suas drogas e tomarem muita cerveja mereceu ser abordado pela polícia, era droga demais, o ambiente por lá agora está claramente decadente, tão decadente quanto a moral de seu dono, Russo, uma pessoa sem o menor escrúpulo.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s