Coisas dos anos 90 que você teve ou fez pt.3

Voltando com tudo, porque toda trilogia faz sucesso (e eu farei uma lista sobre elas, um dia). Welcome back, 90’s:

Jogar revistas e livros interativos

Ta aí uma coisa que todo mundo fez, vai dizer que não, aí eu vou explicar e vai dizer “ahhhh, é veeerdade! Como eu poderia me esquecer disso???!!!!“.

Como já disse antes, nos anos 90, mesmo com a maior acessibilidade a produtos importados, ainda se tratava de uma época de limitações tecnológicas, comparadas aos tempos atuais. Então como o nerd iria saciar sua vontade por RPGs e jogos de Aventura quando ele não conseguia reunir aquele galerê de peso em volta de uma partida de D&D? Video-game ainda era arcaico para ele satisfazer suas necessidades de enredos mirabolantes e histórias imensas. A solução foi muito simples: livros interativos.

Parece idiota, mas não é. A solução para entreter nerds do mundo inteiro, em uma época sem video-games, era criar um livro ao qual a pessoa pudesse “escolher” as suas ações. E foi aí que surgiu este negócio:

Quem teve, sabe. Basicamente, constituía em um “game” que, ao final de uma pequena passagem em texto vinha escrito algo como “você quer fazer isso, vá para  página X” e, desta forma, o leitor-jogador “guiava” o mundo da forma que queria. Sim, como o caso do Moonwalk de Michael, o jogo foi lançado lá fora em 80 e poucos, mas alcançou a notoriedade ali pelo começo de 90.

Geralmente este aí das fotos que figurava nas bancas de jornal, o mais clássico de todos e conhecido como “Aventuras Fantásticas“; tinha um público-alvo maior idade, adultos e adolescentes. Mas aí virou tanto sucesso que rapidamente vieram outros muito muito parecidos, também para crianças. Obviamente, vocês sabem que eu estou falando de:

A lógica era a mesma, mas para públicos mais jovens. Povoou as bibliotecas de colégio, ruas e casas, quando uma infinidade de moleques tentava resolver os “impossíveis” mistérios das coleções, envolvendo uma série de exercícios de observação, lógica e percepção. Mesmo sendo um livro bem fininho, devido ao grau de dificuldade dos mistérios, eram horas e horas de muita concentração. O cara ficava ali tentando desvendar até a última situação do livro. O pior que sempre tinha resposta no final, o que estragava um pouco da brincadeira.

Mas, fato é, seja adolescente, adulto ou criança, todo mundo se aventurou em encarar um desses “games” e tentar chegar até o final.

Torcer REALMENTE pela Seleção

Tem um blogueiro famoso que eu gosto muito comentando futebol: Flávio Gomes.

Na Copa de 2010 ele fez um blog  exclusivo sobre o tema, melhor impossível, ao qual dizia algo como “ninguém mais tinha torcido pela Seleção depois de 82“. Não lembro se era assim ou talvez parecido, mas era algo do nível. No entanto, mesmo gostando do que ele escreve, eu discordo. Ninguém mais torceu para a seleção depois de 1994. Mesmo com o futebol feio e a vitória nos penais.

Todo mundo que viu ou sentiu, sabe da mobilização. Tínhamos as campanhas, as bandeiras, a cidade parava no dia de jogo. Todo mundo acompanhando, fazendo as chaves dos grupos e vendo no que ia dar. Galerinha comemorava os gols, ainda mais do Baixinho, mito supremo e talvez a representação máxima daquela geração:

Mesmo a gravação mítica do mala insuperável Galvão Bueno foi um momento que marcou na cabeça da galera. Foi tudo muito bacana. Ninguém acreditava mais na Seleção, era uma geração “perdida”, aí aparece o Romário desbocado e matador, assume e mata no peito, levanta a taça e grita pro mundo: eu sou o cara!

Lavou a alma de muita gente, principalmente do povo que, mesmo descrente e sem muita fé na “Seleção Parreira”, torceu em todos os momentos e “comprou” a ideia desde o início. Foi feio, sofrido, com prorrogação, mas tá lá…acabou aquela seca, o Brasil foi Tetra. E o povo participou. Lotou as ruas, comemorou, comprou aquela camiseta da Umbro – muito melhor que as da Nike – e ainda fez questão de de se orgulhar de tudo, comemorando que nem criança.

Depois daquilo, no ano de 98, aí sim a coisa nunca mais fez a mesma. Aquele fiasco, a suposta compra de resultado mostrou um “lado negro” de tudo que ninguém queria acreditar. Ainda tivemos uma “luz no fim do túnel” com a “família Scolari“, mas tudo morreu de vez depois. E aí, desde então, é só ladeira abaixo. Jogadores toscos, resultados piores ainda e, pra completar, o principal meio de informação esportiva tentando “infantilizar” o esporte, tornando-o num antro de retardados dançarinos e penteados marotos. Falta futebol e sobra holofote. Parece a revista Caras, só que de jogadores.

Tem gente que até acompanha a seleção atual, mas não torce. O que é bem diferente. Vimos isso na última Copa. Se a seleção perde, uma minoria liga. Antes era choro, era tristeza geral, eram 4 anos de angustia. Hoje não…é normal.

Tudo morreu depois de 90.

600-romario-cesarloureiro

Acompanhar séries americanas velhas

Hoje, com internet, TV sincronizada, Full HD, canais pagos e essa merda toda, a coisa funciona bem. Mas, no passado, não. Para que os programas de sucesso saíssem dos EUA e chegassem ao Brasil, dava um verdadeiro “delay”.

O que acontecia era o mais óbvio: seriados “velhos” para os americanos eram passados aqui como grande novidades. Foi aí que pudemos ver, na TV aberta, grandes sucessos dos anos 80…nos anos 90.

Assistíamos a grandes velharias com aquele ar de “nossa, que coisa inovadora“. Foi neste tempo que finalmente acompanhamos os Baywatchs da vida, McGyvers, entre outros. O melhor é que os seriados passavam em horários horríveis, tipo no meio da tarde, com umas dublagens muito cagadas, o que dava um ar ainda mais brega pra tudo. A voz do McGyver, até hoje, é muito tosca:

Ainda teve o Super-Máquina, com o também protagonista do Baywatch, Barrados no Baile…e o melhor de tudo, uma reedição do Twilight Zone. Ainda lembro da entrada que, pra mim, foi uma das melhores já feitas em todas séries até hoje:

Vejo este período como a “época de ouro” dos seriados. Talvez por não serem tão cultuados como acontece hoje, o povo que bolava se desprendia de algumas obrigações e permitiam uma série de experimentalismos que, no geral, criaram ideias muito mais liberais nos roteiros e histórias, colhendo os frutos com obras muito bacanas.

Exemplo disso é o Twin Peaks, série atualmente considerada Cult e que passou por todo este processo de “expandir fronteiras“. Na época, a bagaça passou na Globo, toda adulterada, com cortes e sem todos episódios, o que gerou uma considerável confusão no povo. Pra quem conseguiu ver inteira, seja lá fora ou aqui no Brasil, a série era só elogios. Principalmente com um dos finais, digamos assim, mais perturbados de tudo que se tenha noção. Só pra dar uma ideia da loucura, vou postar uma cena clássica aqui:

Esperar na fila do telefone

Carai, maluco. Aí hoje você vê e pensa, qualquer moleque classe-média já tem um Iphone e sabe fazer trocentas coisas naquele negócio, como se sempre tivesse existido, 20 anos atrás a coisa era bem diferente. A negadinha que viveu, conhece o perrengue.

Telefone era artigo de luxo, coisa de rico magnata MESMO. Como não tinha um milhão de operadoras, a linha era limitada e você tinha que “entrar na fila“, esperar um tempão e aí sim poder descolar um aparelho jurássico. Tinha aqueles que precisavam com mais urgência, ai compravam lugares na fila por uma montanha de dinheiro.

Foi um verdadeiro negócio e muita gente ganhou grana. Só quem perdia era o consumidor, sempre otário, que ficava anos, pagava uma fortuna e ainda tinha um serviço porco.

Depois que as companhias entraram em peso, este arreganho foi encerrado.

Ter um Tamagotchi

Outra coisa que foi febre, atrapalhou muitos pais e escolas, foi o Tamagotchi. Mais um brinquedo lançado pela Bandai que, em pouco tempo, tinha dominado o mundo.

O negócio, pra quem não se lembra, consistia única e exclusivamente em cuidar de um bicho virtual. Quando ele apitava, alguma coisa queria. Sua missão era descobrir o que e, assim, cumprir sua necessidade. O problema começou com o realismo, porque o bicho ficava sempre apitando. Toda hora ele tinha uma necessidade, como um bicho de verdade.

Obviamente, a molecada levava pro colégio, dormia com o negócio do lado, passava o dia com aquilo; o que atrapalhou uma porrada de mães e professores tentando bolar uma logística para “liberar” o uso de Tamagotchi sem influenciar nas atividades do dia-a-dia, como se fosse uma droga perigosíssima, o crack daquela geração.

No final a moda passou e tudo acabou, como era de se esperar.

Voar pela Varig

Voar só é “sempre a mesma coisa” para quem não viveu os anos 90.

Quem voou com Varig nos seus tempos de empresa séria e não-falida, sabe do que eu estou falando. Não era um voo, era um SPA aéreo. Não eram amendoins, eram refeições completas. Não eram passageiros, eram clientes VIP. Todos, não só a “primeira classe“.

Mesmo naqueles voos “sentou levantou” de 40 minutos, você tinha atendimento foda, uma poltrona digna, fones de ouvido e uma refeição de verdade (o que é muito importante, porque pode ser sua última refeição). Felizmente alguém se atinou de tirar fotos disso. Não são os lanches dos tempos antigos, mas já nos dão ideia de como a Varig nos tratava:

Ainda rolava Whiskey, cerveja, vinho…isso que eu tenho a minha visão só de “classe econômica“, porque nunca pude desfrutar a “primeira classe” disso. Era um serviço de verdade, não aquela porcaria atual a que somos submetidos.

Além de toda mordomia, não tinha atraso. E quando tinha, nos compensavam; lembro uma vez que meu voo atrasou 3 horas, aí disponibilizaram almoço de graça no aeroporto pros clientes. Era outro mundo aonde era prazeroso voar; não se tratava de um mero meio de transporte. Hoje o cara entra irritado e sai mais irritado ainda, querendo matar todo mundo e torcendo pro avião superlotado de bagagem com o piloto estagiário não cair.

Uma pena o falimento da companhia, que caiu no esquecimento e hoje em dia nem sei o que virou. Mas, fica na memória de quem conheceu nos anos 90 e teve a oportunidade de utiliza-la.

E com isso, encerro minha trilogia.

Como boa “trilogia” dos anos 90, certamente abrirá espaço para mais remakes, continuações, “a origem” e afins. Certeza que vai render até a décima parte. Mas ainda é uma trilogia.

Aguardo vocês na próxima.

Até!

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