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São Manoel e a história da boneca

Isso é um causo que eu ouvi há muitos anos e resolvi relatar aqui. Como meu fim de semana não foi lá muito emocionante e eu acabei meu Domingo na companhia da porcaria do Fantástico e aquela matéria mais porcaria ainda sobre exorcismo, resolvi contar logo esta história no blog.

Como todos (não) devem saber, sempre fui aficionado por material de terror, sobrenatural, oculto e afins. Não por acreditar (ou desacreditar) em tudo, mas por uma curiosidade bizarra mesmo. Uma das coisas que mais fascina o mundo do oculto é o “universo” das bonecas e bonecos. Talvez por ser um dos brinquedos mais antigos do mundo, envolvidos em alguns rituais mágicos nos tempos antigos, além de brinquedo, o objeto se “culturalizou” com uma imagem meio assustadora. É tão verdade este fato que há uma legião de obras de terror voltadas para isso, como:

O imaginário popular é tão forte que um dos casos sobrenaturais mais famosos do mundo envolve bonecos. Pra quem não sabe, estou falando do famoso Robert the doll, um suposto boneco infantil amaldiçoado por uma praticante de Voodoo, que aterrizou o escritor Robert Eugene Otto. Diz a lenda que o “brinquedo” corria pela casa, pregava peça nos moradores e chegou a fazer exigências para Eugene, que por um estranho vício nunca conseguiu se livrar da criatura, nem quando velho.

No final da vida de Eugene, aliás, Robert the doll já tinha até um quarto para ele na sua casa, para poder aprontar suas brincadeiras e não incomodar mais ninguém. O mais estranho dessa história é que muita gente relata ter visto o boneco andar, não é só UM testemunho sobre isso. Há um pequeno documentário sobre ele aqui:

Mas, voltando ao meu caso, vou relatar o que aconteceu.

Isso veio do tempo que eu ainda estudava no São Manoel, a escola que eu relatei lá atrás no post do John Howe. Estudei ali quase todo meu ensino fundamental inteiro, só saindo quando o colégio faliu. Nos seus áureos tempos, chegou a ter 700 alunos. No seu último ano, tinha apenas 121. Mas isso eu conto outra hora, voltemos ao que interessa.

Embora com todo o tamanho do São Manoel e seus 700 alunos, ele sempre foi uma escola de bairro, daquelas que a criancinha da primeira série sabe quem é geral até a oitava série e vice-versa. Talvez por ser turno integral (manhã e tarde), os alunos acabavam se conhecendo melhor, conversando mais. Todos alunos conviviam em algum momento, dos mais novos até os mais velhos; ou no refeitório, ou nas atividades extras do turno inverso, ou na quantidade absurda de recreios que tínhamos (4, no total). Se alguém peidava, todo mundo sabia; se alguém namorava, todo mundo sabia. Parecia realmente aquelas cidades de interior, não existiam segredos.

Eu sei que, lá pelas tantas, entrou um cara mais velho no colégio, que tinha uma mãe meio maluca com esses trecos de ocultismo, e apresentou pra todo mundo essas brincadeiras sem-noção em busca de ver fantasmas e afins. O colégio inteiro procurava pela Maria Degolada no banheiro, pelo suposto cemitério que tinha atrás das quadras de futebol (aonde, obviamente, não tinha nada), pelo fantasma na Igreja. Tudo na maior inocência.

Foi daí que a minha turma (quinta série, na época) começou a ficar meio encucada nessas coisas, elevando tudo a um grau meio absurdo; o limite entre brincar ou ser muito burro e mexer com o que não se deve é bem tênue. Começamos a fazer brincadeira do compasso, do copo, da moeda, de tudo que era possível para “chamar” forças do além. Mas não era suficiente. Tínhamos que ultrapassar a barreira do bom-senso, adentrar o mundo do desconhecido de cabeça e ver criaturas de outro universo de qualquer forma.

Como um bom colégio salesiano, o São Manoel tinha uma capela…bem assustadora, por sinal, porque sempre ficava a meia-luz. Resolvemos que ali seria o local da nossa experiência: com um copo de cristal virgem (nunca usado, não sei qual o motivo), iríamos fazer a brincadeira do copo, sob o pé de uma cruz enorme, dentro da capela e sem dizer “amém” no final da profanação, o que era um “sinal de desacato“, ou qualquer coisa do nível. Tenso, não? Muito poético, aliás. Nem o melhor filme de terror já pensou nisso.

Chegou o grande dia, estava toda a piazada reunida, disfarçando a situação para ninguém descobrir. Eram umas dez pessoas. Arranjamos o copo, estávamos indo pra capela, entramos, e aí o copo simplesmente “cai” (em aspas, porque foi MUITO estranho, não foi uma queda simples) da mão da menina que estava segurando e se espatifa no chão. O único copo. De qualquer forma, interpretamos como um sinal divino e resolvemos não fazer merda nenhuma, o que foi muito inteligente. Mas nossa professora descobriu e, assustada, nos contou uma história que aconteceu com ela, pra nos deixar mais cagados ainda a ponto de nunca tentarmos repetir aquilo.

Ela tinha uma filha, toda mimada, que era um ano mais velha que a gente. Ela contou que, quando a guria era criança, como boa menina mimada, tinha tudo possível. Bem aqueles quartos de filme, cheio de bonecas, livros, tudo rosa, paredes pintadas com figurinhas, aquela pompa toda. Se não me falha a memória, era filha única ainda, o que elevava qualquer mimo a décima potência. Eles moravam numa casa relativamente grande. Embora com a mãe professora (todo mundo sabe o salário dos professores brasileiros), o pai ganhava uma grana bem boa, levavam uma vida confortável e a menina tinha um quatro enorme só pra ela, desde nova. Só que, pelo visto, para a menina não era suficiente.

Toda noite, mas toda noite MESMO, a menina abria um berreiro. Chorava durante horas e horas e ficava lá se lavando em lágrimas até a mãe, nossa professora, acordar e tirar ela do quarto pra dormir com eles. No começo, a mãe achou que era manha por dormir sozinha, que ela fazia isso para chamar atenção e ir dormir com eles, com o tempo ela iria parar. Mas não parava. Continuava toda noite chorando, chorando, chorando, até levarem ela para o quarto deles. A mãe ia levando “na boa”, tentando acalmar pra ver se um dia a coisa melhorava. E nunca melhorou.

Um dia a mãe chegou de mau humor em casa, fez o que tinha que fazer e foi deitar. A filha continuava chorando compulsivamente e ela, estressada, resolveu dar cabo daquilo e não pegar a criança para levar pro quarto, ignorando a choradeira. Só que a guria era insistente e chorou muito, fez escândalo, não tinha como não se reparar. Nossa professora, de saco cheio, se levantou e foi para o quarto da guria, pronta para dar uns palmadas na menina pra ela parar de escarcéu. Entrou no quarto, ascendeu a luz e gritou:

- Para de chorar, agora! Se tu não parar, vai apanhar pra aprender!

Foi então que ela ouviu a resposta, surpresa, da menina:

- Pode me bater se tu quiser. Pode mesmo. Mas eu não quero dormir nesse quarto nunca. Toda vez que vocês (o pai e a mãe) me deixam sozinha aqui, aquela boneca ali – e apontou para um dos brinquedos – fica correndo pelo quarto!

A professora e o marido se cagaram de medo, deram cabo da boneca e a menina nunca mais chorou. Tenso, não?

De um jeito ou de outro, serviu de lição para nós. A nossa turma nunca mais resolveu brincar com essas paradas do além. Não dentro do colégio, nem em capelas. Ao menos por um tempo. Ok, não serviu pra nada, nós continuamos fazendo muita merda. Mas, que essa história foi macabra, foi. Ainda mais contada por uma professora, segundo ela, com acontecimentos na família dela mesma.

Bizarro.

E sigam-me!

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One thought on “São Manoel e a história da boneca

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