5 games subestimados para SNES

Daí que estes dias eu abro um blog e vejo que uma empresa japa vai lançar um console portátil que roda as antigas fitas do melhor vídeo-game já feito na história da humanidade, o SNES (AKA Super Nintendo). Fui atrás e vi que a empresa é esta. E o brinquedinho é este aí da foto, o tal de SupaBoy, que é um mix de Game-Boy com Super Nintendo.

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Nem precisou ser lançado, mas tá na cara que é o melhor presente do universo. Este “retrô” une a versatilidade que se espera de um portátil, roda jogos de SNES e ainda tem aquele clássico design. Se isto não basta para fazer deste um produto foda, então meu amigo, que o mundo acabe de uma vez.

Desmembrando o site eu me lembrei de como o SNES foi o vídeo-game com maior número de jogos clássicos do planeta. O bicho produziu tantos clássicos que dá pra fazer tranquilamente um Top 100 de clássicos e ainda faltar espaço. E é por isso que, na mesma proporção, muitos jogos que deveriam receber um certo “lugar ao sol” acabaram escondidos, graças a outros games mais aclamados por crítica e jogadores.

Resolvi, então, reunir uma lista com os cinco jogos de SNES que, embora muito bons, nunca receberam a estimação que mereciam. Segue:

1 – Blackthorne

Comecei a lista bem. Embora tenha alguns fiéis fãs e seja da Blizzard, famosa produtora de games, o jogo nunca recebeu o espaço que merecia e acabou num limbo meio injusto de “jogo legal, mas ok”. O jogo se passa no planeta Tuul, enquadrado em uma realidade cyberpunk, aonde você é um sujeito chamado Kyle Blackthorne, meio motoqueiro bad boy, encarregado de salvar o planeta das mãos do poderoso Sarlac.

Este jogo é uma mistura de Madmax e Fuga de Los Angeles…com Orcs! Descrever o que se passa no ambiente deste jogo é como remontar aqueles clássicos filmes de ação dos anos 80 que passam na Sessão da Tarde. O jogo é um grande clichê muito bem produzido, com um vilão demoníaco, um mundo pós-apocalíptico e um herói que tá mais pra anti-herói. Eu lembro que este jogo me marcou por alguns detalhes. Primeiro, porque você podia matar os reféns, e isso era consideravelmente cruel e inovador. Depois, porque você podia dar tiros de costas, o que era inútil mas divertido. Ainda tinha os cenários imensos e aquele maldito Orc gigante açoitador, que eu sempre ficava cagado de enfrentar. Era uma boa aventura em plataforma, uma mistura de ação e emoção perfeita. Além de ser um jogo bem comprido, o que naquela época era meio raro, dada a limitação de espaço dos cartuchos de 16 bits.

O Orc açoitador, aquele bicho azul mirando Kyle.

Jogava este jogo escutando o Appetite for Destruction, do Guns n’ Roses, o que era uma combinação tremendamente eficaz. Ainda mais naquela fase do deserto que era deveras difícil. Lembro que matei o Sarlac uma vez e depois nunca mais consegui. Foi meu momento de glória.

Muito difícil matar aquele bicho desgraçado, o padrão de ataque dele era complicadíssimo e ele era rápido demais. Essa mina que aparece no print screen (canto superior esquerdo) era um dos objetos mais legais do jogo, porque ela andava e subia paredes.

Outra coisa muito divertida era a arma que ia ganhando mais velocidade a cada fase. Os reféns-escravos, que também aparecem neste print screen, ficavam revoltados a partir do segundo level. Aí você não podia matar mais eles, porque alguns revidavam e atiravam. Muito injusto. Mesmo assim, um baita jogaço da Blizzard.

2 – Donald Mahou no Boushi

Sim, um jogo com personagem da Disney que não é para crianças ou retardados. Acho que este e A Bela e a Fera, também do SNES, eram os melhores jogos de personagens Disney, justamente porque tinham uma abordagem mais dinâmica e tratavam o player com uma certa dignidade, não como um bebê burro que precisa ser educado. Depois desse jogo saiu uma versão meio parecida, só que em inglês, chamada Mickey to Donald Magical Adventure; não passa de um plágio descarado, com uns acréscimos e mudanças mínimas.

Mas, voltando ao original, este jogo concerteza (repararam como fica escroto este erro?) não foi aprovado pelos homens de negócio da Disney. O jogo é uma viagem lisérgica do Pato Donald a um mundo bizarro e sem lógica, com problemas de gravidade, cavernas de cristais e montes flutuantes. E você ainda entra neste mundo depois de cumprir umas provas mais bizarras ainda, como limpar janelas e resgatar a energia de uma fábrica assombrada. Eu imagino o pessoal que criou isso, cheio de LSD e whisky, bolando um “jogo infantil” com o Pato Donald. Fato é que toda estranheza deu um caráter super legal ao jogo, um ar meio misterioso, como aquela nonsense fase na floresta que vira de cabeça para baixo. Uma experiência completamente sui-generis e divertida, ao mesmo tempo.

Me recordo que gostava muito da trilha desse jogo; uma das músicas me lembrava o fundo de Só Deus Pode Me Julgar, do MV Bill (sim, dele mesmo), não faço ideia do “porquê”. Comparem vocês mesmos.

Jogo:

MV Bill:

3 – ActRaiser 2

Este era o meu jogo preferido de SNES. Ninguém me engana que os jogos modernos mitológicos, como God of War, não “beberam na fonte” de Actraiser.

A história é bem simples: Tanzra, um inimigo malvadão ressurge (depois de ser banido do céu) e trás com ele 13 demônios agregados aos 7 pecados capitais, tudo para dominar a Terra. As forças celestiais enviam então Crystalis (Actraiser), um anjo-guerreiro para combater o mal e matar Tanzra. Épico total! O jogo é cheio de referências a criaturas bíblicas, poemas e afins, além de ter como trilha sonora só música clássica. O que mais me marcou neste game é o desenvolvimento do cenário e das histórias, com uma ligação aos pecados bíblicos. Por exemplo, o deserto de Modero, aonde as almas morriam de fome e sede, é uma clara alusão a Gula. Ou a cidade de Tortoise Island, aonde um povoado deixou de existir pelas vaidades e devaneios de sua rainha. O jogo todo é relacionado, de uma forma ou de outra, aos próprios pecados em si. Os demônios só existem porque os humanos agem assim. 

Actraiser 2 era um jogo completo em sua época, grande história, grandes gráficos, grandes vilões, grandes músicas. Ironicamente, mesmo sendo meu jogo preferido, nunca consegui termina-lo. O grau de dificuldade deste bagulho é ridiculamente impossível. TODAS fases são extremamente difíceis, inclusive a primeira. Lembro que uma vez cheguei bem longe, passando até do Palace (fase de gelo) e do Death Field (fase da guerra), ao qual eu julgava as fases mais difíceis, mas aí perdi os passwords e meio que traumatizei.

Anos depois fui achar o vídeo deste cara completando todo jogo sem quase perder vida e fiquei puto da cara. Da onde surgem esses nerds ridículos?

4 – Uniracers

Este era muito bom. O jogo era simples, beirando o tosco. Gráficos mais simples ainda, música também simples. Tudo era simplório demais…mas o jogo era foda!

Um jogo de corrida de monociclos em circuitos psicodélicos com vários loops e stunts. O game não tinha objetivo aparente nenhum. Era só correr, correr e correr para ganhar, em um universo de corrida 2D, mas era extremamente viciante. Eu me recordo dolorosamente que o controle do SNES era uma merda, nenhum pouco anatômico, ainda mais com aqueles botões X e Y virados ao contrário. Este jogo foi o responsável pela minha primeira bolha no dedão, originária de muitas horas jogando isso. Mandava muito naquelas fases de half-pipe, aonde a única missão era fazer uma pontuação descomunal oriunda de manobras toscas.

Este jogo é tão viciante que até nos dias mais atuais, com jogos ultra-modernos, ele cumpre esta função. Recentemente baixei um emulador e fui jogar isso…passei um tempão jogando. É o típico game que deve ser muito bom pra beber um monte de cervejas, escutar uma música e ficar jogando doidão, sem compromisso algum. Eu me pergunto porque não rola umas competições desta bagaça organizadas por algum grupo retrô, aí. Seria genial demais.

Como no Actraiser 2, achei o vídeo de um nerd humilhando geral:

5 – Clock Tower

Este jogo passou por um processo interessante. Sabe aqueles filmes que todo mundo cagou na cabeça, aí depois que ficou velho ele do nada vira “cult“? Este game foi assim.

Clocktower era um jogaço, um dos primeiros – e melhores até hoje – survival-horrors da história. Mas ninguém ligou muito. Teve sua estima na época? Teve…mas foi tudo dentro da regularidade. Aí resolveram fazer a continuação para PS1 e PS2 e o povo redescobriu o game original, que é sem dúvidas o melhor da série. O Clocktower do SNES é impressionantemente foda.

Ta aí o maldito em ação. Sempre macabro.

Quando nós falamos de survival-horrors games, temos que levar em consideração que a chave do sucesso está em um processo de imersão do player, de fazer ele “vivenciar” o game de maneira que se sinta parte do mesmo. Foi o que Resident Evil fez, o que Silent Hill fez e assim por diante. Mas Clocktower era um jogo de SNES, de 16 bits, com limitações gráficas e de movimentação. E mesmo assim conseguiu criar uma atmosfera necessária para ser um jogo atormentador, um clássico do gênero. Tudo estava ali: aquela maldita mansão gigante e assustadora, aquela velha que era uma tremenda vadia, vários personagens crianças (crianças são naturalmente assustadoras), a maldita torre do relógio…e o Bob, aquele desgraçado com aquela tesoura. A movimentação limitada ainda contribuía para tornar tudo mais difícil e, consequentemente, assustador. O pior é que você não tinha uma maneira de se defender propriamente, a proposta estava em saber se virar com os objetos da casa, se escondendo por aí, enquanto aquele psicopata de tesoura tentava te matar.

Sem dúvida, um dos melhores games de terror até hoje. E o final deste jogo é surpreendente! Quem bolou o jogo deve ter alguma psicopatia ou algo do gênero, porque é uma história muito macabra e cruel, ainda mais nesta época aonde os video-games ainda eram associados exclusivamente a produtos infantis.

Por enquanto é isso, galera do mal.

Sigam-me os bons!

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