Lapadas do Povo – Paz & Amor

pazeamor

Este aí nem fica em Porto Alegre, mas sim no Rio, no entanto merece ser comentado porque foi uma gratíssima surpresa, daquelas poucas que a gente tem por aí.

Eu estava ali na praia em Ipanema, neste final de ano, querendo descolar um rango maroto pro almoço. Queria comer aquela feijoada bem pesadona, pra passar a tarde inteira coçando e me sentindo obeso com aquele puta mal-estar de “carai, comi demais“; aquele feijãozinho com cachaça esperto no Sol infernal de duas da tarde, fritando os miolos e suando como um porco eram ideais para o meu objetivo. Alias, nada combina mais com um calor de 40 graus do que uma feijoada. Chico sabia disso:

Ia passar ali no famoso Garota de Ipanema, point dos turistas e gringos de plantão, famoso pela música do Vinícius de Moraes e Tom Jobim, porque a feijoada ali é coisa fina. Como de costume, aquele boteco estava bombando demais, lotado até a porta, filas e filas de gente que visivelmente não pega sol há anos. E eu não estava afim de esperar para comer, estava morrendo de fome e queria encher a pança o mais rápido possível. Foi aí que minha prima indicou o tal do Paz & Amor, argumentando que tinha feijoada toda Sexta e que era bem honesta. Eu confesso que não levei fé na parada, tinha tudo pra dar errado:

1 – O lugar se chama PAZ & AMOR, não tinha cara se ser sério. Parecia nome daqueles projetos de beira de praia que não dão muito certo, coisa de surfista malandro e tal.

2 – Se localiza na Garcia D’Avila, uma das ruas aonde tem a maior concentração de restaurantes e boutiques caras no Rio de Janeiro. A facada na conta era uma certeza para mim.

Mas fui mesmo assim, não tinha muita opção. Ou era ali, ou esperar anos por uma mesa no Garota de Ipanema, ou pagar 100 reais em um prato qualquer naqueles restaurantes com nomes de cozinheiros famosos e climatizados. Cheguei lá e o primeiro detalhe que notei foi a grande democratização do boteco, o que é muito importante; como dito no outro post, botecos são lugares democráticos por essência. À esquerda, mais no canto do recinto, há um espaço que só serve um PF que dizem as más línguas ser bom pra caralho; o PF, claro, mais acessível ao povão, com um preço mais em conta.

Mas como eu estava a fim de me lavar comendo, fui na parte “chique” (entre aspas, porque continua sendo um boteco). Na parte chique, pude constatar que se tratava de um bar MUITO tradicional em todos os sentidos, com a descrição exata sobre os itens essenciais para um botequim que eu falei no outro post, inclusive com uma turma de tiozões tomando uísque (sem gelo) no meio da tarde e no calorão. Isto que é velha guarda, eim? Estava tudo ali, os salgadinhos, o chopp Brahma no ponto (tulipa bem gelado), a mesa baixa, os azulejos, tudo. Além disso, uma coisa bacana que reparei, era a disposição do dono em atender bem todo mundo; não havia filas, pois aqueles que iam chegando e não encontravam lugar, eram recepcionados com cadeiras na rua e uma “mesa improvisada”, feita de galões de chopp. Genial demais.

Ta aí a entrada lateral, a parte chique. As mesas improvisadas ficam aonde estão as bicicletas.

Eu e minha namorada pedimos uma porção de pastel de cebola e queijo para abrir o apetite, e foi uma gratíssima surpresa. Pelo preço (6 unidades e 12 reais, se não me falha a memória), imaginava que seriam aqueles pastéis congelados industrializados. Não poderia estar mais enganado. O negócio é feito na hora e MUITO, mas MUITO bom MESMO. Dava pra comer pastel a tarde toda, se o tempo e o dinheiro me permitissem, porque realmente foi um dos melhores pastéis que eu já comi na minha vida.

A foto, meramente ilustrativa. Não consegui a original.

Partindo para o almoço, pedimos um prato com camarão e arroz de brócolis, que também estava fodamente bom. Comi muito, de me empanturrar mesmo, daquele jeito que o cara tem dificuldades de locomoção depois. Vinha muito camarão, daqueles bem gordos ainda, assim como um arroz de brócolis muito bem feito e na medida, muito bem temperado. Tudo muito bem feito, tudo no ponto. O preço ficou uns 34 reais, pelo que me lembre; mas, considerando que dava tranquilamente para duas pessoas, os 34 ficam diluídos em 17 por cabeça. A pensar que estavamos na parte “chique” do boteco, 17 reais foi um preço justíssimo para o prato monstruoso e delicioso que comemos.

Não bastasse todo ar tradicional que eu não esperava, a comida muito boa que eu também não esperava, assim como o atendimento muito bom que tive e o chopp geladão que bebi, ainda gostaria de ressaltar alguns detalhes que acho muito importantes.

O primeiro detalhe, a localização do bar, que fica em um dos lugares mais bonitos do Rio de Janeiro, perto da praia de Ipanema e da Lagoa, dando todo aquele clima de Bossa Nova para a parada.

E o segundo detalhe, foi um que descobri recentemente: o local é ponto de encontro do bloco de rua Que Merda É Essa?. Tinha que completar o boteco com chave de ouro, isto foi realmente muito inesperado!

Bom, fica aí a ideia pra gurizada que for pro Rio ou que já more lá. Aproveite o carnaval, vá encher a barriga e vá curtir o bloco, tudo no mesmo lugar!

Nome: Paz & Amor

Endereço: Rua Garcia D’Ávila, 173 – Ipanema

Média de preço: 35 a 50 reais, duas pessoas.

Sigam-me os bons!

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