O melhor e o pior de 2011

Demorei pra fazer porque o blog é novo e não sabia se valia a pena. Mas, resolvi fazer. Pra priorizar a ideia e minimizar o texto, vou ser bem sucinto.

Nos moldes daquele “sobe, desce“, da Veja. 3 dos melhores, 3 dos piores, aí vamos:

Os 3 Melhores

1 – A volta de Black Sabbath

Sem dúvida, a melhor notícia do ano passado. Ainda mais do jeito que foi, com aquele mítico anúncio devido ao atraso que deu.

Todo mundo vidrado no site esperando o contador zerar pra saber o que ia acontecer e…nada. Chegou dia 11-11-11, o cronômetro ficou em 00:00 e o site continuou na mesma. Aí, quando já estava todo mundo pensando que o Black Sabbath tinha trollado geral, o site é atualizado e aparece isto:

Esses tempos eu disse por aí: Black Sabbath é tão foda, mas tão foda, que o anúncio deles constituía apenas em fazer umas montagens e colagens com música ao fundo…mas mesmo assim, foi um momento épico!

Quando a banda alcança um patamar de tanta importância, ninguém liga para COMO as coisas de fato são feitas, mas sim o conteúdo em si. E foi este o caso, pois o que importava era o anúncio da volta.

Esperaremos 2012!

2 – A revolta da negadis

2011 foi também o ano das revoltas. Não vou nem entrar no mérito de englobar o mundo todo, mas falando especificamente de Brasil.

Não, nós não “mudamos” o país nem porra nenhuma, mas ao menos o povo acordou. Pra fazer meu TCC eu li um livro do Carlos FicoReinventando o Otimismo, aonde ele disserta sobre o fato do brasileiro viver, ao longo da história, épocas de puro otimismo e épocas de puro pessimismo, sempre alternando. Parece que a virada de 2010 e entrada de 2011 marcou “o fim” de uma era de pessimismo e o começo de uma era de otimismo. Tudo com isto:

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Sim, meus caros, foi em 2010, mas como eu disse, “na virada” dos anos. Depois disso, parece que houve um despertar e este ano (2011) efetivamente tivemos um povo mais ativo. Até quem tentou avacalhar se surpreendeu. A eleição de Romário, que era pra ser uma grande piada, garantiu um dos políticos mais ativos de 2011:

Ainda tivemos a revolta dos bombeiros, carteiros, PMs, estudantes, professores etc. Tivemos uma infinidade de gente que resolveu sair na rua e protestar, cagar tudo a pau e tentar acabar com a putaria descontrolada que rola há anos por aí. Em alguns casos, eu nem concordo com o que foi feito. Mas, fato é, o povo resolveu sair pra tomar medidas.

Se isso vai trazer frutos, vai mudar alguma coisa, ninguém sabe. Mas que continuemos assim em 2012. É dever do cidadão tacar o foda-se e exigir que a coisa melhore, nem que seja na base da ignorância. Só assim que eles ouvem, então assim que será:

Encerro este ítem com o discurso do Plínio de Arruda, que foi em 2010 mas exemplifica bem isso. O cara é maluco, tá ultrapassado,  trollou a eleição inteira, mas ao menos fala bem. O discurso do debate final, sem dúvidas, foi muito melhor do que o dos outros candidatos, que pareciam robozinhos babacas lendo o papelzinho do partido. Sábias palavras e mostrou porque, mesmo velho, ainda está ali:

3 – Inverno, de novo

Esta é a o notícia pra quem vive num país tropical mas não aguenta 12 meses de calor. Sim, eu gosto de verão e praia, mas é um saco ficar o ano inteiro assim. Ainda mais pra quem mora em Porto Alegre, como eu, que não tem praia o ano todo. Só cimento e uma sensação térmica de 3.000º.

Fazia uns bons anos que a gente não tinha um inverno rigoroso. Desde que começaram os papos de aquecimento global e este blablabla, realmente nunca mais tinha feito um inverno decente. Era uma semana de frio mais ou menos e pronto, acabou. Mas 2011 veio pra provar que as expectativas estavam erradas e há muito frio para fazer, ainda. Até nevar, nevou.

Tivemos um frio de verdade, meses com chuva, frio, umidade, casacos, rinites e cobertores. Finalmente, depois de muito tempo, um inverno novamente.

Os 3 Piores

1 – A decadência do futebol nacional

Já disse no outro post da década de 90 e repito: o futebol nacional está decadente. Se não mudar logo, é fiasco em 2014.

O Campeonato Brasileiro é um lixão e piora a cada ano, com dois ou três time efetivamente razoáveis para disputar alguma coisa, os estaduais estão largados e muitos clubes nacionais de grande relevância viraram uma grande e sem-graça piada:

Ainda tivemos que aturar aqueles comentaristas aloprados, achando que o Santos daria um show no Mundial e que, no final, só funcionou como um grande choque de realidade. Ao menos isso serviu a derrota humilhante do Santos, pros negos se ligarem que o futebol brasileiro não está bem.

O mais engraçado disso tudo é ver o ingresso subindo ano a ano, muito mais que a inflação, assim como os salários astronômicos pra esses mongolas que não conseguem jogar 3 partidas decentemente. Isso, sem contar nossos técnicos, um mais cagalhão que o outro, fazendo sempre o mesmo feijão com arroz e dando vexame atrás de vexame. O que nos resta é a imagem do time do Santos, morto depois do jogo, que expressa bem o futebol que estamos praticando nos últimos anos:

2 – Crise no mundo

O Brasil melhorou, mas o mundo piorou. Agora temos poder pra comprar, mas não temos aonde comprar.

Tá todo mundo em guerra, todo mundo revoltado, todo mundo querendo se matar. Agora que temos passagens baratas, acesso ao E-Bay e a bandalha toda, o mundo resolveu entrar em “recessão“. Sim, vai piorar ainda mais este ano, mas foi em 2011 que reativamos este “temor”. E, obviamente, as especulações começaram. Em 2011 a Grécia efetivamente faliu, a Itália está na berlinda e a Irlanda também. Espanha e Portugal seguem pra mesma vala dos gregos e o Estados Unidos se engana, fingindo que “tá tudo legal“, enquanto a dívida pública só aumenta.

Nós, brasileiros, vamos assistir tudo numa zona confortável, ok, mas da mesma forma não poderemos investir o nosso novo “status” de potência, a sexta maior economia do mundo, em algo que nos dê retorno. Funcionaremos mais como “o grande irmão”, ajudando a Europa e os Yankees afundados, tentando reergue-los para podermos nos salvar também.

E isto é uma merda, serão mais alguns anos que o mundo vai viver de protestos, guerras e afins, aonde as fronteiras se fecham e fica difícil viajar e/ou comprar um milhão de bugigangas. Nestas situações, cidadãos normais como eu, não há o que se fazer. Só resta esperar…

3 –  Sertanejo Universitário domina o mundo

E precisa dizer? Vou até postar de sacanagem:

Bom, pois é, tinha que constar na lista. Há coisa mais irritante que “modinha musical“? Não tem como prever no que essa sandice vai dar, mas enquanto rola de 3 minutos em  3 minutos em todos os lugares, só nos resta aguentar essa gente. Teló, Luan Santana, essa porra toda, esse chapéu ridículo de cowboy americano.

O que eu não entendo é o nome do estilo: “sertanejo universitário“. Porra, a palavra “sertanejo” designa algo que veio do SERTÃO. Nem esses malas atuais nem o malas antigos, Xitãozinho & Xororó e afins, que mundialmente se apresentaram como “sertanejo” efetivamente representam a cultura do sertão.

Cultura do sertão, alias, que eu muito defendo. Lampião, mandioca, seca, Nordeste, macaxeira, peixeira, juazeiro, coco, Asa Branca, Vidas Secas…cadê essa merda toda? Os caras que fazem “sertanejo” ou “sertanejo universitário”, por sinal, vem tudo de GOIÁS. Tá tudo invertindo; até Raimundos é mais sertanejo que isso. Isto é Sertanejo (como deveria, pelo termo, “o que vem do Sertão“)… o bom e velho Forró:

Editado, dia 14/01/2012, às 19h:

Como eu sou boca-aberta, acabei esquecendo. Não vou classificar nem como “bom” nem “ruim” para não estragar minha lista, mas vou colocar a parte, porque foi um dos momentos mais marcantes do ano passado e, claro, tinha que estar aqui.

– A Morte de Sócrates:

Como eu esqueci? O Doutor, o Magrão, o Democrata? Jogador impar dentro de campo e figura mais impar ainda fora dele. Bebia, fumava e era um baita craque.

Como disse, gosto do que o Flávio Gomes escreve. Então vou colocar o texto dele sobre o fato, na íntegra, porque explica bem a importância da figura de Sócrates, mais que dentro de campo.

Sócrates que, alias, concorda com a minha afirmativa sobre a decadência do futebol. Segue o texto:

Aí quando eu estava lá embaixo no meio daquele milhão de pessoas pedindo para votar para presidente, o cara sobe lá no palanque, em cima do viaduto, ergue o punho direito, ou o esquerdo, e grita que queria a mesma coisa. Do meu lado, gente de todas as cores e credos ludopédicos erguem seus punhos, também, e aplaudem o cara, que resolveu não jogar na Europa porque queria estar aqui para ver de perto o fim daqueles anos em preto e branco.
Não deu nada certo, não votamos para porra nenhuma, e dias depois, ou semanas, não me peçam para lembrar os quandos e ondes, mas acho que era no Morumbi, e o cara enfia a bica da intermediária, nosso goleiro sem pescoço pula e não pega nada, ele ergue o punho de novo e eu xingo o cara com todas as minhas forças, doutor do caralho, filho da puta, vai tomar no cu.Antes, Copa do Mundo na Espanha, Brasil versus União Soviética. Estamos lá na zona leste, num puxadinho junto com um monte de gente que eu também não conhecia direito, uma TV com bombril na antena, umas brahmas, gol dele, o empate, se bem me lembro. Abraços e beijos, doutor do caralho, filho da puta, joga demais, vamos, porra.Depois daquela Copa acho que não torci mais para seleção nenhuma, depois daquela ninguém mais nos representou, talvez em 1986, era um restinho daquela, o cara estava lá de novo, com faixa na cabeça, quatro anos mais velho, mais cabeludo e mais desgostoso, perdeu um pênalti, nem xinguei de doutor do caralho. Já tinha feito muito, tudo bem, entre uma e outra ele tinha ido e voltado da Itália, aí foi jogar no Rio, queria ficar junto do povo, do povo inteiro, jeitão de fim de carreira, mas era médico, ia parar e vestir o jaleco para cuidar do povo, e ele dizia povo com autoridade, sabia bem quem era o povo, e cada um para o seu canto. Eu, que o conhecia da TV, do estádio e do Anhangabaú, para cuidar da minha vidinha besta; ele, para cuidar do povo — no falar, escrever, pensar.
Avança a fita.Ano passado, um velho e empoeirado e querido pub em Pinheiros, faz frio, as portas já fechadas, o dono não quer nem saber, quem quiser fumar, fume, fumem e bebam antes que o mundo acabe, o amigo tocando violão, a gente ali, tentando entender o que estava acontecendo com nossas vidas, aí ele entra alto, forte, senta, pede um vinho, sorri, canta, sorri, bebe, sorri, fuma, e a gente tira foto com ele, e o mundo é um lugar até aceitável quando a gente vê que tem gente como ele, que jogava bola, que só vencia a timidez diante da multidão falando e tocando de calcanhar, e que sorria, e bebia e fumava.Sócrates morreu de tanto viver, que é uma boa forma de morrer.
Ganhar ou Perder, mas sempre com democracia.

Bom, galerinha. Por momento, é isso.

Ta aí os 3 melhores e os 3 piores do ano passado. Que as coisas sejam bacanas em 2012 e que me renda uma bela lista! Hasta!

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Um pensamento sobre “O melhor e o pior de 2011

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