Os 5 cases de sucesso da Internet livre

Eu não estou nem aí para os copyrights e quero que o SOPA, o PIPA e o ACTA se fodam. Quero que seus idealizadores tenham mortes dolorosas, que quem apoia isso passe fome e os lobistas por trás dessa indústria sofram torturas infindáveis e dolorosas.

Eu ainda posso reclamar com propriedade sobre esses caras, porque eu compro um monte de cds, dvds, livros e softwares originais. Logo, eu não reclamo sem “conhecer” o outro lado, sou consumidor também e gasto muito com essa indústria cultural toda. Não venho dar uma de moralista de cuecas aqui, crucificando geral, se o meu único intuito fosse promover a discórdia, se eu só usasse produtos piratas e NUNCA tivesse o mínimo interesse em comprar nada original. Compro sim, gasto pra caralho e me sinto no direito de cagar esses trouxas a pau quando eu quiser, porque se a indústria deles efetivamente vem “secando” por causa da pirataria (o que é mentira), eu sou um dos poucos que ainda os “sustenta”.

Além disso, já li Lawrence Lessig, fiz uma porrada de cadeiras de marketing e pesquisa na faculdade, já trabalhei no setor comercial, então me sinto no direito de falar mal de quem eu quiser sobre esse assunto, ainda mais sobre esse discurso moralista hipócrita de “preservar” o criador da obra, como se isso fosse o argumento real pro trás dessas leis ridículas e hipócritas.

Você quer saber a real? Quer saber o porquê disso?

Todo mundo sabe que estas três leis babacas ainda não foram aprovadas, mas que a “batalha underground” em defesa do copyright está rolando, principalmente com a queda de um monte de sites de compartilhamento. O fechamento do maior deles, Megaupload, reflete bem a situação. Aliás, o fechamento do Megaupload EXPLICA todo o alinhamento da briga. Aquele gordinho viciado em COD, que foi preso esses dias, era um revolucionário. O cara tinha feito duas coisas geniais nos últimos tempos, que colocariam uma pá de cal por cima das grandes e obsoletas indústrias do copyright:

1 – O gordinho foi na fonte do problema, conversou com quem deveria e CONVENCEU uma porrada de artistas insatisfeitos com a indústria do copyright a apoiar o Megaupload. Pouco antes dos cagados do FBI fecharem o site, estava circulando um vídeo com vários famosos dizendo que usavam e incentivavam o site de compartilhamento de arquivos. Uma campanha COM ARTISTAS para o compartilhamento, o que era simplesmente genial e inédito.

2 – O gordinho era um gênio e tinha criado um meio de que TODOS sairiam ganhando com os downloads grátis, tanto consumidor quanto artista, com uma tática de transferência revolucionária, ao qual ele chamava de MegaKey/MegaBox (para saber mais, leia aqui).

Por que tamanha ideia genial está terminantemente proibida?

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Porque a ideia do gordo simplesmente limava com o intermediário, no caso, a indústria do copyright. Quem lucrava era o usuário – com arquivos de graça – e o artista, que receberia quase 90% do valor de seus materiais produzidos (esta participação é bem menor atualmente, por causa das grandes corporações que lucram com o copyright). O problema de tudo era justamente esse: o intermediário babaca e inútil não lucrava, as Universals e Sonys da vida caiam fora, elas não ganhariam nada…e eles são os lobistas de tudo, eles que tem os amiguinhos ricos no governo para aprovar leis malucas.

Atualmente, não é benefício nenhum para um músico assinar um contrato com uma grande gravadora, nem para um ator com a indústria do cinema, nem para o pessoal do softwares com os conglomerados, porque SÓ QUEM LUCRA AS GRANDES FORTUNAS DE TUDO ISSO É O PRÓPRIO INTERMEDIÁRIO. Os contratos são feitos objetivamente sobre uma ideia obsoleta, vinda ainda dos anos 50, aonde o “grupo” (gravadora, produtora, etc.) ganha uma gorda porcentagem da variável sobre a obra (algumas vezes, superior até os 90% citado), enquanto o artista fica fadado a receber uma porcentagem minúscula desta mesma variável, sendo responsável pela criação do conteúdo e, ambos os lados, dependendo da vendagem exclusivamente física da mídia para gerar o capital. O artista se fode criando uma quantidade de coisas para tirar os seus 10%, o consumidor se fode por pagar uma fortuna pelo produto, todos os funcionários se fodem por receberem pouco e trabalharem muito, mas o presidente da Sony ri. Ha-ha-ha, que bacana.

E aí que entra a suposta cruzada do copyright, perfeitamente exemplificada no texto do Piratebay (leia aqui). Estes caras são todos mafiosos hipócritas, protegidos por meia dúzia de políticos cabaços, que anos atrás estavam fazendo A MESMA COISA que os supostos “piratas” fazem agora; os lobistas da indústria cultural criticam a si mesmos! Enriquecerem burlando a lei, criando esqueminhas, vivendo às sombras de muita falcatrua…para pagar de super honestos defensores da moral e da propriedade intelectual. “It’s about de money“, é dito no filme Casino, a mais pura verdade. Eles não tem o interesse de proteger o direito de ninguém, mas sim o próprio bolso, para continuarem sobrecarregando uma indústria obsoleta que só eles mesmos retiram benefícios.

Eu não vou me prolongar muito sobre o assunto, que foi exaustivamente debatido a semana inteira, mas acho que com os dois textos indicados nesse post, do Jovem Nerd e do Pirate Bay, já dá pra entender o “porquê” dessa briga. Sugiro ler também o livro do Lawrence Lessig, Free Culture, aonde ele detalha o processo de imoralidade na “proteção legal” que o copyright se apega, sendo um discurso totalmente fora de contextualização, criminalizando qualquer pessoa sobre o olhar de uma situação que ninguém pode escapar ou “não consumir“, que é a cultura.

O que eu quero provar com este post é a “última defesa” sobre a cultura anti-copyright. O argumento final desta briga sempre acaba em uma pergunta: como que as empresas vão lucrar com o compartilhamento grátis? Pois eu vos respondo que, sim, há MUITOS casos de gente que lucrou sem cobrar dos seus consumidores. Então, que sirvam de exemplo:

A Microsoft e a pirataria

Vou começar “faca na bota“, com o caso mais polêmico. O tio Bill nega amargamente e, por sinal, defende várias campanhas anti-pirataria. Mas, na prática e nas entrelinhas, ele é um pirateiro de marca maior. E o mais rico do mundo.

Como você acha que a Microsoft monopolizou o mundo tão rápido? Com certeza não foi pela qualidade do SO Windows, que até hoje é motivo de piadas pelos seus constantes bugs mesmo nas versões mais recentes. Então, o que foi?

Sabe como o Tio Bill entrou em mercados “pobres”, como a América Latina? Fazendo a maior “vista grossa” para a pirataria. Quando o SO Windows, aquele primeiro e rudimentar, chegava ao Brasil e outros países, a Microsoft fingia que não via a pirataria rolando solta. Em alguns casos, até meio que “apoiava” por debaixo dos panos, para que todo mundo que comprasse um PC tivesse uma necessidade por usar o SO Windows. E não deu outra, o monopólio da empresa saiu do mercado americano e dominou o globo.

Ah, mas ele perdeu muita grana com isso“. Ledo engano.

Olha a cara dele de quem passa fome. Muito pobre que ficou com a pirataria.

A monopolização do SO Windows, em um nível global, permitiu à empresa do Bill Gates que suas ações fossem MUITO mais valorizadas, assim como criou uma grande “dependência” do mercado às plataformas Microsoft. E, por esse fator, ele teve “bala na agulha” justamente para fechar uma caralhada de acordos comerciais com o mercado corporativo e, AÍ SIM, ganhar muito dinheiro. “Quem não é visto não é lembrado“, né? Pois o Bill Gates percebeu isso, rodando o seu Windows mundo afora com a pirataria, para que a empresa fosse “vista e lembrada“, o que deu certo. Aliás, vocês podem reparar até hoje que o “controle” anti-pirataria da Microsoft é uma grande piada, qualquer criança consegue burlar e utilizar os softwares de maneira ilegal sem sofrer grandes perdas. E é isso que ainda faz o mercado dele ser imenso.

Por isso que, até hoje, as plataformas da Microsoft são amplamente utilizadas. O pior é que Bill Gates ainda pode pagar aquele super ar de burocrata anti-pirataria dele, que tem muito carinha que vai engolir o seu ar de “seriedade”.

O que seria da Microsoft sem a pirataria, eim?

Radiohead e o CD sem preço

Essa é boa e um baita case. Uns anos atrás essa banda aí, que eu nem acho lá tudo isso, teve uma ideia brilhante: vamos lançar nosso CD na internet e deixamos o usuário pagar o quanto quiser por ele.

E fizeram. E deu certo.

O Radiohead lançou o cd In Rainbows, primeiramente, apenas para download no site oficial. Deixava ali, então, a oportunidade do consumidor pagar pelo produto o quanto quisesse. Poderia pagar um milhão de reais pelas músicas, ou poderia obter os arquivos de graça, tudo de forma original. Obviamente, a maioria absoluta baixou tudo de graça…e ainda por sites ilegais, não pelo link oficial. E deu certo, mesmo assim!

As músicas do álbum se propagaram tão rápido que o mesmo logo começou a tocar em um monte de rádios, teve várias músicas entre as mais tocadas, a banda conseguiu marcar MUITO mais shows que o comum e vendeu muito mais itens de souvenir. Mas não parou só aí; semanas depois foi lançado o álbum em mídia física (cd) e, devido ao fato de que muita gente já tinha tido contato com as músicas anteriormente, a venda do cd disparou e vendeu muito mais que o previsto.

Todo mundo achou um sucesso, inclusive a banda que ganhou bem mais!

Downloads gratuitos estragam o mundo da música? Diga isso para o RadioHead. Você continua duvidando? Então leia aqui.

A UDK e o software livre

A UDK é um projeto do pessoal de engines do grupo Epic Games. Quem conhece um pouco de games – e mesmo quem não conhece – sabe que a engine é o MOTOR do jogo. Como o motor de um carro, a engine é a peça mais importante de todo projeto; e quem conhece o grupo Unreal, sabe que a engine deles é uma das mais importantes da indústria dos games, que atualmente gera mais lucros até que Hollywood. Ou seja, as engines dos caras valem MUITA grana. São os motores de Ferrari do mundo dos games.

Imagina se a Ferrari resolvesse disponibilizar seus motores de graça? Todo mundo usando, todo mundo criando carros em cima, não existiria mais carros com motores 1.0 toscos, só gente andando de carrão na rua; que maravilha…é o futuro! Pois os caras da UDK fizeram isso no mundo dos games e disponibilizam TOTALMENTE DE GRAÇA a engine deles no site www.udk.com. É só baixar, instalar e produzir seu próprio jogo com os mecanismos mais modernos do mercado; não satisfeitos com a barbada, eles ainda disponibilizam uma porrada de tutoriais para te ajudar a entender as ferramentas.

E a equipe Unreal ainda tem lucros em cima disso!

Tudo isso através de um pequeno acordo MUITO simples. Como o software é disponibilizado de graça, o usuário não pode usa-lo para lucrar. Mas, se quiser lucrar, uma parte será dividida com a Epic Games. Todo mundo sai feliz ganhando grana e, além disso, a Epic Games pode usar o próprio site da UDK como um gigante arquivo de currículos, visto que todo mundo que bolar um projeto pode postar no site oficial para os outros baixarem.

O slogan do “brinquedo” resume toda a ideia em si, que foi uma sacada genial e realmente muito boa para todos os lados, funcionando como uma verdadeira rede de compartilhamentos. Make something Unreal, afinal.

Batman, o ARG e o lançamento

Para quem não sabe, ARG significa Alternate Reality Game, que nada mais é do que um grande “jogo” que recorre a ambientes verdadeiros, misturando mídias e situações do mundo real com o mundo virtual. Geralmente é usado por empresas para gerar mídia espontânea, como o caso do Guaraná e da FIAT.  Ambos os exemplos aí já poderiam ser citados como título do tópico, mas o melhor de todos e que efetivamente vou comentar, sem dúvida é o exemplo mais palpável disso.

Para o lançamento do filme The Dark Night (viu, a indústria do cinema sabe ser legal quando quer), da série Batman, a empresa 42 entertainment  bolou um ARG monstruoso, desenrolando uma série de enigmas, aonde incluíam um vasto conhecimento da história do personagem e dedicação dos jogadores na hora de entender os mistérios. Basicamente, o jogador encarava o papel de um investigador de Gotham City, tentando entender as ações de Batman, dos mafiosos e quem viria a ser o tal de “Coringa”. O jogo foi tão bem bolado e intenso que, dado o grau de realismo, conforme o jogador ia descobrindo os mistérios, ele recebia ligações dos bandidos (obviamente, atores) ameaçando o sujeito, dizendo que era pra ele parar de meter a mão nos problemas de Gotham, recebia cartas de apoio de Harvey Dent e etc. O negócio foi MUITO real.

Como nos outros cases aí de cima, vem a mesma dúvida: porque uma empresa iria bolar uma porrada de sites e mídias, contratar atores, movimentar uma  porrada de telefonemas, mandar SMS e uma caralhada de coisas, de modo que o jogo era completamente de graça? Porque isso gerou tanto dinheiro com mídia espontânea, com as filas lotando a estréia do filme, com a quantidade de pessoas que comprou bonequinhos, chaveirinhos, camisetas, que perdeu tempo falando bem do jogo, que eles simplesmente não precisaram cobrar UM real de ninguém para vender o mesmo. Tudo de graça para o consumidor que se divertiu durante dias, mas gerando um lucro enorme para a empresa. Fácil, não? E todo mundo feliz. Why so serious?

O Google

Sim, caros druguis leitores, o Google. Porque não cita-lo como um grande case de sucesso de compartilhamento livre?

O Google te cobra alguma coisa? Não. A mim, também não. E isso que ele me oferece duas redes sociais (Orkut e Google+), o melhor site de buscas da internet (Google.com), um site de compartilhamento de planilhas e pesquisas em nuvem (Google Docs), um site de compartilhamento de vídeos (Youtube), o melhor e-mail da internet (Gmail), um navegador (Chrome), um site de controle gráfico sobre os meus sites (Google Analitycs) E ainda se propõe a ME DAR DINHEIRO se um dia algum site meu for bem sucedido (Google Adsense/Adwords).

Os caras são, ou eram até uns dias atrás, a empresa mais lucrativa do mundo, considerada um dos melhores e mais inovadores ambientes de trabalho, estão presentes em praticamente todo mundo, mas não cobram UM CENTAVO do seu consumidor. Dizem que dinheiro gera dinheiro, mas a verdade é que inteligência gera bem mais. Vemos aí nosso amigão colorido, o maior buscador do mundo, que criou um império gigante apenas com uma boa ideia, além de tudo, visando o bem estar do consumidor. Não cobrar nada para sempre é uma das brigas do Google, que aliás foi um dos organizadores do blackout da internet contra o SOPA e PIPA.

A genialidade por trás de tudo isso está em oferecer o que as pessoas precisam para viver, na mesma proporção que empresários possam despejar rios de dinheiro para lucrar com as necessidades. O “super” serviço do Google, nada mais é do que uma grande “ponte virtual”. Todos se encontram no espaço, de forma que quem quer gastar saiba aonde gastar, na mesma proporção que quem quer consumir, saiba aonde consumir. E, desta forma, o serviço não precisa ser cobrado para o consumidor, o elo mais fraco, porque o lucro depende da liberdade. Que bonito, Google, o exemplo. Talvez o melhor exemplo. Não é a toa que empresa só cresce, enquanto a indústria do copyright só despenca. Google it for you.

Bom galerinha, este foram os cases de sucesso que considero muito importantes para entendermos todo esse rolo. Poderia colocar o próprio Megabox/Megakey do Megaupload, mas infelizmente foi sabotado antes de efetivamente começar a render grana. Mas o meu argumento com o post está respondido: é possível lucrar “de graça”. O papinho pró-copyright é obsoleto e lamentável, aonde só velhos dinossauros ficam feliz em ganhar dinheiro “à moda antiga“, sem se esforçar e tocando no rabo do consumidor e artista, que sofrem com tudo isso.

Mas, para isso, ainda temos os nobres malucos do Anonymous e do PirateBay, para continuar sabotando todo mundo e jogando merda no ventilador. A internet continuará livre.

http://bytelove.com/partners/thepiratebay.html

http://anonops.blogspot.com/

PS: Se o SOPA ou PIPA fosse aprovado, muito provavelmente eu poderia tomar uns 20 processos só neste post, por uso de referências à filmes, uso indevido de imagens, etc.

PS2: Vou comprar os cds originais daqueles que apoiaram o Megaupload e vou enviar um e-mail pra assessoria deles, dizendo que comprei o cd só porque eles apóiam o site. Conforme for, posto a resposta aqui.

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7 pensamentos sobre “Os 5 cases de sucesso da Internet livre

  1. Muito bom texto, realista e transparente, ganhou um seguidor, parabéns pela “explanação” do obscuro mundo dos dinossauros. Estarei o acompanhando sempre. Abraço.

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