Lapadas do Povo – Comilão

Ta aí o meu primeiro post desta brincadeira.

comilao1 (1)

Pensei em começar com o Comilão porque vou lá há muito tempo, desde que eu era criança. Aliás, essa lancheria foi uma das responsáveis por eu colocar em prática a ideia de tudo em si.

Eu sempre fui meio entusiasta de comida “povão”, não sei o porquê exato. Talvez, porque eu goste muito de feijão, ou de ovo frito, ou da combinação dos dois. E, como A la minuta é um prato típico de boteco, feijão + ovo também são comidas típicas de boteco. Por sinal, existem coisas típicas que todo boteco classudo tem de ter: a mesa para o café, os azulejos, o tiozão tomando cerveja às duas da tarde de uma Terça-Feira, pratos com feijão, cachacinha, cerveja gelada e um petisco velho com qualidade duvidosa no balcão, como ovo em conserva ou coxinha fria. Se não tem isso, não é boteco, isso é essencial. Mas, vamos voltar ao que interessa.

O Comilão é um restaurante/boteco antigão, cravado no coração de POA, lá no Centrão da cidade. O Centro é o bairro do boteco e do pé-sujo, então era uma necessidade começar por um estabelecimento que ficasse lá, no “olho do furacão“. O Comilão fica ali na saída da galeria do Rosário, em frente à paróquia Nossa Senhora do Rosário.

Ta aí a Igreja. Mó famosa.

Fica de frente pra uma banca de jornal (como dá pra ver na primeira foto), aonde umas minas ficam vendendo “CHIPÊ DA OI, TIM, VIVO, VEM AQUI QUÉ MAIS BARATÔ!” (apenas reproduzi o que elas mesmas falam), e tem uma baita porta aberta o dia todo, com uma baita entrada. Este fato de ter a entrada grande é muito interessante, porque conduz direto ao balcão, permite aos transeuntes tomar um café de pé, no meio da rua mesmo, sem ter que escolher mesa e sentar. Dá pra ver ali no canto da foto, no “Comilão Café”, aí que se reúne o pessoal que toma expresso, lê jornal e fica de pé. Dá pra descolar uns petiscos de bar pra comer de ali na bancada também, o que é deveras interessante. Mas, se você tiver um tempo, eu recomendo sentar e comer sem nenhuma parcimônia.

É importante lembrar que o Comilão é o primeiro experimento puramente socialista que deu certo no mundo. Digo isso porque é um prédio pequeno, com poucas mesas, aonde todos temos que sentar coletivamente com estranhos e, obviamente, socializar. Então não importa, no horário de pico (geralmente o almoço) senta pedreiro, desempregado, comerciante, advogado, empresário, um monte de gente que trabalha nas redondezas, todo mundo junto. Como diria Reginaldo Rossi, “no bar, todo mundo é igual” e o Comilão prova isso. Ali, não existem classes sociais e ninguém é pobre ou rico. URSS deveria ter se espelhado neste boteco, para aprender um pouco.

Uma vez eu sentei em uma mesa com um camelô e o cara me contou toda história da vida dele em uns 10 minutos. Ainda tentou me vender umas paradas, enquanto comia um PF igual o meu. O PF dali, por sinal, é bom demais. Quando eu disse pra passar com bastante tempo e sentar nas mesas, é por causa do PF. É o A la minuta perfeito, no ponto, com tudo de bom: arroz, feijão, batata frita, ovo frito e carne. Tudo na medida, a batata frita é cortada muito fina e fica bem sequinha, bom pra caralho. E o destaque fica pro feijão, que é MUITO bom. Dificilmente nesses estabelecimentos, mesmo os mais populares e com comida caseira, o feijão fica com aquele gosto de comida de mãe. Mas lá no Comilão fica. O feijão é uma obra de arte, calculado para satisfazer o mais nobre paladar. Só de pensar naquele prato já me dá fome uma fome do caralho. Sugiro experimentar o suco de laranja natural, também, que acompanha muito bem a comida.

Como bom restaurante, não poderia faltar o palito acompanhando. Isso que é tratar bem o cliente.

O negócio ainda tem um segundo andar que foi recentemente reformado, era todo de madeira, uma sauna, mas agora tá bacana. Tem mais umas mesas e até um ventilador colocaram, ficou bem legal. Quem tiver mais disponibilidade de tempo, pode passar lá com mais calma, sentar e tomar uma gelada no balcão, porque aquele ponto do Centro é uma muvuca braba e sempre está lotado de gente. É bom pro cara dar uma relaxada e desestressar um pouco, ainda mais neste calorão brabo que está fazendo.

Nome: Comilão

Endereço: Rua Vigário José Inácio, 379 – Centro

Média de preço: 10 a 12 reais (o prato).

Sigam-me os bons!

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2 pensamentos sobre “Lapadas do Povo – Comilão

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